Irmãos, o vínculo que nasce do coração

6 de fevereiro de 2019
Ainda que os pequenos briguem para ter a atenção dos pais, ao chegar à idade adulta os irmãos deixam de lado as diferenças, se apóiam e se cuidam mutuamente.

A relação entre os irmãos pode ser complicada em algumas situações, ter as suas diferenças e seus anos de ciúmes e disputas na infância; mas no final das contas, sempre renascem na vida adulta com a força de um vínculo que parte do mesmo coração.

De acordo com um estudo feito pelo Instituto de Investigação Social e da Personalidade da Universidade de Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, a ordem em que os irmãos nascem costuma ter uma grande importância.

Na infância, cada um de nós utiliza certas estratégias para conseguir a atenção de nossos pais. No entanto, quando chegamos à maturidade, os irmãos costumam deixar as diferenças do passado para cuidar uns dos outros.

É um vínculo especial que não escolhemos. É o sangue que nos une, e são as vivências do dia a dia que estabelecem uma união além do tempo, gênero e idade.

São eles também que moldaram muitos traços da nossa identidade. Assim, se posicionam como nosso apoio nos momentos mais difíceis.

Sendo assim, convidamos você a refletir sobre isso neste artigo.

Os irmãos e o peso da ordem do nascimento

Algo que sempre nos chama a atenção são os diversos estudos que existem no campo da psicologia focados em nos explicar o peso que os irmãos têm, de acordo com a sua ordem de nascimento.

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Irmãos mais velhos

Segundo o psicólogo evolutivo Frank J. Sulloway, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, e assim como explica seu livro “Rebeldes de Nascimento”, os irmãos mais velhos apresentam algumas características próprias; com as quais algumas pessoas costumam se identificar, como, por exemplo:

  • Costumam ser mais responsáveis e, além disso, aceitam melhor as mudanças a nível interno na família;
  • São os mais velhos que costumam enfrentar os próprios pais quando veem algo injusto;
  • Costuma-se dizer também que o irmão mais velho é quem mais recebe o peso dos valores paternos. Ao restante dos irmãos, eles chegam de uma forma mais indulgente e com um pouco menos de regras;
  • Isso faz com que, às vezes, o mais velho assuma com aceitação estes valores, ou, como falamos antes, se rebele diante deles.
Irmãs apoiadas umas nas outras representando o vínculo entre irmãos

O irmão do meio

Costuma-se dizer como uma brincadeira que o irmão do meio “está em terra de ninguém”. Eles buscam ter sua posição a nível familiar. Por isso, é comum que os irmãos do meio chamem a atenção com frequência. Não gostam da hierarquia e reagem contra aquilo que acreditam serem injustiças.

  • Buscam se destacar em algo. Serem mais brilhantes que os irmãos mais velhos ou mais espirituosos que os caçulas, por exemplo;
  • Os estudos dizem que os irmãos do meio sempre tentam estabelecer relações pessoais e afetivas onde “sejam atendidos” e onde exista, além disso, uma clara igualdade, longe de dominâncias ou de condutas de “superioridade”.

Como curiosidade, diremos que a cultura popular enfatiza que após um primogênito responsável, vem um irmão rebelde. No entanto, é importante dizer que este tipo de enunciado e de estudos não devem nunca definir a todos nós.

Existem, sem dúvida, muitas diferenças entre as famílias e as pessoas.

O irmão caçula

De acordo com o livro “Laços que marcam para sempre” de Jürg Frick, o irmão caçula pode se caracterizar por dois extremos muito singulares:

  • Pode se converter em uma criança independente e com uma personalidade forte, que busca sair do lar o quanto antes possível, ou podem ser meninos e meninas mais dependentes de seus irmãos mais velhos ou pais.

Poderíamos dizer que os irmãos caçulas ficam durante toda a vida com o rótulo de “o bebê da casa”.

Irmãos: uma relação ambivalente, mas poderosa

Deixemos agora de lado a questão da ordem do nascimento. Todos sabemos que na infância e na adolescência as crianças buscam a sua posição na família. Surgem pequenas invejas, épocas de enfrentamento e instantes de grande cumplicidade que, de alguma forma e, sem dúvida, nos marcam durante toda a vida.

  • Os irmãos nos ajudam a socializar. São o primeiro cenário social em que vamos entender o que é compartilhar, o que é lidar com emoções intensas como a raiva e a inveja, e a aprender a nos colocar no lugar do outro para desenvolver a empatia.
  • Há quem viva um vínculo ambivalente com seus irmãos. São muitas as pessoas que mantêm uma relação um pouco complexa. Nossa personalidade pode não se encaixar com as suas ideias, seus valores e suas paixões.

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Imagem de irmãs com os cabelos entrelaçados ilustrando o vínculo entre irmãos

No entanto, mesmo nestes casos, o laço costuma ser muito mais poderoso do que as diferenças.

É essa união de sangue e de vivências desfrutadas no passado a que faz com que existam sempre encontros, reuniões e situações onde renasce a amizade da infância, onde continua brilhando o carinho nascido quando pequenos e mantido na maturidade.

Isso porque nossos irmãos são um ponto de união e equilíbrio que sempre nos acompanhará. Todos temos nossas nuances, nossas loucuras e responsabilidades.

Compartilhamos uns com os outros traços e até rimos da mesma maneira, e embora possamos ter escolhido caminhos diferentes, uma mesma trilha sempre nos une: a do amor.

  • Cardella, B. H. P. (1994). O amor na relação terapêutica. Summus Editorial.
  • Barcellos, G. (2017). O irmão: psicologia do arquétipo fraterno. Editora Vozes Limitada.