Qual é o verdadeiro segredo da atração? Uma nova pesquisa científica responde!

· 31 de agosto de 2016
Pode-se dizer que o segredo da atração está em nosso circuito neuronal. É ele que faz com que nossas leituras emocionais sejam ou não efetivas.

As características que tornam uma pessoa atrativa em relação às outras são objeto de curiosidade há centenas de anos. Afinal, o que está por trás da atração?

Está comprovado que elas podem variar dependendo do contexto, dos valores e do estilo de vida. Entretanto,há quem continue pensando que são as qualidades físicas que tiram a maior vantagem nessa situação.

As características físicas têm uma grande influência, entretanto, foi provado que não são o único pilar para conseguir atrair alguém.

Alguns assegurem que a atração pode estar ligada de forma direta à personalidade e às qualidades dos envolvidos.

Além disso, as pesquisas científicas demonstram que uma parte muito importante da atração reside no cérebro e na sua capacidade de compreender as emoções e intenções dos demais.

Esta foi a conclusão dos pesquisadores da Universidade de Lubeck (Alemanha) em um estudo recente publicado na revista PNASque mostrou que quanto mais formos capazes de decifrar os sentimentos de alguém, mais atraente este alguém será para nós.

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O verdadeiro segredo da atração está no cérebro

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Os mecanismos neuronais que se estimulam com a atração foram analisados. Após isso os autores do estudo descobriram algo interessante. Foi que a capacidade que uma pessoa tem de ler as emoções de outra pessoa desempenha um papel muito importante.

Silke Anders, professora de neurociência social e efetiva da Universidade de Lubeck e autora do estudo, disse:

Ser capaz de entender as intenções e emoções de outra pessoa é essencial para uma interação social bem-sucedida.

Para alcançar o sucesso comum deve-se entender e continuamente atualizar as informações sobre intenções e emoções de seus parceiros. Se antecipar ao comportamento dos outros e adaptar o seu próprio em consequência.

Para chegar a esta conclusão foi feito um experimento com 90 pessoas, que tiveram que ver vídeos de mulheres expressando medo ou tristeza.

Depois de ver essas cenas, os participantes tiveram que adivinhar como a mulher se sentia. E, além disso, que nível de confiança suas respostas tinham.

Enquanto os indivíduos cumpriam esta tarefa, os pesquisadores analisaram minuciosamente sua atividade cerebral para medir o nível de atração.

Os resultados foram analisados. Em suma, descobriu-se que quanto mais certeiras eram as análises sobre as emoções, mais atração sentiam pela mulher.

Isso poderia indicar que, quanto maior a facilidade de ler as emoções dos outros corretamente, mais atraente se torna.

Isso se deve ao fato de que a área de recompensa do cérebro se ativa, o que, por sua vez, nos causa uma sensação de prazer.

Funções dos cérebros

O que é interessante nessas descobertas é a função que os cérebros do remetente e do receptor desempenham.

Essa habilidade de compreender o outro, identificar exatamente o que sente, depende da atividade neuronal que ocorre com a atração.

Quando, por exemplo, uma pessoa mostra expressões faciais de medo ou tristeza… O receptor as processa de forma eficiente em seu cérebro, o sistema de recompensas dispara e a atração no remetente aumenta.

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Reunindo estudos anteriores encontrou-se que existe uma diferença dentro do circuito neuronal dos indivíduos, pois aqueles que carecem da habilidade de “leitura” das emoções são aqueles que têm problemas de comunicação e atração.

Por isso, alguns cientistas sugerem que quando a comunicação não funciona bem não significa que não há interesse. Mas, que seu vocabulário neuronal não é suficiente para chegar ao entendimento.

Anders reconhece que o estudo é pequeno e não permite fazer afirmações categóricas. Porém, ela assegura que deseja continuar analisando como a compreensão das emoções dos outros muda ao longo do tempo, e se existe a possibilidade de que a habilidade de leitura emocional aumente com a experiência entre indivíduos.

Além disso, seria importante comprovar se essa capacidade de compreender os demais  surge a partir de nossas mesmas qualidades ou se existem outros fatores que a influenciam.

Em suma, estas conclusões são muito promissoras. São uma nova explicação para a forma como ocorre a atração e por que alguns parecem ser mais atraentes do que outros.

Fonte: revista TIME.

  • Anders, S., de Jong, R., Beck, C., Haynes, J. D., & Ethofer, T. (2016). A neural link between affective understanding and interpersonal attraction. Proceedings of the National Academy of Sciences, 113(16), E2248-E2257.
  • Ethofer, T., Anders, S., Erb, M., Herbert, C., Wiethoff, S., Kissler, J., … & Wildgruber, D. (2006). Cerebral pathways in processing of affective prosody: a dynamic causal modeling study. Neuroimage, 30(2), 580-587.
  • Anders, S., Heinzle, J., Weiskopf, N., Ethofer, T., & Haynes, J. D. (2011). Flow of affective information between communicating brains. Neuroimage, 54(1), 439-446.