Mononucleose infecciosa

· 1 de novembro de 2017
A infeção pelo vírus de Epstein-Barr em pessoas que têm um sistema imunológico intacto pode ocorrer de maneira assintomática.

A mononucleose infecciosa é uma doença de origem viral causada pelo vírus Epstein–Barr (VEB) ou pelo herpesvírus humano 4 (VHH 4).

Trata-se de um patógeno exclusivamente humano que afeta normalmente as crianças, adolescentes e adultos jovens.

O vírus Epstein-Barr tem duas características fundamentais:

  • Em primeiro lugar, trata-se de um vírus com afinidade pelos linfócitos B e pelas células da orofaringe.
  • Em segundo lugar, é um vírus com capacidade de permanecer latente (em estado de repouso) e de se reativar em situações de enfraquecimento do sistema imunológico.

Como é realizado o contágio?

  • A doença é transmitida de maneira direta, pelo contato com a saliva das pessoas infectadas (normalmente, de portadores assintomáticos). É por essa razão que é comumente conhecida por “doença do beijo”.
  • O contágio também pode se dever ao contato com objetos como copos ou escovas de dente usados pelas pessoas infectadas.
  • Do mesmo modo, existe a possibilidade de ser transmitida por meio do sangue (transfusões) ou de um transplante de células hematopoiéticas.

A idade na qual ocorreu o contágio se relaciona diretamente ao nível socioeconômico.

Enquanto em países em desenvolvimento trata-se de uma doença própria da infância, em países mais desenvolvidos é uma doença comum na adolescência.

Infecção pelo vírus Epstein-Barr

Vírus de Epstein Barr: causador da mononucleose infecciosa

A infecção pelo vírus Epstein-Barr em pessoas com um sistema imunológico intacto normalmente é assintomática e, portanto, passa despercebida.

No entanto, existem diferenças relacionadas à idade:

  • Durante a infância, a infecção, na maioria dos casos, é assintomática.
  • Em adolescentes e em adultos jovens, existem duas possibilidades: assintomática, ou a pessoa apresenta um quadro de mononucleose infecciosa.

Em adultos com mais de 40 anos, na maioria das vezes, a primeira infecção pelo VEB dá lugar a uma hepatite viral.

A situação é diferente em pessoas com um sistema imunológico deprimido (como as pessoas com HIV, ou em tratamento com remédios contra a rejeição de transplantes).

Em tais casos, uma infecção por este vírus pode dar lugar a transtornos do tecido linfoide que comprometam gravemente sua saúde.

Sintomas da mononucleose infecciosa

Sintomas da mononucleose infecciosa

A mononucleose infecciosa tem um período de incubação de 4 a 6 semanas.

Durante esse período, a pessoa pode apresentar um quadro semelhante ao da gripe (fadiga, mal-estar geral, febre baixa ou inferior a 38 ºC…).

Passado esse tempo, surgem os sintomas típicos da mononucleose infecciosa:

  • Faringoamigdalite muito dolorosa.
  • Febre alta (acima de 38 ºC)
  • Adenopatias cervicais: os gânglios linfáticos do pescoço podem se inflamar de maneira muito nítida, sendo um dos sinais mais característicos da doença.
  • Esplenomegalia (aumento do tamanho do baço), na maioria dos casos, e hepatoesplenomegalia (aumento do tamanho do baço e do fígado), em até 50% dos pacientes.
  • Em alguns casos, a infecção pode causar também intensa fadiga (astenia).

Num nível analítico, é importante destacar a presença de linfomonocitose, com linfócitos atípicos, e de anticorpos heterófilos no sangue desses pacientes. Esta é uma informação fundamental para o diagnóstico da doença.

Diagnóstico

Uma análise completa demonstra a presença de linfomonocitose (aumento do número de linfócitos acima de 4,5 mil/mm³). Mas não basta para o diagnóstico definitivo de mononucleose infecciosa.

Uma linfocitose pode ter origem benigna e se traduzir na existência de um processo infeccioso ou inflamatório, ou ter uma origem maligna (como ocorre nas leucemias).

  • Os linfócitos atípicos ou reativos podem ser observados em um exame de sangue.
  • Diferenciam-se dos linfócitos normais por serem maiores e terem um núcleo mais desorganizado, por causa da estimulação antigênica.
  • Sua presenta indica benignidade.

O teste mais rápido para confirmar o diagnóstico da mononucleose infecciosa é o Monospot. Essa é uma técnica de soroaglutinação que permite determinar a presença de anticorpos heterófilos nesses pacientes e que é negativa no restante dos casos.

Mão com luva segurando exame de sangue

Esse teste é positivo em 85% dos casos de mononucleose infecciosa.

Os anticorpos heterófilos são do tipo IgM patognomônicos da infecção pelo vírus Epstein Barr, ou seja, se apresentam apenas como resposta à infecção por este vírus, e têm a capacidade de aglutinar sangue de carneiro (Teste de Paul-Bunnell ou Monospot).

A determinação da presença de anticorpos IgM e IgG frente ao VCA (antígeno da cápside), EBNA (antígeno nuclear) e EA (antígeno precoce, detecta-se apenas durante os primeiros meses) permite diferenciar entre infecções agudas e antigas.

  • No caso de infecção aguda, encontram-se Ac Anti VCA de tipo IgM, em primeiro lugar, cuja presença no sangue se detecta até 5 meses depois.
  • Nas 4 semanas do começo da doença, aparecem no soro Ac Anti VCA de tipo IgG. Não se detectam Ac Anti-EBNA.
  • No caso de infecção antiga, podem ser detectados no soro Ac Anti VCA e Anti EBNA de tipo IgG.

Diagnóstico diferencial

É fundamental realizar o diagnóstico diferencial da infecção pelo VEB com os agentes etiológicos da síndrome de mononucleose com anticorpos heterófilos negativos, como o produzido pelo citomegalovírus (CMV), pelo Toxoplasma ghondii ou pelo que aparece na primeira infecção pelo VIH.

O diagnóstico diferencial deve ser realizado também com outras causas de linfocitose, como a leucemia e os linfomas.

Tratamento

Os pacientes com mononucleose infecciosa e tratados com amoxicilina normalmente desenvolvem uma erupção generalizada em torno de 3 dias depois de começar a tomá-la.

Complicações da mononucleose infecciosa

Pode ocorrer o rompimento do baço devido à esplenomegalia (acontece em nos de 1% dos casos). Também podem ocorrer quadros de anemia hemolítica, porque os anticorpos heterófilos podem causar a lise (destruição) das hemácias. Ao serem destruídas, a bilirrubina de seu interior é liberada, e é por isso que pacientes com mononucleose infecciosa podem apresentar icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas).

Mulher medindo a febre com termômetro

Também podem aparecer:

  • Síndrome de fadiga crônica
  • Síndrome de Guillain-Barré
  • Em pacientes com Síndrome de Duncan, a infecção pelo vírus Epstein-Barr pode levar a transtornos do tecido linfoide de elevada taxa de mortalidade.

Outras doenças associadas ao VEB:

  • Síndromes linfoproliferativas, entre as quais a mais importante é o linfoma de Burkitt
  • Câncer de cavum (câncer de orofaringe)
  • Lúpus eritematoso sistêmico e outras doenças autoimunes