O que é o holter? Para que serve?

21 Outubro, 2020
O holter é um eletrocardiograma portátil usado para medir a frequência cardíaca ao longo de um dia inteiro. Neste artigo, você saberá para que é utilizado e o que você deve saber se for fazer esse exame.

Fazer um eletrocardiograma de forma ambulatorial, ou seja, com o paciente realizando suas atividades diárias, não é algo totalmente novo. A ideia do holter foi introduzida em 1961 por Norman J. Holter.

Devido ao seu inventor, o registro da atividade cardíaca por pelo menos vinte e quatro horas é chamado de holter. Este registro é feito através de um pequeno dispositivo que a pessoa anexa ao seu corpo pelo tempo estipulado.

Para que serve o holter?

O holter permite registrar a atividade do coração em tempo real e durante as atividades da vida diária. Aí reside a sua importância e o potencial que ela tem para o diagnóstico realizado pelos cardiologistas.

Em geral, o holter é solicitado pelo especialista quando um eletrocardiograma convencional é realizado no consultório. Se houver dúvidas ou se houver suspeita de uma patologia que só possa ser inferida por meio de um registro de longo prazo, esse teste será agendado.

O registro da atividade cardíaca de longo prazo pode ser feito de três maneiras: contínua, intermitente e analítica:

  • Contínuo: Com um sistema semelhante ao usado pelo eletrocardiograma do consultório, registra o batimento cardíaco em uma fita analógica.
  • Intermitente: As vinte e quatro horas completas do holter não são registradas, mas sim períodos pré-estabelecidos.
  • Analítico: É em tempo real e realiza um eletrocardiograma constante para cada batida que ocorre durante a duração do estudo. As informações são digitalizadas em memórias de estado sólido.
Eletrocardiograma Holter
O holter pode ser solicitado após a realização de um eletrocardiograma. É uma ferramenta com muito potencial para diagnosticar alterações cardíacas.

Como esse exame é realizado?

O exame não representa nenhuma dor para o paciente. Basicamente, consiste em conectar eletrodos no peito do paciente na forma de adesivos que grudam na pele. Eles não são invasivos e não penetram no corpo.

Esses adesivos são conectados por cabos ao dispositivo que irá gravar e salvar as informações. É um pequeno dispositivo que pode caber no bolso ou ser acoplado ao braço, por exemplo, com uma faixa destinada a esse fim.

A ideia fundamental é que o paciente realize todas as suas atividades diárias de maneira normal, para entender o que acontece no seu coração enquanto a rotina diária passa. O holter não deve ser removido ou desconectado do seu corpo durante o tempo definido para o estudo.

Juntamente com a operação do dispositivo, o paciente deve registrar suas atividades diárias com o cronograma de realização. Isso permitirá que o médico relacione os eventos registrados no holter com o que o paciente está fazendo naquele momento preciso.

Também é importante registrar os sintomas que podem aparecer durante o exame. Se você sofreu algum tipo de dor, falta de ar ou palpitações, é essencial que o cronograma seja anotado.

Após o término do período de registro, o paciente retorna ao cardiologista para remover o dispositivo e fazer o download das informações. O registro holter e as atividades do paciente são comparados para chegar a um diagnóstico.

Você pode se interessar: 7 passos para interpretar um eletrocardiograma

Indicações do holter

Quando feita a pergunta lógica sobre se todas as pessoas com histórico de problemas cardíacos devem ter um holter, a resposta é não. Há indicações precisas de quem se beneficia desse exame.

Pessoas com arritmias, em geral, precisam dele. A arritmia é um ritmo irregular dos batimentos cardíacos. Aqueles que desmaiaram sem motivo aparente também podem se beneficiar do holter.

Às vezes, o cardiologista solicita um holter após fazer um eletrocardiograma no consultório. Este primeiro estudo básico pode não ter sido conclusivo, ou pode haver uma suspeita de uma condição que não foi detectada no curto período de ECG no consultório.

Existem doenças cardíacas que aumentam o risco de arritmias em um futuro próximo, como um aumento no tamanho do coração. Essa condição, chamada de hipertrofia cardíaca, é estudada regularmente com um holter.

Exames cardíacos
Nem todos os pacientes com doenças cardíacas precisam de um holter. Ele costuma ser sugerido em casos de arritmias.

Leia também: 5 hábitos que ajudam a prevenir um ataque cardíaco

Cuidados durante o procedimento

O uso do holter não provoca grandes efeitos adversos. Alguma irritação pode ser registrada apenas nas áreas da pele onde os eletrodos são colocados. Depois que os adesivos são removidos, a irritação desaparece após um curto período de tempo.

Enquanto o dispositivo está em operação, há uma série de cuidados que o paciente deve tomar. Eles são mínimos, mas a conformidade com eles evitará erros de registro ou possíveis complicações.

Embora o dispositivo deva ser usado em todas as atividades da vida diária, a pessoa não deve tomar banho com ele. Por outro lado, é importante ficar longe de fontes de magnetismo e alta tensão, para não alterar o resultado. Isso inclui micro-ondas, escovas de dentes elétricas e detectores de metal.

Se você precisar usar o holter, isso não deve ser motivo de preocupaçãoOs cuidados a serem tomados serão relatados pelo cardiologista, e a falta de efeitos adversos significativos é mais um motivo para não temer este exame.

  • DiMarco, John P., and John T. Philbrick. “Use of ambulatory electrocardiographic (Holter) monitoring.” Annals of internal medicine 113.1 (1990): 53-68.
  • Gámiz, José Luis Palma, and J. L. Palma. Electrocardiografía de Holter: bases prácticas y aplicaciones clínicas. CAPITEL EDITORES, 1983.
  • Bleifer, Selvyn B., et al. “Diagnosis of occult arrhythmias by Holter electrocardiography.” Progress in cardiovascular diseases 16.6 (1974): 569-599.
  • Fernández, Mercè Fontanals. “Nuevos dispositivos de estimulación cardiaca y electrofisiología: Marcapasos sin cables, desfibrilador automático implantable subcutáneo y holter subcutáneo inyectable.” Enfermería en cardiología: revista científica e informativa de la Asociación Española de Enfermería en Cardiología 71 (2017): 47-52.