O que é a síndrome do pôr do sol?

12 Agosto, 2020
A síndrome do pôr do sol, ou síndrome vespertina, é um distúrbio que afeta quase 20% das pessoas com Alzheimer.

A síndrome do pôr do sol consiste em uma sensação de agitação e desorientação que ocorre no final da tarde. Essa sensação continua à noite e pode provocar ansiedade e irritação naqueles que a sofrem. Esse problema afeta quase 20% das pessoas com Alzheimer.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência; consiste em uma diminuição das habilidades cognitivas da pessoa. Ou seja, o Alzheimer causa alterações na memória, no pensamento, no comportamento e em muitas outras funções cognitivas.

É um distúrbio progressivo que acaba incapacitando as pessoas e afeta quase 10% dos idosos acima de 65 anos.

A síndrome do pôr do sol pode melhorar se o paciente for exposto à luz natural durante as primeiras horas da manhã.

Devido à sua incidência e importância, neste artigo explicamos em que consiste a síndrome do pôr do sol e como tratá-la.

Em que consiste a síndrome do pôr do sol?

A síndrome do pôr do sol afeta a pessoas com Alzheimer

Como mencionamos, a síndrome do pôr do sol é um período de desorientação que aparece durante a tarde e pode durar até a noite. Afeta pessoas que sofrem de Alzheimer, e geralmente surge naqueles que passam pelo estágio intermediário desta doença.

Não se sabe exatamente por que isso ocorre. Alguns estudos indicam que sua causa é uma alteração do ritmo circadiano. O ritmo circadiano se refere ao “relógio interno” que nos permite controlar os ciclos de descanso e de vigília.

Esse ritmo é controlado por uma área do cérebro chamada núcleo supraquiasmático. Seu funcionamento é baseado em uma substância chamada melatonina. Acredita-se que a síndrome do pôr do sol se deva ao fato de que essa área fica alterada na doença de Alzheimer.

Como esta área é danificada, a quantidade de melatonina é modificada e todo o relógio biológico é alterado. Portanto, ocorre essa confusão e desorientação.

No entanto, o quadro também está associado a outros fatores. Por exemplo, acredita-se que cansaço, fome e sede desempenhem um papel importante. Da mesma forma, a luz mais fraca, as dores e o desconforto também estão associados à síndrome do pôr do sol.

Não deixe de ler: Dormir mal aumenta o risco da doença de Alzheimer?

Quais são os sintomas da síndrome do pôr do sol?

Na verdade, a síndrome do pôr do sol não é uma doença. É um conjunto de sintomas que ocorrem durante o entardecer. Além disso, é conveniente saber que também pode ocorrer em outras demências, não apenas na doença de Alzheimer.

A síndrome do pôr do sol causa, principalmente, desorientação e ansiedade. No entanto, também pode causar agressividade ou fazer com que a pessoa que a padece fique vagando de um lado para o outro.

As pessoas que sofrem com esta síndrome podem tentar rasgar a roupa ou jogar objetos. Além disso, podem inclusive tentar se machucar e gritar. Alguns sentem muito sono durante o dia e são mais ativos à noite.

Idoso com Alzheimer

Leia também: Começo do Alzheimer: você pode parar o processo?

Dicas para lidar com a síndrome do pôr do sol

Não existem medidas específicas a tomar para evitar a síndrome do pôr do sol, mas há uma série de comportamentos que podem ajudar a reduzir ou evitar os sintomas da doença de Alzheimer. O ideal é sempre procurar um médico que possa nos orientar. Além disso, pode ser útil seguir as seguintes dicas:

  • Tente expor a pessoa que sofre com essa síndrome à luz natural no início da manhã. Isso faz com que o ritmo circadiano seja regulado. Se não for possível, isso pode ser feito com luz artificial.
  • O ideal é evitar que o paciente durma durante o dia. Para fazer isso, planeje atividades simples ou exercícios fáceis; dessa forma, será possível que descanse melhor à noite.
  • O cuidado com a alimentação também é importante. A redução do consumo de doces e de cafeína facilitará o descanso. Os jantares devem ser leves, pois a digestão pesada sempre influencia o sono.
  • Na hora de dormir, a atmosfera deve ser o mais relaxada possível. Pessoas com Alzheimer não devem ser submetidas a restrições físicas, pois causam medo e ainda mais agitação.
  • Tente criar rotinas e horários estáveis ​​para refeições e atividades.

É claro que é preciso transmitir toda a tranquilidade e confiança possíveis para a pessoa que sofre da síndrome do pôr do sol. Além disso, é necessário fazer com que a pessoa sempre tenha objetos familiares próximos. Devem ser evitadas as mudanças de residência e até do cômodo ao qual ela está acostumada.

Conclusão

Se alguém próximo a você sofre de Alzheimer e você acha que ele ou ela pode estar tendo uma síndrome vespertina, o ideal é procurar um médico.

Embora seja difícil, tente manter a calma e transmitir o máximo de serenidade possível. Tente estabelecer rotinas diárias para refeições e atividades e, acima de tudo, controlar as horas de sono.

  • Qué es el síndrome vespertino – Montesalud Centro de Mayores en las rozas. (n.d.). Retrieved August 6, 2019, from http://www.montesalud.com/blog/que-es-el-sindrome-vespertino/
  • National Institute on Aging, T. (n.d.). Caring for a Person with Alzheimer’s Disease Your Easy-to-Use Guide from the National Institute on Aging. Retrieved from https://order.nia.nih.gov/sites/default/files/2017-07/Caring_for_person_with_AD_508_0.pdf
  • Síndrome vespertina. (n.d.). Retrieved from https://www.alz.org/espanol/downloads/sp_topicsheet_sundowning.pdf
  • Empeoramiento vespertino | Español | Alzheimer’s Association. (n.d.). Retrieved August 6, 2019, from https://www.alz.org/ayuda-y-apoyo/cuidado/comportamientos/problemas-de-sueno-y-sindrome-vespertino