7 passos para interpretar um eletrocardiograma

· 20 de maio de 2019
Um eletrocardiograma é um estudo feito para detectar problemas cardíacos. Para interpretá-lo é necessário avaliar vários aspectos e contrastá-los com os dados clínicos disponíveis.

O eletrocardiograma é um dos estudos mais utilizados, principalmente nos serviços de emergência e medicina interna. Interpretá-lo corretamente é decisivo em muitas circunstâncias. Embora seja um teste comum, sua interpretação não é tão simples quanto parece à primeira vista.

De forma isolada o eletrocardiograma não é mais que uma figura linear. Simplesmente lança um caminho que o profissional encarregado deve interpretar. Para isso, uma série de etapas é seguida, como as descritas abaixo.

Aspectos para interpretar um eletrocardiograma

1. Verificar a idoneidade do eletrocardiograma

A primeira coisa a fazer é verificar se o eletrocardiograma foi realizado corretamente. O eletrocardiógrafo deve ter uma velocidade de 25 mm/s e uma amplitude de 1 mV por 10 mm. Se houver suspeita de erro, o exame deve ser repetido.

Caso tudo esteja em ordem, os dados e valores a serem interpretados nesta analise do coração são os seguintes:

2. Cálculo da frequência cardíaca do paciente

Cálculo da frequência cardíaca do paciente no eletrocardiograma  

A frequência cardíaca é o primeiro dado relevante que deve ser extraído de um eletrocardiograma. Por outro lado, existem eletrocardiógrafos que calculam de forma automática. Caso contrário, existem métodos manuais que permitem fazer isso. Entre eles, o método 300, o método 1500, e o método dos 6 segundos.

A frequência cardíaca é o número de vezes que o coração se contrai para bombear sangue para o resto do corpo. Isso permite estabelecer se há taquicardia ou bradicardia, aspectos que são fundamentais para identificar possíveis anomalias ou problemas.

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3. Avaliação da frequência cardíaca

A frequência cardíaca é a sequência de sístoles e diástoles na musculatura do coração. Se este órgão estiver saudável, terá contrações entre 70 e 75 vezes por minuto. Por exemplo: em um eletrocardiograma está representado nos complexos QRS.

Sem dúvida alguma, é um dos dados mais fáceis de observar. Permite determinar se a frequência cardíaca é regular ou irregular. Além disso, se é do tipo sinusal normal, ou representa uma taquicardia ou bradicardia sinusal.

4. Estabelecimento do eixo elétrico do coração

Estabelecimento do eixo elétrico do coração no eletrocardiograma

Certamente, é um dos passos mais difíceis na interpretação de um eletrocardiograma. O eixo elétrico cardíaco corresponde à direção que o estímulo elétrico segue, ao passar pelos ventrículos. Finalmente, os dados fornecem informações sobre possíveis defeitos de condução intraventricular.

5. Avaliação do segmento ST

O complexo QRS é a soma das descargas elétricas de todas as células dos ventrículos. Por outro lado, existe a onda T, que representa a repolarização ou recuperação elétrica dos ventrículos. A distância que existe entre o complexo QRS e a onda T é o que se chama de segmento ST.

Às vezes, o segmento ST apresenta elevação ou descida, mas se os valores não são significativos, a situação pode ser considerada normal. Por outro lado, se os valores excederem o intervalo mínimo, é muito provável que exista uma doença cardíaca isquêmica.

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6. Avaliação de ondas e intervalos

Avaliação de ondas e intervalos no eletrocardiograma  

É importante realizar uma análise de cada uma das ondas e intervalos que não foram avaliados. O intervalo PR e o intervalo QT tem particular importância. Quando o intervalo PR é curto significa que há uma condução atrioventricular acelerada. Quando é longo significa que a condução está lenta.

O intervalo QT representa o tempo de duração da sístole elétrica ventricular. Inclui o intervalo QRS, o segmento ST, e a onda T. Está estreitamente relacionado com a frequência cardíaca. Quando esta é rápida o intervalo diminui, e vice-versa.

7. Síntese esquemática

Em resumo, os passos a seguir para interpretar um eletrocardiograma de forma esquemática são:

  • Determinar a frequência cardíaca
  • Estabelecer ritmo cardíaco
  • Definição do eixo
  • Identificar o ritmo sinusal (presença de ondas Q antes de cada complexo QRS)
  • Examinar o intervalo PR
  • Avaliar o intervalo QT
  • Determinar os complexos QSR
  • Analisar o segmento ST
  • Avaliar as ondas T

Depois que todas essas etapas tiverem sido executadas, o que segue é nomear a anomalia detectada. A partir disso, pode-se estabelecer quais são as ações a serem seguidas, ou as decisões a serem tomadas.

 

  • Hamm, C. W., & Willems, S. (2010). El electrocardiograma: su interpretación práctica; 32 cuadros. Ed. Médica Panamericana.