OMS declara emergência sanitária global devido ao zika vírus

· 22 de março de 2016
O zika vírus é um risco especialmente para as mulheres grávidas, já que pode causar malformações no feto, como é o caso da microcefalia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o zika vírus como uma emergência de saúde pública mundial. Isso porque a infecção transmitida pelo mosquito Aedes aegypti tem sido relacionada com o aumento da taxa de nascimentos de bebês com doenças neurológicas.

A medida foi tomada por um comitê de especialistas independentes da agência das Nações unidas; que esperam que a mesma sirva para acelerar a adoção de medidas internacionais, assim como os respectivos trabalhos de pesquisa.

Após realizar uma reunião de urgência, o comitê encarregado da OMS assegurou que há uma relação “suspeita” entre o vírus transmitido pelo mosquito e o aumento dos casos de microcefalia nos bebês recém-nascidos.

Esta malformação neurológica conduz a uma malformação na cabeça e no cérebro, tornando-os, assim, anormalmente pequenos.

Chamado à população

Margaret Chan, a diretora geral da instituição, fez um chamado à população, advertindo que, ainda que o fato não esteja comprovado cientificamente, o zika constitui uma grande ameaça para a saúde global.

“Os casos de microcefalia e outros transtornos neurológicos, por sua gravidade e pela carga que supõem para a família, constituem uma ameaça por si sós, e por isso decidi aceitar a recomendação do comitê”.

Além disso, ela fez um chamado especial para as mulheres grávidas, pedindo que elas não viajem a países de risco.

Apesar das críticas que recebeu por demorar tanto tempo para tomar esta decisão, a OMS garante que foi um assunto difícil de tratar pois, por si só, o zika não é considerado uma doença grave, mas teme-se a sua estreita relação com a microcefalia e doenças como a síndrome de Guillain Barré.

Infelizmente, foi confirmado que o vírus está se propagando rapidamente. E, eventualmente, a previsão é que este ano o número de afetados chegue aos 4 milhões no continente americano.

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A prioridade: controlar o mosquito

Pessoa controlando o mosquito do zika vírus

A declaração de emergência global implica maior investimento em pesquisa, bem como nos métodos para controlar a epidemia.

Com respeito a isso, Chan afirmou que a prioridade agora é controlar o mosquito Aedes aegypty, responsável pela transmissão.

Uma vez mais ela fez um forte chamado aos países afetados para que aumentem as campanhas informativas e as medidas que ajudem a reduzir a presença do mosquito.

Por enquanto, a OMS não considera a doença como um motivo para restringir as viagens aos países afetados.

No entanto, é aconselhável preparar os serviços especializados em síndromes neurológicas e fortalecer o cuidado pré-nata. Tendo como objetivo reduzir os riscos para as mães que estão grávidas, assim como os recém-nascidos.

Brasil, o país com mais casos reportados

Até o momento, o Brasil segue sendo o país com o maior número de casos reportados; não apenas de infectados pelo vírus, mas também de bebês com microcefalia possivelmente associada à doença.

Um relatório recente revelou que há 270 casos confirmados e outros 3449 em investigação, em comparação com os 147 que foram registrados em 2014.

Estima-se que no país existam cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pelo vírus desde abril do ano passado, seguido pela Colômbia, que informou em um relatório 20 mil casos, entre os quais 2 mil correspondem a mulheres grávidas.

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O zika vírus se propagou em 24 países

Mosquito que transmite o zika vírus

A Organização Panamericana de Saúde (OPS) alertou para o número de 24 os países afetados, sendo 22 deles na América.

Até agora a única certeza é que o vírus é transmitido através da picada do mosquito Aedes aegypti. Embora também esteja sendo estudada a possibilidade de outras formas de contágio da doença, como por via sexual, por exemplo.

Não existe um tratamento para combater o vírus e, do mesmo modo, o desenvolvimento da vacina poderia demorar muito tempo.

Até hoje, países afetados mantêm a recomendação de evitar a gestação em um futuro próximo. Pelo menos até que o vínculo entre o zika e os problemas neurológicos do feto seja conhecido com mais certeza.

Além disso, continuam as recomendações para que a população mantenha distância de água parada, utilize repelentes constantemente e roupas que cubram a pele.