A simplicidade faz de uma pessoa comum um ser especial

· 24 de outubro de 2016
Não devemos nos esquecer de que, em algumas ocasiões, menos é mais, e devemos aprender a priorizar. A simplicidade de pensamento não implica insignificância, e sim humildade e objetividade.

A simplicidade é a linguagem que nasce do coração e que não entende nem busca artifícios. É a vontade de respeitar os demais como a si mesmo, levando uma vida na qual se aceita e celebra tudo aquilo que se possui, por menor que seja.

Poderíamos dizer que em nosso dia a dia não estamos acostumados a estes atos carregados de simplicidade e humildade. As pessoas têm aspirações muito altas, sonhos elevados e costumes muito afastados talvez destes atos mais puros e elementares que definem a humildade.

No entanto, é comum que muitos de nós cheguemos pouco a pouco a um ponto no qual, de repente, nossa visão de vida muda.

Desejamos tirar muitas de nossas “peles” para voltarmos a nossas essências, nossa gente, nossas origens. Começamos a praticar a simplicidade de coração e nos sentimos felizes com isso.

Convidamos a todos a refletir sobre isso hoje, em nosso espaço.

A simplicidade, essa dimensão tão difícil de assumir

A simplicidade não tem nada a ver com ser uma boa ou má pessoa. Todos sabemos muito bem o que é a nobreza e a importância de agir com respeito, com dignidade e praticando a reciprocidade.

No entanto, a simplicidade é uma dimensão um pouco mais complexa, que implica por sua vez diversos aspectos psicológicos que vale a pena levar em conta.

a simplicidade

A simplicidade de pensamento

  • A simplicidade de pensamento não é insignificância de raciocínio. Pelo contrário: é a aptidão para ver as coisas assim como elas são, com plena objetividade.
  • Há pessoas que veem a realidade e os comportamentos alheios segundo suas crenças. Elas se atrevem a julgar e rotular. Por outro lado, pessoas com pensamento simples têm a capacidade de ver as coisas “assim como elas são”, aceitando-as mesmo que não gostem das mesmas.
  • Algo tão simples como ver com franqueza e objetividade as coisas nos permite agir com mais aprumo e acerto. Esta é uma virtude muito saudável que também deveríamos levar em conta.

O dom de não se sentir apegado a nada

É importante definir em primeiro lugar o que entendemos por apego. As crianças, por exemplo, precisam do apego de seus pais para se sentirem amadas, para se sentirem seguras.

Os casais também precisam do apego de seus companheiros. Mas falamos sempre de um apego saudável, e nunca de algo tóxico e controlador.

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Por sua parte, as pessoas simples têm a habilidade de não se sentirem apegadas ao físico, à necessidade de ter mais do que já existe ao seu redor, de não se apegar a ninguém até o ponto de tirar a sua liberdade, sua essência, sua identidade.

As pessoas simples “são como são” e, antes de tudo, “deixam ser”. Não desejam impor suas ideias, não julgam, não discriminam e não buscam controlar nada nem ninguém.

A união consigo mesmo para desfrutar do entorno e das pessoas

Conhecer a si mesmo, saber quais são os meios que nos definem, quais são nossas virtudes e onde estão os nossos limites são os caminhos mais poderosos para a autoaceitação.

  • Acreditemos ou não, este é um conceito ao qual nem todo mundo costuma chegar. A autoaceitação é o primeiro degrau para exercer relações positivas e enriquecedoras com os outros.
  • Quem aceita a si mesmo aceita aos demais, e isso faz com que não espere que o resto preencha seus vazios, eleve sua autoestima ou traga alegrias quando os medos surgirem e assustarem.
  • As pessoas humildes não esperam nada de ninguém; esperam tudo de si mesmas. É assim que podem oferecer o melhor aos demais, evitando as clássicas decepções que muitos de nós costumamos sofrer.
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O caminho rumo à simplicidade

Falávamos no início que é muito comum, em um dado momento ao longo do nosso ciclo de vida, darmos este passo rumo à humildade.

  • Fazemos isso porque nos sentimos sobrecarregados por este mundo marcado pela competição e por um ritmo acelerado que nos afasta das coisas mais importantes: o bem-estar, a calma, a serenidade, os amigos, a família, e, é claro, nós mesmos.
  • Algo tão essencial como lembrar que “menos é mais” pode nos ajudar a priorizar o que realmente pode nos fazer felizes.
  • Os atos simples são os que possuem a autenticidade de sentimento e pureza de coração: a carícia do ser amado, a risada de nossos filhos, uma conversa com os amigos, um passeio pela praia, fazer um favor em troca de nada…

Estamos certos de que, ao seu redor, você tem mais de uma pessoa de alma simples e excepcional que enriquece a sua vida. Não a perca, são luzes em meio à escuridão da modernidade, muitas vezes complexa demais, e nos servem de exemplo e inspiração.

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São faróis de riqueza emocional e humildade que iluminam os nossos caminhos. Vale a pena imitá-las.

  • Miller, D. (1993). The Architecture of Simplicity. Academy of Management Review. https://doi.org/10.5465/amr.1993.3997509