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Eduardo Galeano: “Se eu caí, foi porque estava caminhando, e vale a pena caminhar, mesmo que você caia”

3 minutos
O medo do erro costuma paralisar mais do que o próprio erro em si. Mas errar não significa que tenha sido um erro tentar, e sim que você estava avançando.
Eduardo Galeano: “Se eu caí, foi porque estava caminhando, e vale a pena caminhar, mesmo que você caia”
Escrito por Equipe Editorial
Publicado: 19 agosto, 2026 22:00

Há momentos em que um erro pesa mais do que deveria. A gente repassa a cena, procura onde esteve a falha e, muitas vezes, a conclusão é pensar que talvez tivesse sido melhor nem tentar. Eduardo Galeano propõe, com sua reflexão, exatamente o contrário.

Suas palavras não tentam amenizar a queda. O que elas fazem é mudar a forma como se interpreta o fracasso. Se você caiu, é porque estava em movimento. Isso, segundo Galeano, já diz algo importante sobre quem caminha.

O que significa a frase de Galeano

Ela expõe uma ideia central simples: o erro não é sinal de que algo deu errado desde o início, mas de que alguém estava fazendo algo. Quem não tenta não falha, mas também não avança. A queda, nesse sentido, é uma consequência do movimento, e o movimento é o que tem valor.

Galeano não romantiza o fracasso nem sugere que cair seja algo desejável. O que ele faz é evitar que a queda seja interpretada como uma evidência definitiva. Errar não demonstra que não se devia ter tentado; demonstra que se tentou.

Essa lógica se conecta a outra ideia que Galeano repetiu ao longo de sua obra: a utopia não existe para ser alcançada, mas para caminharmos em direção a ela. O horizonte que sempre se afasta continua sendo útil porque nos obriga a seguir em movimento. O objetivo importa menos do que o impulso que ele gera.

Como aplicar essa reflexão no dia a dia

A frase tem uma utilidade prática clara quando surge a vontade de ficar paralisado após um erro. Algumas abordagens concretas:

  • Não deixe que um erro te paralisie: o erro já aconteceu. A única decisão possível agora é o que fazer a seguir.
  • Encarar o tropeço como parte do aprendizado: não como o fim do processo, mas como informação sobre como ajustar o próximo passo.
  • Continue com mais discernimento, não com menos vontade: a experiência de ter falhado pode melhorar a tomada de decisões se for analisada com honestidade, em vez de ser usada para justificar a desistência.
  • Valorize o processo, não apenas o resultado: se o que importa é apenas chegar, cada tropeço se torna uma ameaça. Se o caminho também importa, a queda faz parte de algo que tem sentido.

Exemplos em situações cotidianas

  • No trabalho: lançar um projeto que não atinge os resultados esperados pode parecer um fracasso total. Mas tê-lo executado traz informações reais sobre o mercado, a equipe ou a abordagem que não existiam antes de tentar. Esse aprendizado não surge se não dermos o passo.
  • Nos relacionamentos: dizer algo na hora errada ou lidar mal com uma conversa difícil gera distância. Reconhecer o erro e corrigi-lo é possível porque houve uma tentativa de comunicação. Quem evita qualquer conversa incômoda não falha nesse ponto, mas também não constrói nada.
  • Nas finanças pessoais: tomar uma decisão financeira que não sai como se esperava pode levar ao bloqueio ou à superproteção no futuro. Mas entender o que falhou no raciocínio permite tomar decisões melhores na próxima vez. O erro, analisado com calma, tem mais valor do que a inação.

Não se trata de não cair

O medo de errar pode acabar sendo mais limitante do que o próprio erro. Quem organiza sua vida para evitar qualquer possibilidade de falha também reduz sua margem de ação, de aprendizado e de progresso. O risco zero não existe, e buscá-lo tem o custo real de permanecer parado.

Galeano não pede que ninguém se lance sem pensar nem que se ignore o impacto dos erros. Ele pede que a possibilidade de cair não seja motivo suficiente para deixar de caminhar. Porque, se você caiu, é porque já estava em movimento. Isso, mesmo que doa, é algo que vale a pena.

Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.