Como a urticária crônica afeta a qualidade de vida?

12 Setembro, 2020
A urticária crônica é caracterizada pelo surgimento repetitivo de lesões de pele na forma de vergões avermelhados. É uma patologia que afeta a qualidade de vida do paciente. Aqui, vamos contar do que se trata e como o problema pode ser abordado.
 

A urticária crônica é uma condição mais comum do que costumamos imaginar. No mundo, estima-se que 1% da população a tenha, sem variações significativas entre diferentes regiões. As mais afetadas são as mulheres entre trinta e cinquenta anos.

A urticária é caracterizada pelo aparecimento de vergões avermelhados na pele, acompanhados por uma coceira intensa. Esses vergões são de tamanhos diferentes e podem ir e vir repentinamente, como se estivessem mudando de lugar.

A urticária comum se transforma em urticária crônica ao longo do tempo. Clinicamente, para diagnosticá-la, o paciente deve ter sofrido por mais de seis semanas em um único ano, mesmo considerando os períodos intermediários sem lesões visíveis.

A alteração que a urticária crônica provoca em pessoas com essa patologia é facilmente reconhecível. A alteração da qualidade de vida é lógica, visto o desconforto que causa. A coceira constante interrompe o sono da pessoa e toda a rotina de atividades diárias.

A origem dessa patologia é desconhecida, mas entende-se que o tratamento tem a ver com o controle da reação alérgica do corpo. Para isso, geralmente são indicados anti-histamínicos e medidas higiênico-dietéticas.

Sintomas da urticária crônica

O sintoma característico da doença são os vergões avermelhados na pele, sem predileção especial por qualquer parte específica do corpo. Por outro lado, a mudança nos locais de aparição e nos diferentes tamanhos dos vergões é constante.

 

No entanto, como nem todos os vergões que aparecem no corpo são causados pela urticária crônica, esta é a lista dos sintomas considerados para o diagnóstico clínico:

  • Vergões vermelhos em qualquer parte do corpo.
  • Aparência variável de vergões com formato diferente, em um padrão de aparição e desaparecimento.
  • Inchaço em alguma área da pele, juntamente com o aparecimento do vergão.
  • Relação da aparição dos vergões com um gatilho, como situações de estresse ou exposição ao calor.
  • Prurido intenso: coceira.
Sintomas da urticária crônica

A urticária crônica e a qualidade de vida

Mais da metade dos pacientes que sofrem de urticária crônica têm a sua vida social afetada e a sua participação em eventos e reuniões com familiares e amigos reduzida. Além disso, mais da metade deles sentem que a sua vida sexual é afetada devido à questão estética.

Além dos resultados negativos vistos nesses aspectos, o local de trabalho também faz parte do problema. 25% dos pacientes faltam ao trabalho quase uma vez por mês. Inclusive, foi encontrada uma associação entre um maior comprometimento da qualidade de vida e uma menor renda.

O papel desempenhado pelo círculo social dos pacientes com urticária crônica é muito importante. Eles devem conhecer a patologia e as suas manifestações para evitar gestos de rejeição que podem minar a autoestima do paciente. Quando o desprezo pessoal aumenta, há menos chance de adesão aos tratamentos clínicos.

 

Situações estressantes podem piorar a urticária crônica. Até mesmo um pequeno efeito, como o aumento da ansiedade devido à coceira, é uma das causas das complicações, pois pode levar a uma lesão dérmica que, mais tarde, pode infeccionar.

O efeito da urticária na vida cotidiana é tão intenso que parte da avaliação médica, de acordo com os protocolos mundiais sobre o assunto, consiste em aplicar instrumentos de medição da qualidade de vida para conhecer em profundidade o estado do paciente.

Tratamento farmacológico

Uma das bases do tratamento da urticária crônica é a prescrição de medicamentos para a alergia. Entre eles, os mais utilizados são os anti-histamínicos. Aqui temos dois grupos e opções: aqueles que provocam sonolência e aqueles que não provocam.

Entre os antihistamínicos que provocam sonolência, podemos citar:

  • Hidroxizina.
  • Doxepina.
  • Difenidramina.

Entre aqueles com menos efeitos colaterais, talvez o mais conhecido seja a loratadina, localizada no mesmo grupo da fexofenadina e da cetirizina.

Se as lesões cutâneas envolverem uma inflamação contundente, os corticosteroides podem ser prescritos como anti-inflamatórios. São medicamentos de uso reduzido e pontual no tempo devido aos seus efeitos colaterais. O mais indicado costuma ser a prednisona.

Pessoa segurando medicamentos
 

Tratamento não farmacológico

Além da medicação, medidas higiênico-dietéticas são essenciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com urticária crônica. Serão essas medidas que vão conter os sintomas a longo prazo.

Entre as indicações não farmacológicas, podemos citar como as mais importantes:

  • Evitar sabonetes que não sejam neutros e podem irritar ainda mais a pele.
  • Usar cremes hidratantes para manter a hidratação dérmica.
  • Evitar roupas apertadas, dando prioridade às roupas mais soltinhas, evitando a fricção com a pele.
  • Aplicar protetor solar quando estiver ao ar livre, mesmo em dias pouco ensolarados.
  • Se houver gatilhos conhecidos, evite-os.

Todas essas medidas combinadas, embora não curem a doença, ajudarão a melhorar a qualidade de vida do paciente, permitindo-lhe realizar e concluir as atividades da vida cotidiana da melhor maneira possível. É importante que a doença não se torne incapacitante ou um motivo para se afastar dos relacionamentos pessoais.

 
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