Estresse e hipertensão: como se relacionam?

O estresse e a pressão alta estão relacionados de forma mais íntima do que você imagina. Mostraremos qual é a conexão e o que você pode fazer a respeito.
Estresse e hipertensão: como se relacionam?

Última atualização: 27 janeiro, 2022

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente existem cerca de 1,28 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos de idade que sofrem de hipertensão arterial. Esses dados são preocupantes principalmente porque se sobrepõem a outros, como os distúrbios psicológicos. No artigo de hoje falaremos sobre a relação entre estresse e pressão alta e por que você deveria prestar atenção a esse assunto.

Segundo dados do Instituto Americano de Estresse (AIS), até 77% das pessoas convivem com algum grau de estresse no dia a dia. Essa é uma resposta natural para o enfrentamento dos problemas, embora infelizmente dependamos muito dele ou, em todo caso, tenhamos nos acostumado com os sintomas. A seguir você descobrirá por que deve se interessar por esta conexão e o que fazer a respeito.

A relação entre estresse e pressão arterial alta

Estresse e pressão alta estão relacionados por conexões neurais.
O sistema nervoso tem um impacto direto sobre o sistema cardiovascular, portanto, situações estressantes podem facilmente afetar a pressão arterial.

Conforme indica a Associação Americana de Psicologia (APA), o estresse se desenvolve devido a uma interação entre fenômenos internos e externos que provocam uma alteração em quase todos os sistemas do corpo. O estresse é um fenômeno muito complexo, mas em termos muito simples é um conjunto de reações fisiológicas e psicológicas que o corpo manifesta diante de um desafio.

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Essas reações levam a duas possibilidades: estresse positivo e estresse negativo. Em ambos casos esses reflexos são regulados pelo sistema nervoso simpático, com algumas das reações mais frequentes sendo as seguintes:

  • Vasoconstrição periférica.
  • Diminuição da motilidade intestinal.
  • Liberação maciça de cortisol, encefalina, adrenalina e noradrenalina na corrente sanguínea.
  • Aumento da glicose no sangue.
  • Aumento da capacidade de defesa do sistema imunológico.
  • Aceleração dos fatores de coagulação (espessamento do sangue).

Todos os itens mencionados acima são desenvolvidos como um mecanismo de defesa para que o corpo responda melhor a uma situação que coloca em risco a integridade dele. O estresse não se trata apenas de um desconforto emocional; ele tem consequências práticas para quase todos os sistemas do organismo.

A Associação Americana do Coração nos lembra que o estresse acelera a frequência cardíaca e contrai os vasos sanguíneos. Tudo isso para levar mais sangue para a parte central do corpo do que para as extremidades. Como consequência ocorre um aumento da pressão arterial devido ao estresse.

Esse fenômeno é temporário, de forma que dura tanto quanto os outros sintomas de estresse. É por isso que os pesquisadores apontam que o estresse não provoca hipertensão de forma direta, mas pode afetar no desenvolvimento dela.

Isso acontece porque, conforme as evidências indicam, a recuperação ao nível pré-estresse é mais demorada e com mais efeitos cardiovasculares do que se imaginava há algumas décadas. Por isso os pacientes diagnosticados com hipertensão, que pertencem a grupos de risco e todas as pessoas de forma geral devem controlar esses episódios para manter a pressão arterial em valores saudáveis.

Estresse no trabalho e hipertensão

Como já se sabe, existem diferentes tipos de estresse. Há algumas décadas o rótulo estresse no trabalho se popularizou como a nomenclatura para os episódios que são desencadeados em um contexto de trabalho. Os pesquisadores estão constantemente alertando que o estresse no trabalho é um fator importante no desenvolvimento da hipertensão arterial.

Jornadas extenuantes, pressão para cumprir metas, medo de cortes de pessoal e a necessidade de fazer mais dinheiro são apenas algumas das condições que podem criar estresse no trabalho. A síndrome do trabalhador queimado, também conhecida como burnout, é um risco potencial para indivíduos com diagnóstico de hipertensão. A OMS a incluiu na CID-11.

7 maneiras de reduzir o estresse para controlar a hipertensão arterial

O estresse e a pressão alta podem ser controlados.
Encontrar uma maneira de gerenciar o estresse depende de cada pessoa, portanto identificar a causa primária é fundamental.

Você já aprendeu por que o estresse provoca pressão arterial alta e como esses episódios podem ser contraproducentes para pacientes com hipertensão. Não podemos nos despedir sem antes reunir uma série de dicas práticas para diminuir a incidência do estresse no seu dia a dia.

Reiteramos mais uma vez que não existem evidências de que o estresse provoque hipertensão arterial (a doença), mas ele é um dos muitos fatores que incidem no processo (junto com a predisposição genética, peso, hábitos como tabagismo e outros). Se você tem a intenção de levar um estilo de vida mais saudável e seguindo as sugestões da Harvard Health Publishing, te convidamos a praticar os seguintes hábitos:

  • Melhore a organização do seu tempo: de forma que você não deixe para fazer as coisas importantes ou difíceis por último. Administre os seus momentos de lazer de forma proporcional e evite acumular tarefas que provoquem um aumento do seu stress.
  • Descanse por tempo suficiente: recomenda-se dormir em média oito horas por dia sem interrupções, não distribuídas em ciclos de dois ou três intervalos. Dormir ajudará a sua mente e corpo a recuperarem a energia de que precisam para lidar com as responsabilidades do dia a dia.
  • Amplie as suas relações sociais: para que os seus momentos de lazer não sejam passados de forma solitária, mas sim na companhia de amigos, familiares ou colegas. Ir ao cinema, praticar esportes em conjunto ou se reunir com essas pessoas é muito importante para a sua saúde mental e para fortalecer as suas relações sociais.
  • Pratique técnicas de relaxamento: como yoga, meditação ou exercícios de respiração. Inclua na rotina métodos que te tragam paz de espírito, para que você possa apelar para eles como uma forma de escape quando o estresse estiver à espreita.
  • Resolva os problemas estressantes: a melhor resposta para os problemas que provocam estresse é enfrentá-los, não fugir deles. Você verá que quase sempre será possível resolvê-los sem maiores obstáculos, pois muitas vezes consideramos um problema mais complicado do que ele realmente é.
  • Cuide de você mesmo: faça isso em todos os sentidos, pois o estresse costuma ser consequência de uma negligência no cuidado com nós mesmos. Mantenha uma alimentação saudável, pratique esportes, crie um espaço na sua agenda para as coisas de que você gosta, recompense a si mesmo e não se deixe consumir apenas pelo trabalho ou pelas responsabilidades.
  • Procure ajuda: se apesar de todas as opções acima você não conseguir controlar o estresse, não hesite em procurar ajuda profissional. Como já estabelecemos, essa reação provoca alterações fisiológicas que afetam a sua saúde, por isso nunca se deve subestimar seus efeitos a médio e longo prazo.

Também te incentivamos a consultar um cardiologista para avaliar os possíveis efeitos que o estresse teve ou está tendo na sua saúde cardiovascular. Parar de fumar, manter um peso saudável e reduzir a ingestão de sódio são outras dicas básicas para controlar a hipertensão.

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