Hipoacusia: sintomas e tratamento

17 Janeiro, 2020
A hipoacusia afeta 360 milhões de pessoa no mundo todo. As chances de sofrer dessa doença aumentam com a idade.
 

A hipoacusia é definida, em última instância, como deficiência auditiva. Ou seja, incapacidade de escutar corretamente. Assim, escutar corretamente pressupõe que o organismo realize uma série de passos.

Primeiro, o som entra pelo canal auditivo externo, colide com o tímpano e o faz vibrar. Essa vibração se desloca para uma cadeia de ossos minúsculos que estimulam a cóclea.

No interior da cóclea, existem algumas células que transformam essa informação vibratória em energia. Essa energia se desloca em forma de impulso nervoso pelo nervo auditivo até o tronco do encéfalo. De lá, o impulso nervoso chega ao córtex cerebral. É somente nesse momento que ficamos consciente do som.

A seguir falaremos dos sintomas e tratamentos desse problema.

Tipos de hipoacusia

Existem dois tipos fundamentais de hipoacusia: a condutiva e a neurossensorial. Será condutiva quando o ouvido externo e médio (principalmente, tímpanos e ossículos) não estiverem íntegros. Na hipoacusia do tipo neurossensorial, pode haver danos na cóclea, no nervo acústico, no tronco do encéfalo ou no córtex cerebral.

Sintomas

A detecção dessa doença costuma ser tardia. Isso se deve ao desenvolvimento de estratégias compensatórias por parte do organismo. Existe um amplo espectro de alterações relacionadas com a hipoacusia.

Seu principal sintoma é a perda de audição. Em geral, na hipoacusia de condução distingue-se menos os sons de baixa intensidade. No entanto, na neurossensorial é difícil distinguir os sons, embora seja possível escutar sua intensidade.

 
Idosa com hipoacusia

Na hipoacusia, é frequente a pessoa ouvir pior os sons agudos. Devido a isso, existem menos problemas quando se trata de ouvir vozes masculinas quando comparadas às femininas. Além disso, as pessoas que sofrem dessa doença têm dificuldades para ouvir quando há ruídos no ambiente. Inclusive, certos sons podem ser percebidos mais intensos do que realmente são.

Dependendo da causa da doença, há alguns outros sintomas que costumam acompanhar a surdez. Entre os mais comuns estão a dor de ouvido ou a sensação de plenitude auricular se a causa for uma otite. Se o órgão receptor do equilíbrio, que está situado no ouvido, estiver danificado, também podem ocorrer vertigem e tontura.

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Sem dúvida alguma, uma hipoacusia acentuada sem tratamento efetivo dará origem a dificuldades na comunicação. Para designar esse fenômeno, foi cunhado o termo socioacusia. Isso pode causar consequências psicológicas e no estado de ânimo, como a depressão, por exemplo.

Tratamento

Para tratar a hipoacusia é indispensável estabelecer sua causa. Assim, em função do tipo de hipoacusia que for, será realizado um tratamento ou outro.

 

Tratamento da hipoacusia de condução

Por exemplo, quando é causada por um tampão de cera, realiza-se sua extração. Por outro lado, se a causa for um dano na cadeia de ossículos, eles podem ser reparados ou substituídos. Se, por exemplo, o problema for uma otite, administra-se antibióticos. Finalmente, caso exista um resquício de líquido de alguma infecção, ele deverá ser drenado.

Nos casos de tímpano danificado, seja por perfuração ou por cicatriz como consequência de repetidas infecções, ele pode ser reparado ou substituído.

Também existe a opção dos aparelhos auditivos implantáveis de condução óssea. Eles captam vibrações produzidas pelo som no ar e as transporta até o ouvido interno. Desse modo, é solucionado o problema da interrupção da condução no ouvido externo ou médio.

Tratamento da hipoacusia neurossensorial

Fone de ouvido

Nesses casos, as causas não costumam ser reversíveis. Por isso, geralmente é necessário implantar uma prótese que realize essa função neurossensorial. Por outro lado, como opções terapêuticas, existem os tratamentos protéticos implantáveis e não implantáveis.

Os tratamentos protéticos não implantáveis são os aparelhos auditivos. Eles modificam o som de uma maneira ou outra em função das necessidades auditivas de cada paciente. Os tratamentos protéticos implantáveis são, fundamentalmente, de dois tipos:

 
  • Implantes cocleares, que substituem a função do órgão de Corti.
  • Implantes auditivos de tronco do encéfalo. Eles estimulam diretamente essa área sem que o som tenha que passar pelo ouvido interno nem pelo nervo auditivo.

Para concluir, é importante lembrar que apenas um profissional com formação adequada, como um otorrinolaringologista, é quem deve determinar a opção terapêutica mais apropriada.

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