Hipóxia cerebral: tipos e causas

21 Novembro, 2019
A  hipóxia cerebral ocorre quando o oxigênio que deve chegar ao cérebro é insuficiente. Por ser um órgão vital, a falta de oxigênio é extremamente perigosa. Neste artigo, mostramos quais são as causas mais frequentes.

Fala-se de hipóxia cerebral quando o fluxo de oxigênio para o cérebro é menor do que o normal. Um fluxo normal de oxigênio seria aquele que permitisse ao cérebro funcionar adequadamente, de acordo com os requisitos do corpo.

Devemos entender que o cérebro é um órgão cujas funções não podem cessar. Às vezes, algumas partes são ativadas, e outras vezes outras, mas o restante dos componentes do corpo humano depende do seu desempenho correto.

Devido ao seu funcionamento constante, o cérebro é um grande consumidor de oxigênio. Esse oxigênio passa pelas artérias, que distribuem o sangue do pescoço para cima. Se o sangue diminuir, o oxigênio também diminui.

O cérebro é muito afetado pela falta de oxigênio. As células que o compõem iniciam seu processo de morte, conhecido como infarto cerebral, quando passam apenas cinco minutos sem oxigênio. Isso demonstra a relevância que um episódio de hipóxia cerebral pode ter.

Causas da hipóxia cerebral

As causas por trás de uma hipóxia cerebral são variadas. Às vezes, apenas o oxigênio que chega à região do crânio diminui e, outras vezes, junto com o oxigênio, ocorre uma diminuição no fluxo sanguíneo, com tudo o que isso implica. Entre as principais causas podemos citar:

  • Altitude: estar em grandes altitudes acima do nível do mar produz a diminuição do oxigênio do qual dispõe o cérebro funcionar. É o “mal das alturas” e está associado à práticas esportivas como montanhismo e escalada.
  • Intoxicação por gás: O monóxido de carbono é o principal representante dessa causa.Quando ocorre uma intoxicação ou envenenamento por esse gás, o oxigênio perde seu lugar no sangue, e é substituído pelo monóxido de carbono.
  • Doenças neurológicas do bulbo espinhal: algumas patologias, como a esclerose lateral amiotrófica, por exemplo, atacam o centro respiratório do cérebro, paralisando os músculos respiratórios. Quando a mecânica respiratória falha, menos oxigênio entra e ocorre um mecanismo de asfixia.
  • A asfixia: tanto a que ocorre intencionalmente, como com motivos criminais, são a causa da hipóxia cerebral. Apertar o pescoço, afogar-se com líquidos, ou inalar fumaça de um incêndio são algumas da várias formas que a asfixia assume.
  • Hipotensão arterial: quando a pressão arterial cai muito, torna-se insuficiente para irrigar todos os tecidos, especialmente os mais distantes do coração. Entre os tecidos mais afetados está o cérebro.
  • Problemas cardíacos: qualquer doença do coração que limite sua capacidade de bombeamento adequada  pode levar à hipóxia cerebral. Pode ser um evento agudo, como um infarto do miocárdio, ou uma situação crônica, como as arritmias.
  • Acidente vascular cerebral: produzem hipóxia cerebral em certas regiões, seja porque uma artéria cerebral está obstruída por um coágulo ou porque uma seção dos vasos do encéfalo  quebra, produzindo hemorragia.
    Hipoxia cerebral

Conheça tudo sobre: Asfixia perinatal: conheça seus fatores de risco

Formas de manifestação

De acordo com a área do cérebro afetada pela hipóxia cerebral, ela pode ser classificada em diferentes tipos. Alguns episódios hipóxicos afetam apenas as células de um ponto específico do cérebro, enquanto outras vezes o fluxo geral é detido.

Assim, podemos descrever os seguintes tipos de hipóxia cerebral:

  • Focal: a hipóxia cerebral, neste caso, é pontual. O exemplo clássico é um derrame que se origina em um coágulo que obstrui uma artéria cerebral.
  • Difusa: se denomina assim a diminuição do fluxo cerebral de oxigênio que ocorre uniformemente por todo o cérebro, sem chegar a ser grave. As funções das células cerebrais diminuem, mas o infarto raramente é alcançado.
  • Global: aqui, a redução é para todo o cérebro,  e se torna grave. A falta de oxigênio é tão perceptível que as células morrem, aparecendo sintomas de acordo com a área do cérebro afetada.
  • Maciça: é a expressão máxima da hipóxia cerebral, onde grandes áreas do cérebro são infartadas ao mesmo tempo, colocando em risco a vida do paciente, e a sua subsequente recuperação.
    Funcionamento do cérebro

Não deixe de conhecer: Possíveis sinais que alertam sobre um acidente vascular cerebral

Como saber se você sofre de hipóxia cerebral

Embora os sintomas da hipóxia cerebral dependam de quanto tempo dura a falta de oxigênio, há sinais que são distintos. Lembre-se de que uma hipóxia de alguns segundos pode não deixar sequelas, mas, se esta se prolongar por cinco minutos, certamente haverá um derrame.

Nas hipóxias cerebrais momentâneas, pode haver falta de atenção,alguma perda de memória, sensações raras nas extremidades do corpo, dificuldades na fala etc… Neste caso também podem ser limitados os movimentos, como se houvesse paralisia.

Em um período mais longo sem fluxo de oxigênio, aparecem as convulsões, os desmaios com perda de consciência e até o coma. Nesse ponto, o atendimento se torna uma emergência, que requer medidas imediatas de suporte de vida da equipe médica.

Se exceder-se os cinco minutos de hipóxia cerebral, ocorrerá um ataque cardíaco. Um pequeno ataque cardíaco pode levar a uma recuperação subsequente com a reabilitação, mas um ataque cardíaco maciço é capaz de causar a morte de todo o cérebro.

Portanto, mediante qualquer sintoma neurológico, é preferível consultar um especialista, sem perda de tempo. Por outro lado, se uma pessoa desmaia e não reage imediatamente, ou convulsiona, a medida acertada é entrar em contato com um serviço de atendimento de emergência, que possa ajudar rapidamente.

  • Flores-Compadre, José Luis, et al. “Hipoxia perinatal y su impacto en el neurodesarrollo.” Revista chilena de neuropsicología 8.1 (2013): 26-31.
  • Rodríguez-Boto, G., et al. “Conceptos básicos sobre la fisiopatología cerebral y la monitorización de la presión intracraneal.” Neurología 30.1 (2015): 16-22.
  • Sánchez Silva, Daniel José. “Protección Cerebral ante el Daño Neuronal.” Informe Médico 13.10 (2011).