Vírus do Papiloma Humano

· 13 de dezembro de 2017
O vírus do papiloma humano (HPV) é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Este vírus pertence à família papillomaviridae e pode ser contraído em alguns momentos da vida sexual do indivíduo. O HPV, na grande maioria dos casos, é inofensivo e assintomático.

O HPV tem duas características principais; por um lado, só se multiplica no núcleo das células epiteliais e mucosas de epitélios estratificados, e por outro lado, pode ser potencialmente cancerígeno.

Antes de continuar é necessário realizar um par de esclarecimentos ao seu respeito:

1. O que são os epitélios estratificados? Tratam-se de epitélios formados por várias camadas (estratos) diferentes de células.

2. Isso quer dizer que o HPV sempre causa câncer? Não, nem todos os tipos de VPH causam câncer. Na verdade, a maioria das infecções pelo vírus é totalmente assintomática.

Quantos tipos de vírus de papiloma humano existem?

Células do vírus do Papiloma Humano

Existem mais de cem tipos de vírus de papiloma humano documentados até hoje. Por existir essa quantidade, foi realizada uma classificação em diferentes categorias. Dessa forma, os vírus são classificados principalmente em função do seu potencial de provocar o aparecimento do câncer e, evidentemente, de acordo com o grau de risco, seja alto ou baixo.

A quem afeta? Como é contraído?

O HPV é tão comum que, na verdade, a maior parte da população é infectada por este vírus em algum momento de sua vida. Por um lado, as verrugas nos pés e as verrugas que aparecem nos dedos e nas palmas das mãos são frequentes em crianças. Além disso, está associado a ambientes úmidos, como as piscinas, os vestuários, etc.

Por outro lado, as infecções genitais e orofaríngeas são contraídas principalmente por via sexual. Na verdade, o vírus do papiloma humano é considerado a infecção sexualmente transmissível mais frequente dos últimos tempos.

Vírus do papiloma humano e câncer

O vínculo entre o HPV e o câncer é mais do que conhecido. Especialmente por sua relação com o câncer de colo de útero. Como é possível que o vírus provoque o câncer?

O HPV possui proteínas capazes de alterar o ciclo mediante o qual as células se multiplicam, chamadas E6 e E7. Por um lado, a E7 se une à pRb (gene supressor de tumor) e o inibe, ativando o ciclo celular. Por outro lado, a E6 inativa à p53, impedindo a morte destas células.

Quadros clínicos do HPV

Desenho do Vírus do Papiloma Humano na área genital

Infecções cutâneas

A infecção do tecido cutâneo pelo vírus do papiloma humano (HPV) provoca a aparição de verrugas. A área do corpo em que aparecem depende do tipo de vírus do papiloma humano que infecta à pessoa.

Essas verrugas normalmente têm o aspecto de um balão rugoso que cresce “para fora”. Apresentam uma cor acinzentada ou branca escurecida, e muitas vezes pode ter pontos pretos no seu interior. Estes pontos negros são o vírus ativo.

Verruga vulgar

Aparece fundamentalmente nos dedos e nas palmas das mãos, embora também possa sair em cotovelos, joelhos, etc.

O contágio é feito por contato externo direto com a lesão. Por isso, é preciso ter atenção especial com as crianças que roem as unhas ou a pele ao redor. Não costumam ser dolorosas. Os responsáveis são o vírus do papiloma humano 2 e o 7.

Verruga plantar (“olhos de galinha”)

Verrugas podem ser sinal de Vírus do Papiloma Humano

Aparecem nas plantas dos pés. Este tipo de verruga está relacionada sobretudo às piscinas, duchas de vestuário, etc. Por estarem nas plantas dos pés, podem ser dolorosas (ao apoiar o peso do corpo). Os responsáveis são os vírus do papiloma humano: 1, 2, 4, 27 e 57.

Verrugas em mosaico

As verrugas em mosaico se caracterizam por ser um conjunto de verrugas mais superficiais e pouco dolorosas. Aparecem nas plantas dos pés pela infecção do vírus do papiloma humano 3.

Epidermodisplasia verruciforme

Trata-se de uma anomalia genética. O sistema imunológico da pessoa afetada não consegue combater nem controlar as infecções pelo vírus do papiloma.

O resultado é o aparecimento de lesões pigmentadas (máculas), com aspecto de bolha (pápulas) em abundância. Distribuem-se com maior frequência nas palmas das mãos e dos dedos. Está relacionada com o vírus do papiloma humano 5 e 8.

Infecções da mucosa não genital

Neste caso, o contágio é, na maioria dos casos, por via sexual. Na verdade, alguns autores consideram que a principal via de contágio é a sexual, mais precisamente, o sexo oral.

Papiloma oral ou faríngeo

O vírus do papiloma humano também é responsável pela aparição de lesões na mucosa oral e faríngea. São lesões rugosas, com aspecto de bolha e uma cor escurecida.

Existem determinados tipos de vírus chamados de “alto risco”, que são os que podem provocar a aparição de um câncer. Este aparece fundamentalmente na parte de trás da língua, nas amígdalas ou no começo da garganta.

Infecções da mucosa genital

Dor no ventre pode ser causado pelo Vírus do Papiloma Humano

Em alguns casos, a infecção pode provocar o aparecimento de verrugas genitais. Estão relacionadas aos tipos 6 e 11. Trata-se de lesões incômodas, mas indolores e sem risco de câncer.

O principal problema está nos tipos de alto risco: o 16 e o 18, fundamentalmente. Embora estes dois sejam o que mais frequentemente se associam ao câncer, há até uma dezena de outros. O mais conhecido é o câncer do colo do útero, pode aparecer também na vagina, vulva e pênis.

Diagnóstico

  • Teste de Papanicolau. É indicado para diagnóstico do câncer do colo do útero. Trata-se de uma citologia vaginal que permite detectar as células pré-cancerosas depois de analisar a mostra em laboratório.
  • Teste do vírus do papiloma humano. Baseia-se em técnicas da biologia molecular para poder detectar o DNA do vírus. Este exame é indicado para determinar se uma pessoa está ou não infectada por um tipo de alto risco.

Prevenção

Vacina contra o Vírus do Papiloma Humano

  • Vacinação. Atualmente, a campanha de vacinação está focada para meninas entre 12 e 13 anos. A vacina protege contra os principais tipos de maior risco do vírus.
  • Métodos contraceptivos.

Tratamento

Não existe tratamento específico para o vírus do papiloma humano. Em 90% dos casos o sistema imunológico elimina qualquer resto de vírus em um prazo de dois anos.

Para as verrugas o melhor tratamento é a crioterapia. Ela consiste em aplicar nitrogênio líquido sobre as lesões. Uma vez realizada a crioterapia, recomenda-se a aplicação de patches ou gotas de ácido salicílico sobre as lesões até que desapareçam por completo.

Aqui você pode encontrar mais informações sobre a relação entre a infecção pelo vírus do papiloma humano e o câncer orofaríngeo.