Tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez

18 de abril de 2019
O hipotireoidismo pode causar problemas durante a gravidez, tanto na mãe como no bebê. Conheça o tratamento para esse problema durante a gestação.

O tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez é basicamente o mesmo que para uma não gestante ou para um homem. Entretanto, a gestação implica maior controle e seguimento, já que pode ter consequências para o processo da gravidez.

Os hormônios da tireoide cumprem um papel muito importante durante a gravidez. Incidem tanto no desenvolvimento do feto, como no estado de saúde da mãe.

Um tratamento adequado do hipotireoidismo permite uma gravidez sem maiores complicações.

Os dados indicam que as doenças da glândula tireoide são mais frequentes entre as mulheres em idade reprodutiva. Por outro lado, estima-se que o hipotireoidismo se apresenta entre 0,25% e 2,5% das gestações. Portanto, podemos dizer que a incidência deste problema é baixa.

A tireoide e o hipotireoidismo

Glândula tireoides

Como glândula, a principal função da tireoide é a de segregar hormônios. Ao se tratar de uma glândula endócrina, os hormônios que ela segrega vão diretamente à corrente sanguínea.

Para que isso seja possível, é necessário o iodo no organismo. Os hormônios da tireoide cumprem múltiplas funções.

As mais importantes são:

  • Crescimento e desenvolvimento.
  • Incremento do consumo de oxigênio.
  • Desenvolvimento do sistema nervoso central e periférico.
  • Regulação da temperatura.

Uma pessoa tem hipotireoidismo quando a glândula não consegue produzir suficiente hormônio tireoidiano. Isto pode ocasionar desde pequenas moléstias até problemas graves de saúde. Na maioria dos casos pode ser tratado com sucesso, apesar de que não há cura definitiva.

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Mudanças na função da tireoide durante a gravidez

Durante a gravidez ocorrem mudanças hormonais e fisiológicas que terminam afetando a função da tireoide. É normal que os valores para o TSH (hormônio estimulante da tireoide) sejam ligeiramente mais baixos durante o primeiro trimestre da gravidez.

A T3 (triiodotironina) total e a T4 (tiroxina) total permanecem altas durante toda a gravidez. Mesmo assim, a glândula tireoide pode aumentar de tamanho. Em alguns casos pode aparecer o bócio, associado à gestação.

O bebê depende totalmente da mãe para produzir o hormônio tireoidiano, durante as primeiras 10 ou 12 semanas de gravidez. Depois disso, o bebê produz o hormônio por si só. Apesar disso, o feto continua dependendo de que a mãe consuma suficiente iodo para que os hormônios sejam produzidos adequadamente.

Riscos do hipotireoidismo durante a gravidez

Tratamento para o hipotireoidismo

O tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez é fundamental, já que existem diferentes riscos, tanto para a mãe como para o bebê. Entre outros problemas, por exemplo, a mãe pode desenvolver anemia materna, miopatia e insuficiência cardíaca congestiva.

É possível também que ocorram anormalidades na placenta, que o feto apresente baixo peso ao nascer e que haja hemorragias no pós-parto. O risco de que isso ocorra é maior se o hipotireoidismo é severo.

Aliás, o hormônio tireoidiano é fundamental para o desenvolvimento do cérebro do bebê. A ciência ainda não estabeleceu com precisão quais são as consequências do hipotireoidismo no desenvolvimento, mas se sabe que pode gerar anormalidades.

O hipotireoidismo incrementa os riscos de aborto espontâneo no primeiro trimestre da gravidez e também aumenta o risco de parto prematuro. Além disso, pode incidir também no aumento da pressão arterial, gerando a pré-eclâmpsia, uma das complicações que exigem cuidados especiais.

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Tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez

O tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez não tem como meta a cura, mas o controle total sobre essa doença. Basicamente consiste em substituir o hormônio tireoidiano por levotiroxina sintética. Este hormônio é exatamente igual à T4 produzida por uma tireoide normal.

O único risco do hormônio sintético é que a dose não seja a adequada. Se for muito baixa, o hipotireoidismo persiste. Se ao contrário, for alta, é possível que se desenvolva o hipertireoidismo. Por isso é necessário manter um controle e seguimento médico constantes.

Outro componente do tratamento do hipotireoidismo durante a gravidez é a realização de provas da função da tireoide a cada 6 ou 8 semanas no máximo. Estas avaliações são as que permitem determinar se são necessárias mudanças na dose de levotiroxina.

Também é muito importante realizar um controle permanente do nível de iodo na mãe. Isto é fundamental para que a síntese dos hormônios tireoidianos da mãe e do feto não seja alterado. A mãe deve manter uma dieta rica em iodo.

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