Rifampicina: dose e indicações

24 de abril de 2020
A rifampicina deve seu efeito antibiótico à sua capacidade de inibir a síntese de RNA a partir de células bacterianas. Para isso, ela inibe a ação da RNA polimerase, uma enzima dependente do DNA. Saiba mais sobre o assunto neste artigo!

A rifampicina é um medicamento antibiótico que representa a família das rifampicinas. É um composto semissintético utilizado como primeira escolha no tratamento da tuberculose.

No entanto, não deve ser utilizado na monoterapia, pois isso favoreceria o desenvolvimento da resistência por parte das bactérias. Portanto, ele é administrado com outros medicamentos que explicaremos mais adiante.

A rifampicina também tem outras indicações, como para o tratamento de pacientes sem sintomas da bactéria Neisseria meningitidis, como o tratamento profilático do Haemophilus influenzae tipo B e o tratamento da hanseníase, entre outras.

Um pouco da história do antibiótico rifampicina

Um pouco de história sobre a rifampicina

Este antibiótico foi lançado na década de 1960. Primeiro, foi obtido um metabólito da rifampicina, a rifampicina B. Nesta molécula, eles tentaram fazer uma série de modificações estruturais para aumentar a potência dos antibióticos, enquanto diminuíam a sua rápida eliminação pela bile. Finalmente, foi possível sintetizar a rifampicina.

Após a sua introdução no mercado, foi considerado um tratamento de primeira linha para a tuberculose. No entanto, a resistência dos patógenos contra a rifampicina surgiu. Esse fato causou a obrigação da administração de outros medicamentos juntamente com a rifampicina, como a isoniazida e o etambutol.

No entanto, a descoberta da rifampicina foi um avanço na área da medicina, sem dúvida. Saiba mais sobre este medicamento neste artigo.

Você também pode se interessar: Nível alto de monócitos no sangue: sintomas e tratamento

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença causada pela infecção de uma bactéria conhecida como Mycobacterium tuberculosis. Esse micro-organismo afeta, na maioria dos casos, os pulmões. Ele se espalha pelo ar, por exemplo, quando uma pessoa espirra ou tosse. Basta que outra pessoa respire as partículas expelidas para se infectar.

No entanto, é uma doença que pode ser evitada e, felizmente, hoje tem cura. Especificamente, desde o ano 2000, mais de 49 milhões de pacientes foram curados graças ao diagnóstico e aos tratamentos atuais.

Quanto aos sinais e sintomas desta doença, eles dependem da área onde as bactérias se multiplicam. Normalmente, como dissemos, afeta os pulmões, apresentando os seguintes sintomas:

  • Tosse intensa e duradoura.
  • Dor no peito.
  • Tosse acompanhada de sangue ou catarro espesso.
  • Febre e calafrios.
  • Perda de peso .
  • Diminuição da sensação de fome.

Como a rifampicina exerce seu efeito no corpo?

Como a rifampicina exerce seu efeito no corpo?

A rifampicina deve seu efeito antibiótico à sua capacidade de inibir a síntese de RNA a partir de células bacterianas. Para isso, inibe a ação do RNA polimerase, uma enzima dependente do DNA. A rifampicina não se liga às polimerases de células eucarióticas, como as de humanos; portanto, a síntese do RNA humano não é afetada.

Por outro lado, é um medicamento bacteriostático ou bactericida, dependendo da dose em que é administrado. Em doses mais baixas, será bacteriostático, ou seja, impede o desenvolvimento de células bacterianas e, em doses mais altas, terá ação bactericida, causando a morte da bactéria.

Em que dose a rifampicina é administrada?

A dose vai variar dependendo do paciente a ser tratado. Quanto às doses recomendadas em pacientes adultos que não estão infectados pelo HIV, é administrada por via oral e intravenosa, com uma dose máxima permitida de 600 mg por dia. Se o paciente tiver HIV, a dose será de 10 mg/kg, por via oral e intravenosa.

Quanto às crianças, a dose para quem é HIV negativo é reduzida para 10-20 mg/kg por dia, sendo a dose máxima de 600 mg, sempre combinada com outro agente antituberculoso. Se a criança tiver o vírus da imunodeficiência humana, a dose será a mesma.

É administrada uma vez ao dia por dois meses, juntamente com outro antituberculoso. Em seguida, a isoniazida e a rifampicina serão administradas na mesma dose uma vez ao dia ou 2 ou 3 vezes por semana nos 4 meses seguintes.

Leia também: Antibióticos para as infecções urinárias

Conclusão

A rifampicina é um antibiótico indicado na primeira linha de tratamento da tuberculose em combinação com outros agentes. A combinação se tornou necessária devido à resistência desenvolvida pelas bactérias.

Você pode se consultar com o seu médico ou farmacêutico e tirar qualquer dúvida que tenha sobre este medicamento. É preciso seguir sempre as instruções indicadas pelos profissionais. O uso indevido de medicamentos pode levar a sérios problemas de saúde.

  • Godel, A., & Marchou, B. (2007). Rifampicina. EMC – Tratado de Medicina. https://doi.org/10.1016/s1636-5410(07)70644-x
  • Souza, M. V. N. (2005). Rifampicina,um importante fármaco no combate à tuberculose. Revista Brasileira de Farmácia.
  • Sosa, M., Széliga, M. E., Fernández, A., & Bregni, C. (2005). Rifampicina y biodisponibilidad en productos combinados. Ars Pharmaceutica.