A vacina contra o Alzheimer pode estar cada vez mais próxima

· 21 de outubro de 2016
O descobrimento de uma vacina contra o avanço do Alzheimer sem efeitos colaterais poderia se materializar e estar à disposição dos afetados em apenas três anos.

Um dos maiores desafios da ciência é frear o avanço e a aparição do Alzheimer. Como já sabemos, poucas doenças podem ser tão desesperadoras e tristes tanto para o paciente quanto para o entorno familiar.

Por outro lado, também sabemos que, às vezes, nos cansamos de ler e escutar todo tipo de notícias “positivas” a respeito dessa e outras doenças neurodegenerativas.

Fala-se de descobertas e avanços, mas dia após dia o número de diagnosticados continua crescendo.

Tanto é assim que estima-se que em 2050 o número de casos de Alzheimer chegará aos 135 milhões em todo o mundo. O dado não significa absolutamente que a doença seja agora mais grave do que antes.

Significa que a expectativa de vida aumenta, e o simples fato de encostar na fronteira dos 80 faz com que a prevalência do Alzheimer seja mais comum.

Tudo isso eleva, sem dúvidas, a necessidade de continuar lutando e investindo fundos na pesquisa contra essa doença.

Em julho deste mesmo ano foi publicado em diversos meios um estudo esperançoso e com uma base sólida.

A Universidade de Flinders, na Austrália, e o Instituto de Medicina Molecular e a Universidade da Califórnia (Estados Unidos) desenvolveram uma vacina que poderia frear o desenvolvimento de Alzheimer.

A seguir ofereceremos todos os dados.

A esperada vacina contra o Alzheimer: uma longa batalha

Segundo um trabalho publicado na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy, cerca de 99% dos ensaios clínicos para frear o Alzheimer fracassaram.

Em 2010 a primeira vacina foi patenteada nos Estados Unidos. No entanto, ela foi um fracasso, já que os efeitos colaterais eram graves.

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Ela foi chamada de AN1792 e chegou inclusive a ser aprovada pela agência norte-americana que regula os medicamentos. Porém, após novas análises, o fármaco ficou invalidado e o projeto suspenso.

Isso já faz 6 anos, e desde então, longe de encontrar mais muros e mais fracassos, os avanços foram muito positivos.

Uma primeira vacina experimental: a EuroEspes

Após o fracasso dos Estados Unidos chegou a EB101 da EuroEspes. Este centro médico com sede na Galicia (Espanha) conseguiu dar um passo além da AN1792 e eliminar grande parte de seus efeitos colaterais.

As principais conquistas foram as seguintes:

  • Atuar como um imunógeno-coadjuvante capaz de gerar anticorpos contra as placas que geram a proteína beta-amiloide e que, pouco a pouco, vão favorecendo a aparição do Alzheimer.
  • A vacina EB101 evita os casos de meningoencefalite ou as micro-hemorragias cerebrais causadas pela AN1792.

Porém, esta vacina ainda é experimental e não há data para sua patente e nem para a comercialização.

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A vacina que reverte as doenças neurodegenerativas

Assinalamos isso no início. Uma universidade na Austrália e o Instituto de Medicina Molecular da Universidade da Califórnia são os últimos a dar o passo até a suposta vacina definitiva.

  • Este remédio supõe um avanço assombroso e verdadeiramente esperançoso, já que poderia prevenir e inclusive reverter várias doenças neurodegenerativas.
  • Além do Alzheimer, esta vacina poderia nos ajudar a frear doenças como o Parkinson, o Kuru (doença neurodegenerativa e infecciosa causada por um príon) ou a doença de Huntington.

Seria possível fazer isso por meio da combinação de dois tratamentos:

  • Uma primeira vacina atuará sobre a proteína beta-amiloide.
  • O segundo fármaco trabalharia sobre as proteínas tau. Há estudos que afirmam que, quando estas proteínas não funcionam, a célula não pode tirar seus “resíduos” e a outra proteína, a beta-amiloide, tende a se acumular de forma nociva e causar a morte celular.

A vacina estaria pronta em três anos

Nikolai Ptrovsky é o médico endocrinologista que lidera este projeto. A ideia é ter pronta a vacina para que esteja no mercado dentro de dois ou três anos.

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Os resultados dos experimentos feitos até o momento são todos positivos, mas ainda há objetivos por cumprir.

Seriam os seguintes:

  • Reverter o Alzheimer quando a pessoa acaba de receber o diagnóstico (nas fases muito avançadas ela ainda não é eficaz).
  • Também poderá ser usada como vacina para as pessoas de 50 anos que não tenham sintomas. Deste modo, poderia-se prevenir o surgimento dessas doenças neurodegenerativas.
  • Em essência, busca-se, antes de tudo, evitar o desenvolvimento das demências quando ainda não apareceram ou quando estão em uma fase precoce.
  • Seria, pois, uma luz futura para paliar a incidência do Alzheimer nas gerações de amanhã.
  • Lamentavelmente, os familiares ou conhecidos de nosso entorno que foram afetados por doenças neurodegenerativas continuarão sem ter uma cura.

Nosso único objetivo nesses casos continuará sendo oferecer a máxima qualidade de vida, imenso afeto, dignidade e a ajuda dos melhores especialistas.