O transplante de células-tronco pode erradicar o HIV

· 10 de novembro de 2018
Somos todos conscientes da gravidade do HIV, bem como da complexidade de seu tratamento. Recentemente, houve uma descoberta que poderia mudar a história dos portadores desse vírus.

Você deve estar se perguntando como o transplante de células-tronco pode erradicar o HIV.

Um grupo de cientistas espanhóis conseguiu reduzir a carga viral em seis pacientes com HIV.

Em seguida, daremos um breve resumo do processo que levou a uma descoberta que, embora não seja uma cura absoluta, pode significar um avanço histórico.

 A revista Annals of Internal Medicine publicou recentemente uma descoberta que chocou o mundo da ciência, mas também à comunidade científica em geral. É que se trata de um problema para o qual foram dadas muitas possíveis soluções; infelizmente, poucas foram bem-sucedidas.

Não obstante, nesta ocasião, a publicação médica teve o agrado de expor uma descoberta feita por cientistas do Instituto de Investigación del Sidra IrsiCaixa de Barcelona e do hospital Gregorio Marañón de Madrid.

Mediante o transplante de células-tronco estes pesquisadores conseguiram fazer com que seis pessoas reduzissem de seu organismo o vírus do HIV, causador da Aids.  Em que consiste o método usado para obter este resultado? Confira.

Erradicar o HIV? O vírus foi reduzido a um nível indetectável

As células-tronco que foram transplantadas provinham de cordão umbilical e da medula óssea. Esta última demonstrou ser a mais eficaz para os propósitos pretendidos.

De acordo com os cientistas responsáveis pelo procedimento, após a intervenção, pessoas afetadas tinham o vírus indetectável no sangue e nos tecidos. Inclusive, um deles até carecia de anticorpos; isto é um indício de que o vírus poderia ter sido erradicado.

Além da procedência das células-tronco, um dado fundamental é o tempo decorrido para concretizar esta substituição de células. Por exemplo, demorou 18 meses para terminar o tratamento em um único paciente onde tinham sido detectadas reservas do vírus HIV; era quem tinha recebido células-tronco do cordão umbilical.

Enquanto os participantes do experimento ainda continuam seu tratamento antirretroviral, acredita-se que se poderia ter encontrado um novo caminho no processo para erradicar o HIV. No entanto, isso não significa que este objetivo tenha se alcançado; ainda há muito a ser feito, mas as esperanças estão mais vivas do que nunca.

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Esta conclusão é definitiva?

Até o momento, erradicar o HIV era uma tarefa impossível para a comunidade científica. Afinal, permaneciam no sangue reservatórios virais latentes formados por células infectadas. Por isso, as drogas não conseguiam o efeito desejado para combater a esta doença.

Não obstante, como explicamos previamente, nesta oportunidade há sinais que indicam o contrário. A sete anos da substituição das células-tronco, cinco pacientes não contavam com estes reservatórios, visto que um deles se quer tinha anticorpos para enfrentar as células infectadas.

Entretanto, como é possível confirmar que o vírus não aparecerá novamente no futuro? De acordo com Maria Salgado, pesquisadora do IrsiCaixa de Barcelona, seria necessário parar o tratamento antirretroviral e examinar se o vírus reaparecesse.

Precisamente, esse será o próximo passo. Desde já, em condições controladas por médicos e pesquisadores, o tratamento será substituído por outras imunoterapias para comprovar se, de fato, o vírus retorna ou não.

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O caso inspirador de Timothy Brown

O caso de Timothy Brown que conseguiu erradicar o HIV

Em 2008, o transplante de células-tronco ao qual o paciente Timothy Brown se submeteu para curar uma leucemia, tornou-se um “milagre” na medicina. Naquela época, Brown recebeu células-tronco de um doador que possuía uma mutação genética incomum chamada CCR5 Delta 32.

Especificamente, esta peculiaridade consistia na imunidade de certas células do sangue ao vírus do HIV. Após receber estas células, Brown conseguiu erradicar o HIV de seu corpo; assim, tornou-se o primeiro ser humano na história curado do HIV.

Baseados neste fato, pesquisadores como Salgado, coautora do artigo Mi Kwon, hematóloga do Hospital Gregorio Marañón de Madrid, e outros membros de sua equipe de trabalho, dedicaram-se a experimentar processos semelhantes com pessoas infectados pelo HIV.

A peculiaridade foi que desta vez a mutação CCR5 Delta 32, a do caso de Timothy Brown, não estava presente nas células dos doadores. Isto poderia significar também que existem outros fatores que influenciam no desaparecimento do vírus.

O que está claro é que estamos perante uma nova possibilidade no campo da medicina. Depois de muitos anos e tentativas infrutíferas, a luta para eliminar o vírus do HIV parece ter encontrado um rumo. Todos, tanto médicos como cidadãos do mundo, anseiam que seja definitiva.