Mamografias: os riscos superam os benefícios?

· 12 de fevereiro de 2016
Há várias décadas que os meios de comunicação e as mesmas entidades de saúde vêm destacando a importância que as mamografias têm na prevenção do câncer de mama.

Embora este exame tenha servido para detectar muitos dos casos da doença, também originou, em algumas mulheres, certos efeitos negativos que hoje seguem sendo pesquisados e que foram questionados mediante provas científicas.

O tema da mamografia foi debatido durante muitos anos e segue gerando polêmica não só na comunidade médica, mas também nos meios de comunicação e em todos os leitores que acessam a informação detalhada.

O fato é que, sendo conscientes da questão delicada que resulta o assunto, queremos compartilhá-lo porque sabemos que pode ser muito importante para todas as mulheres.

Os potenciais riscos da mamografia

Mamografia para o estudo das células

Por meio de diversas pesquisas científicas realizadas em vários países do mundo, foi demonstrado que poderia ser inútil e inclusive perigoso se submeter a testes de detecção precoce do câncer de mama.

Isso não quer dizer que o exame não ajude a detectar a doença. O grande problema é que as autoridades seguem fazendo centenas de campanhas para que as mulheres realizem o exame a favor do diagnóstico precoce, mas sem oferecer informações sobre os riscos que a realização periódica pode implicar.

Neste sentido, Cochrane Collaboration, um grupo formado por mais de 31 mil médicos e cientistas espalhados por 120 países, revelou em várias ocasiões os riscos em relação à mamografia.

Desta forma, foram reunidas importantes informações em um documento intitulado “Screening for breast cancer with mammography” (em português, “Mamografias de controle para detectar o câncer de mama”), na qual se expõem as verdades e riscos do popular exame.

O grande problema: a imprecisão

Mamografia para detectar alterações na mama

Por meio das mamografias pretende-se conseguir um diagnóstico oportuno, mediante o descobrimento de pequenos grupos de células cancerígenas nas mamas, que não podem se apalpados nem vistos ao olho nu.

O grande inconveniente que ocorre com estas técnicas de imagem e análise é que não permitem diferenciar as células cancerígenas perigosas que se transformarão em câncer de mama daquelas células que são inofensivas.

O certo é que todos temos, em certa medida, grupos de células cancerígenas no corpo que só se pode detectar com um exame tão minucioso como a mamografia.

O que ocorre é que na maioria dos casos estas células desaparecem de forma espontânea e nem sequer ficamos sabendo de sua existência.

No caso particular das mulheres, foi demonstrado que é normal, em um momento ou outro, desenvolver o que se conhece como carcinoma de mama in situ ou “pseudo câncer”, cuja eliminação deveria se dar de maneira natural, sem que cause a mínima dor ou perigo.

Este tipo de carcinoma cresce com tanta lentidão que nunca chega a se converter em um câncer perigoso e está longe de fazer metástase.

No entanto, se a doença for detectada por meio de uma mamografia, o mais seguro é que o médico pronuncie o que ninguém quer ouvir: “você tem câncer”.

Diagnóstico falso positivo

Imagem de uma mamografia

Estima-se que mais da metade dos cânceres diagnosticados através da mamografia são sobrediagnóstico ou falso positivos, ou seja, assinalados como perigosos quando ainda não haviam se manifestado no organismo dos pacientes e não haviam modificado a qualidade de vida.

O problema é que este exame não permite saber com precisão qual será o futuro do tumor, por isso o médico vai sugerir iniciar com o complexo tratamento para “deter” a enfermidade.

Uma vez que tenha sido feita a detecção precoce do diagnóstico positivo, o mais provável é que acabe na extirpação cirúrgica, seguida de radioterapia, quimioterapia, radiações e tudo o que faça falta para eliminá-lo, ainda que não seja necessário.

Por razões óbvias é aqui onde se acarretam as graves consequências, já que todo o processo de “cura” implica dezenas de efeitos secundários.

Quando se submeter a uma mamografia?

Medica olhando resultados de uma mamografia

Apesar dos potenciais riscos que existem a respeito deste tipo de exame médico, várias organizações como Breakthrough Breast CancerBreast Cancer Campaign y Breast Cancer Care, concordam que é mais conveniente que as mulheres continuem realizando a mamografia, em especial as que estão entre os 50 e os 74 anos de idade, que é quando há um maior risco de sofrer com a doença.

No entanto, sem estar de um lado dos dados revelados nos estudos, também é enfatizado que as mulheres devem ter “informação clara” sobre os danos, tendo a possibilidade de escolher se vão realizar o exame ou não.

Somado a isto, se desaconselha a realização periódica da mamografia antes das idades mencionadas, a exceção dos casos com fatores de riscos genéticos.

Muitos cientistas estão tratando de desenvolver um tipo de técnica que complemente este tipo de métodos de detecção, com o fim de melhorar os resultados e reduzir o número de mulheres submetidas a tratamentos desnecessários.

Enquanto isso, é essencial que as mulheres conheçam os riscos aos quais se submetem, sem deixar de estar consciente de que sua realização pode significar um diagnóstico oportuno. O que você pensa disso?

FONTES / REFERÊNCIAS: