Quais são as diferenças entre a tristeza e a depressão

5 de novembro de 2016
Na depressão o indivíduo não encontra um motivo claro para seu estado de apatia, pois, por desconhecer o problema, acaba não podendo encontrar uma solução aparente

Muitas vezes, podemos confundir sentimentos tristes com estarmos deprimidos. Ainda que ambos sentimentos tenham características em comum, diferem em questões pontuais e que valem a pena serem conhecidas.

Quer saber quais são as diferenças entre a tristeza e a depressão? Então não perca esse artigo.

A tristeza está um patamar abaixo da depressão

Mulher deprimida

Se bem podemos usar a expressão “estou deprimido” quando tivemos um dia horrível no trabalho, ou quando acabamos encharcados por uma terrível tempestade, ou ainda, quando nosso time acabou perdendo a final do campeonato, temos que saber que esses acontecimentos só traduzem o sentimento de que estamos tristes ou angustiados.

Tudo isso porque a tristeza é a resposta natural a um evento infeliz, uma situação negativa, uma frustração… por isso é mais “normal” que nos sintamos tristes do que deprimidos.

Arrepender-se pelo fim de um relacionamento amoroso, um problema econômico ou a impossibilidade de cumprir um objetivo, é algo normal, já que não somos robôs nem máquinas. Entretanto, isso é bem diferente de sofrer uma patologia grave como a depressão.

Com o passar do tempo e ao encontrarmos uma solução para o problema, o sentimento de tristeza desaparece por completo. Acabamos percebendo que tudo não teve tanta importância e nada a ver com o que desencadeou a tristeza.

Inclusive quando um ente querido falece, ou quando nos mudamos para o outro lado do planeta, ou quando nos divorciamos, percebemos que atravessamos por uma etapa de dor, mas logo nos damos conta de que a vida segue.

Leia também:  5 sinais de depressão que você talvez esteja ignorando

Nesses casos não estamos falando de depressão, mas sim de uma desordem de humor normal. Sofremos porque temos sentimentos e porque essas situações deixaram buracos profundos em nosso interior.

Talvez, junto com a tristeza haja outros sintomas como a apatia, insônia ou dor de cabeça. Mas, tudo isso difere bastante da depressão.

Então, o que é a tristeza? Para que possamos entendê-la de maneira clara, precisamos saber que a tristeza é um estado emocional natural, uma reação que se relaciona com um episódio ou situação em particular.

Por exemplo, quando estamos decepcionados, quando a vida nos leva a situações muito dolorosas ou quando existem pessoas ao nosso redor que estão sofrendo.

O que é a depressão?

Moça sentada na cama e deprimida

Passemos agora a descrever as características da depressão: para começar, vamos falar de sua definição médica que diz que se trata de uma doença mental e um transtorno de estado de ânimo. Classifica-se de diferentes maneiras, segundo os sintomas que o paciente apresenta.

O tempo de cada episódio depressivo pode variar: de semanas a anos. Aqueles que estão atravessando esses episódios precisam de ajuda profissional.

A consulta psiquiátrica ou psicológica é indispensável para que a pessoa possa voltar a desfrutar de uma vida completa.

Para ser diagnosticada com depressão, uma pessoa deve apresentar pelo menos 5 desses sintomas (esta lista é só um guia e,em todos os casos, é preciso uma consulta com um terapeuta especializado):

  • Estar irritável a maior parte do tempo.
  • Sentir-se triste o dia todo e sem motivo aparente.
  • Perda ou redução do prazer e interesse nas atividades cotidianas (sobre tudo naquelas que eram consideradas interessantes no passado).
  • Mudanças de peso e de apetite.
  • Problemas para conciliar o sono e a necessidade de dormir muito.
  • Sensação de inquietação durante todo o dia.
  • Lentidão nos movimentos. Cansaço e baixa energia.
  • Incapacidade para tomar decisões. Sentimentos de culpa e inutilidade.
  • Pensamentos de morte ou suicídio.
  • Problemas para manter a atenção, concentrar-se ou ser criativo.

Ainda que esses sintomas também possam aparecer quando estamos tristes, a grande diferença é que quando estamos deprimidos não sabemos a razão por estarmos sentindo tudo isso, ou é difícil encontrá-la.

Com a tristeza, esses sinais se refletem por trás de uma situação pontual, conhecida.

Como diferenciar tristeza de depressão?

Menina deprimida

É muito importante termos claro as características de ambos sentimentos, ainda que pareçam similares ou, às vezes, não saibamos diferenciá-los.

  • Se pudermos estabelecer a causa dos sintomas, então estamos tristes. Com uma reflexão sobre o problema e ao encontrarmos uma solução, é possível que as emoções melhorem.
  • No caso da depressão, estamos diante de uma tristeza crônica e generalizada, Não existe um fator claro de origem desse sentimento (e muitas vezes nem sequer podemos encontrar a origem, ainda que com terapia)

Afeta-nos em todos os sentidos e têm repercussões nas relações que temos (casal, família, amizades, trabalho, etc.).

A depressão faz com que a vida se torne menos interessante, menos agradável e menos emocionante. É sinônimo de perder o sentido das coisas e de deterioramento da energia vital.

Ela elimina a motivação e o prazer por qualquer atividade, convertendo a pessoa em alguém frustrada, inconformista, impaciente e raivosa.

Visite este artigo: Coisas que você não deve dizer a quem sofre de depressão

Muitas pessoas se perguntam: como saber se estou deprimido?

Basicamente, para podermos começar a falar que uma pessoa sofre com essa doença, é preciso que tenha passado muito tempo desde os primeiros sintomas.

Com isso, queremos dizer que o indivíduo não percebe que está sofrendo de um transtorno emocional.

Existe um teste chamado Escala de Ansiedade e Depressão de Goldberg que os psicólogos usam para determinar o estado de seus pacientes. O diagnóstico é obtido a partir de uma série de perguntas.

Também em uma terapia pode-se optar por uma prova mais completa conhecida como Escala auto aplicada de Depressão de Zung, que abre um pouco mais o espectro e consulta temas mais profundos.

Não podemos rejeitar a depressão, uma doença que afeta 5% da população mundial (principalmente nas mulheres) e pode conduzir a tentativas de suicídio ou, ainda que em um grau menos grave, converter-se em um pesadelo para quem sofre dela e para as pessoas que estão ao seu redor.

 

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