Quais exames permitem detectar o derrame pericárdico?

21 Julho, 2020
O exame básico para detectar o derrame pericárdico é o ecocardiograma. Outros exames incluem eletrocardiograma, radiografia de tórax, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Hoje vamos explicar como detectar o derrame pericárdico, uma condição na qual há um acúmulo excessivo de líquido entre o coração e o pericárdio. Este último é a membrana que recobre o coração. Estima-se que o derrame ocorra quando o líquido excede 50 ml.

Entre o coração e o pericárdio, há sempre uma fina camada de líquido. No entanto, quando há uma doença ou lesão, ocorre uma inflamação. Isso, por sua vez, aumenta a quantidade de líquido. Apesar disso, às vezes o derrame pericárdico pode ocorrer sem inflamação prévia.

O derrame pericárdico pressiona o coração e afeta o seu funcionamento. Se não for tratado, pode causar insuficiência cardíaca e levar à morte. Há vários exames que permitem detectar essa condição.

Maneiras de detectar o derrame pericárdico

Ecocardiograma

O ecocardiograma é um exame que pode detectar o derrame pericárdico
Essa técnica é uma das mais comuns no estudo cardíaco, sendo um método usado para quantificar o líquido acumulado.

Um ecocardiograma é o exame preferido para detectar o derrame pericárdico. Também é chamado de ecocardiografia ou ultrassonografia cardíaca. É um teste que permite visualizar a estrutura do coração e estudar sua capacidade de bombear o sangue.

O ecocardiograma com Doppler também permite estabelecer a velocidade exata dos fluxos do coração. Do ponto de vista técnico, o ecocardiograma bidimensional e no modo M é a técnica ideal para diagnosticar, quantificar e monitorar o derrame pericárdico.

A ausência de ecos entre o epicárdio e o pericárdio lateral é uma descoberta que permite diagnosticar o derrame pericárdico. O cardiologista determina o tamanho do derrame a partir da quantidade de espaço existente entre as duas camadas do pericárdio.

Cabe destacar que existem basicamente dois tipos de ecocardiograma:

  •  O transtorácico, no qual é usado um dispositivo que é colocado no peito, no nível do coração, e emite som.
  • O transesofágico, no qual o dispositivo é inserido no trato digestivo até o esôfago. Este último fornece dados mais detalhados.

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Eletrocardiograma

O eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração. Basicamente, permite avaliar o ritmo e a função cardíaca. O derrame pericárdico causa alterações no gráfico, mas elas não são específicas.

Normalmente, certas anormalidades são vistas no complexo QRS. Este é um vetor que reflete a soma de todas as descargas elétricas que ocorrem nas células dos ventrículos. Geralmente, quando há derrame pericárdico, é observada uma redução na voltagem do QRS.

Da mesma forma, nesses casos, é observado um achatamento das ondas T. Se o derrame for muito grave e houver tamponamento, é observada uma alternância elétrica. Normalmente, a onda P aparece larga e bimodal, sugerindo uma anormalidade.

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Radiografia de tórax, TC e RM

Ressonância magnética
Embora possamos observar mudanças estruturais no coração com um raio-X, a ressonância magnética é a que permite obter os melhores resultados.

A radiografia de tórax é uma imagem de raios-X que permite visualizar todos os órgãos da região do tórax. A tomografia axial computadorizada ou tomografia computadorizada (TC) é uma técnica que também utiliza raios-X e permite que imagens sejam obtidas na forma de seções transversais ou em terceira dimensão.

Por sua vez, a ressonância magnética (RM) é um exame pelo qual são obtidas imagens detalhadas do interior do corpo, em duas ou três dimensões. Fornece informações muito mais específicas que as do raio-X ou da tomografia computadorizada.

Quando há derrame pericárdico, há uma alteração na silhueta cardíaca, que um ou todos esses exames podem detectar. Geralmente, o contorno da silhueta aumenta quando se acumulam mais de 250 ml de líquido no saco pericárdico.

No entanto, com mais de 50 ml já é possível falar em derrame pericárdico. Portanto, uma radiografia de tórax, por exemplo, não mostra uma silhueta aumentada, mesmo que a anormalidade esteja presente. A TAC e a RNM são muito mais conclusivas.

Quantificação do derrame pericárdico

Não há critérios universalmente aceitos para quantificar o volume do derrame pericárdico. Isso ocorre porque todos os métodos têm limitações na determinação da quantidade real de líquido no saco pericárdico.

A técnica mais aceita para quantificação é a proposta por Weitzman. Baseia-se no ecocardiograma em modo M. Propõe a adição de espaços livres de eco nos sacos anterior e posterior no final da diástole. Fala-se de derrame leve quando a soma é 10 mm ou menos; moderado entre 10 e 19 mm, e grave quando é de 20 mm ou mais.

Entretanto, é importante descartar a presença de tumores cardíacos e cistos pericárdicos antes de fazer o diagnóstico. Do mesmo modo, também é necessário verificar se não há derrame pleural ou presença de gordura epicárdica.

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