É possível transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado?

22 de maio de 2020
No momento, não existem informações suficientes sobre a possibilidade de transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado da infecção. Enquanto novas conclusões vão surgindo, é aconselhável manter as medidas preventivas ativas por até duas semanas após o desaparecimento dos sintomas.

Não há evidências suficientes a respeito da possibilidade de transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado dessa doença. Cientistas chineses chegaram a essa conclusão depois de analisar vários casos de pessoas que sobreviveram à infecção. Além disso, uma pesquisa indica que vestígios do vírus permanecem nas fezes por um período de tempo considerável.

O que se sabe até agora é que a eliminação total do vírus ocorre em períodos de tempo variáveis, dependendo de cada caso. Em alguns pacientes, em apenas 2 dias após a superação da doença já não foram encontrados vestígios do coronavírus. Por outro lado, em outros pacientes, o vírus permaneceu até oito dias após a alta.

Seja qual for a sua duração, a verdade é que não se sabe se é possível transmitir a COVID-19 depois de ter se recuperado. Portanto, é necessário manter as precauções recomendadas, mesmo quando as pessoas não apresentam mais sintomas da doença.

É possível transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado?

Um estudo realizado por cientistas chineses, publicado na revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, afirma que não se sabe se é possível transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado. O estudo se baseou em apenas 16 pacientes e, portanto, os dados devem ser considerados provisórios.

Os 16 pacientes da amostra foram tratados em um hospital de Pequim e receberam alta entre 28 de janeiro e 9 de fevereiro de 2020. Todos, exceto um deles, tiveram um período de incubação do vírus de cinco dias. Em média, eles manifestaram sintomas durante um período de oito dias.

Foi constatado nessas pessoas que o coronavírus levou um tempo médio de um a oito dias para ser completamente eliminado do organismo. Os cientistas não sabem se durante esse período ainda existe a possibilidade de infectar outras pessoas, mas basta essa dúvida para incentivar a tomada de precauções.

O doutor Lokesh Sharma, da Faculdade de Medicina de Yale e coautor do estudo, observou que é provável que os casos mais graves de infecção também precisem de mais tempo para realizar a eliminação total do vírus.

Teste positivo para o coronavírus
O coronavírus tem um período de incubação, depois um de doença propriamente dita, e por fim a recuperação.

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A persistência no intestino

Outro estudo publicado no The Lancet também alerta para a possibilidade de que o COVID-19 possa ser transmitido após a recuperação dos pacientes. O estudo observa que o vírus continua a se replicar ativamente no intestino, mesmo quando o paciente não apresenta mais sintomas.

Além disso, acrescenta que vestígios do vírus foram encontrados nas fezes por até cinco semanas após a remissão dos sintomas. Os pacientes que apresentaram essa condição tiveram resultado negativo para coronavírus em testes baseados em amostras colhidas no nariz ou na garganta.

Sobre esse aspecto, o estudo observa:

Considerando a evidência de excreção fecal, tanto para SARS-CoV quanto para MERS-CoV, e sua capacidade de permanecer viável em condições que poderiam facilitar a transmissão fecal-oral, é possível que o SARS-CoV-2 também possa ser transmitido por essa via.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, indicou que não há evidências de que esse tipo de contágio exista. Em um de seus comunicados, declarou:

Até o momento, apenas um estudo cultivou o vírus a partir de uma única amostra de fezes, sem que tenham sido recebidos relatos de transmissão fecal-oral do COVID-19.

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As precauções a tomar

Homem de máscara na quarentena
As recomendações gerais indicam a continuação da quarentena por mais 14 dias após a alta.

Não há certeza absoluta de que é possível transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado. No entanto, diante da dúvida, o ideal é ter o máximo de cuidado. É aconselhável que os pacientes recentemente recuperados sejam tratados com o mesmo cuidado que aqueles que ainda estão com a doença ativa.

Os especialistas recomendam que aqueles que sobreviveram à doença fiquem em quarentena por pelo menos mais 14 dias depois de não apresentarem mais sintomas. Algumas pessoas consideraram esse período excessivo, mas dados os riscos, é melhor pecar por excesso do que por omissão.

Diante do problema da transmissão por fezes, os especialistas recomendam tomar precauções rigorosas ao manipular as fezes dos pacientes infectados. Se eles estiverem em casa, é apropriado que tenham um banheiro de uso exclusivo.

Além disso, as águas residuais dos hospitais devem ser desinfetadas. Da mesma forma, e como deveria ser sempre, é melhor manter a máxima higiene no uso dos banheiros. Se alguém precisar usar um banheiro público e não tiver outra alternativa, é aconselhável borrifar água e cloro no vaso sanitário.

Evite transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado

A sociedade como um todo apela para a responsabilidade dos pacientes que recebem alta após a infecção por coronavírus. Nesse sentido, evitar transmitir a COVID-19 depois de ter se recuperado deve fazer parte dos deveres do paciente para com a família, os amigos, a vizinhança e o país onde se encontra.

  • Chang, De, et al. “Time Kinetics of Viral Clearance and Resolution of Symptoms in Novel Coronavirus Infection.” American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine ja (2020).
  • Regino, William Otero, et al. “Procedimientos endoscópicos y pandemia COVID19. Consideraciones básicas.” Revista Colombiana de Gastroenterología 35.1 (2020): 65-75.
  • Rampelli, Simone, et al. “Retrospective Search for SARS-CoV-2 in Human Faecal Metagenomes.” Available at SSRN 3557962 (2020).