Micra: o menor marca-passo do mundo, implantado sem cirurgia

· 21 de junho de 2017
Chama-se

Os marca-passos, até pouco tempo atrás, eram implantados por meio de uma cirurgia delicada com o coração aberto. Com o tempo, o tamanho destes maquinários foi reduzindo, tudo com a finalidade de controlar e regular o ritmo cardíaco do paciente.

Foi no final de 2013 que a empresa “Medtronic” mostrou ao mundo algo novo. Algo sofisticado, uma revolução para o campo da medicina.

Era o Micra, o menor marca-passo do mundo que, além disso, podia ser implantado sem necessidade de uma intervenção cirúrgica.

Algo maravilhoso que desejamos compartilhar contigo.

Micra, batendo com a vida

Ainda que este dispositivo tenha sido apresentado em 2013, como já sabemos, os tempos de aprovação, comercialização e distribuição de qualquer técnica ou novo fármaco são lentos.

Leia também: Síndrome do coração partido: 3 aspectos que você deve levar em consideração

  • Micra recebeu a marca de conformidade “CE” em 2015. Deste modo, e faz só alguns meses, foi quando começou sua comercialização e distribuição dentro de todo o território da União Europeia.
  • Depois de rigorosos testes foi demonstrada sua grande eficácia e confiança frente aos marca-passos tradicionais. Foi algo revolucionário que, desde então, só traz esperanças e bons resultados.
  • Por sua vez, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o Micra em meados deste mesmo ano, 2016.

As implantações realizadas até o momento também são muito positivas e, segundo nos indicam, este marca-passo fica coberto pela maioria dos seguros médicos.

Coração com marcapasso

Características do menor marca-passo do mundo

O marca-passo “Micra” tem medidas de 24 mm. É similar a uma moeda de um euro. Entre os anos 2014 e 2015 passou por todas as provas experimentais em um exame global onde foi confirmado, efetivamente, seu sistema tecnológico inovador.

As características deste marca-passo são as seguintes:

  • É uma cápsula, sem cabos e sem bateria subcutânea.
  • Para implantá-lo não é preciso passar por cirurgia.
  • É instalado no coração do paciente por meio de uma tecnologia transcatéter. É aplicado através de uma injeção na veia da virilha do paciente para que, deste modo, o dispositivo se aloje no ventrículo direito.
Marcapasso Micra

  • Ainda, este novo marca-passo permanece enganchado no próprio coração por meio de pequenos dentes ou pequenas pontas. Não precisa de cabos.
  • Depois disso, começa a emitir impulsos eletrônicos para manter o coração batendo, ajustando-se à própria atividade do paciente.
  • Não precisa-se aplicar nada debaixo da pele. Ou seja, ninguém notará que o paciente está de marca-passo, porque não é visível. Esta cápsula fica firmemente “instalada” no próprio coração.
  • Não precisa de mais nada, sem cortes, sem feridas para suturar, sem passar vários dias hospitalizado.

Uma grande mudança na era das cardiopatias

Esta nova tecnologia não é apenas um avanço à nível clínico. Não podemos nos esquecer do impacto psicológico que supõe para os pacientes que precisam passar por cirurgia para implantar marca-passos.

  • Este dispositivo é aplicado de forma simples e não deixa nenhuma cicatriz. E mais, se em algum momento ocorrer algum problema, pode ser “recolocado” de forma muito simples.
  • Porém, como dizem os especialistaso Micra permite uma fixação completamente estável. O mais importante de tudo isso é que, diferente dos marca-passos tradicionais, não danifica o tecido cardíaco em nenhum momento.
  • Então, estamos diante de um avanço para tratar os transtornos cardíacos, onde médicos e doentes dispõem de uma ferramenta mais simples e igualmente segura.

Marcapasso Micra no coração

Aspectos negativos para considerar

O marca-passo Micra é uma revolução neste momento do mundo clínico e das cardiopatias. E apesar disso, os médicos indicam que é só o começo.

Leia também: 8 hábitos cotidianos que podem causar problemas cardíacos

Espera-se que, em alguns anos, este sistema vá avançando para dar uma resposta melhor em todos os casos. Ainda, também há esperanças de que, pouco a pouco, a durabilidade deste mecanismo seja maior.

No momento o Micra apresenta as seguintes limitações:

  • Tem uma durabilidade de 10 anos. Depois desse tempo o dispositivo deve ser trocado.
  • Outro detalhe que devemos considerar é que este marca-passo não pode ser implantado em pessoas muito obesas. Existem graves limitações que podem não dar o resultado esperado. Precisa de mais avanços.
  • Ainda, outro detalhe que não podemos esquecer é que o Micra não pode ser aplicado em pacientes que já tenham marca-passos tradicionais.

Estas pessoas não poderiam se beneficiar desta tecnologia e teriam que continuar com os mecanismos dos quais já dispõem para controlar seu ritmo cardíaco (e que, obviamente, são igualmente eficazes).

Esperamos que em alguns anos a ciência continue avançando para dar uma resposta simples e eficaz para problemas tão graves como as cardiopatias.