Doença de Kawasaki: sintomas, causas e tratamento

04 Outubro, 2020
A doença de Kawasaki é uma patologia rara na idade pediátrica. Causa inflamação nos vasos sanguíneos, provoca febre, e às vezes é confundida com outras doenças. Neste artigo, explicaremos todos os detalhes.

A doença de Kawasaki é um distúrbio raro em crianças. Sua incidência não é muito alta, mas é importante que os médicos saibam da sua existência para detectá-la se ela ocorrer na população pediátrica.

O ponto chave da patologia é a inflamação dos vasos sanguíneos. Por si só, não faz distinção entre veias e artérias; qualquer uma delas pode ser afetada.

Também é capaz de inflamar os gânglios linfáticos e as mucosas da face, do nariz e da boca. Por esse motivo, o nome da doença de Kawasaki pode ser substituído por “síndrome dos linfonodos mucocutâneos” em algumas apresentações particulares.

Em geral, são afetadas crianças menores de 5 anos. É mais comum entre meninos do que entre meninas, mas a diferença na prevalência é mínima. Alguns grupos étnicos apresentaram uma maior frequência do distúrbio do que outras regiões do mundo, como os japoneses.

A causa e a origem não são claras. Algumas hipóteses mencionam a intervenção de microrganismos como gatilhos dos sintomas, mas isso não foi comprovado. Há também suspeitas de uma predisposição genética familiar, embora os mecanismos íntimos da mesma não tenham sido divulgados.

Sintomas da doença de Kawasaki

A doença de Kawasaki passa por três fases progressivas:

  • O sintoma inicial é febre alta, de quase 40 graus e com 72 horas de evolução. Geralmente é acompanhada de conjuntivite sem secreções, e erupção cutânea no tronco e na região genital.

A febre com os olhos vermelhos e o surto dérmico desorientam os médicos que realizam os primeiros cuidados. Se os gânglios se inflamarem, aparecerão também elevações subcutâneas como resultado disso. Geralmente são os gânglios do pescoço que são acompanhados por uma inflamação das mãos e dos pés.

  • Em uma segunda fase dos sintomas, aparece uma descamação. A pele que foi irritada e inflamada começa a descascar em grandes quantidades, especialmente nos membros. Pode se manifestar também uma gastroenterite com vômitos e diarreia, além de dores nas articulações. A febre geralmente não está mais presente.
  • Finalmente, na última fase, nenhum sinal da doença de Kawasaki é adicionado, e os que estavam, desaparecem lentamente. A convalescença é longa e é difícil para a criança recuperar seu nível de atividade anterior à patologia.
Menina com febre
A febre é o sintoma inicial da doença de Kawasaki. Sem a sua presença, não há suspeita da doença.

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Como é diagnosticada?

As associações médicas mundiais desenvolveram um guia de critérios para o diagnóstico da doença de Kawasaki. O sintoma principal é a febre, que deve existir necessariamente para confirmar a doença. Além disso, deve haver também quatro dos seguintes sintomas:

  • Inchaço das mãos e dos pés.
  • Língua em framboesa (inchada e vermelha) e lábios secos.
  • Descamação da pele nos membros superiores ou inferiores.
  • Erupção cutânea com pouco padrão repetitivo.
  • Gânglios cervicais aumentados.
  • Conjuntivite bilateral com olhos vermelhos.

Juntamente com a observação dos sintomas, o médico deve descartar outras patologias que podem ser confundidas com a doença de Kawasaki. Se você tiver suspeitas razoáveis, solicite um ecocardiograma, que detectará se há inflamação dos vasos sanguíneos.

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Tratamento da doença de Kawasaki

Pediatra examinando bebê
A detecção da doença de Kawasaki implica um alto grau de suspeita pelo pediatra.

A abordagem para pacientes com doença de Kawasaki é baseada em gamaglobulinas, aspirina e anticoagulantes. A intenção é parar a formação de aneurismas devido à inflamação dos vasos sanguíneos.

As gamaglobulinas são administradas por via intravenosa e são uma ferramenta essencial para interromper as complicações decorrentes do distúrbio. Observou-se que seu maior benefício é prevenir alterações das artérias coronárias.

Quanto à aspirina, seu uso neste caso é como anti-inflamatório. Felizmente, também é um antipirético e analgésico, o que ajudaria a aliviar outros sintomas, como febre e artralgia. Sabe-se que a aspirina tem certos efeitos adversos em crianças; portanto, é recomendado um monitoramento mais próximo dos pacientes sob este protocolo.

Cerca de 10% das crianças afetadas terão sequelas, principalmente nas artérias coronárias. Inclusive, sequelas aparecerão nessa proporção em pacientes tratados a tempo, sendo recomendado o acompanhamento subsequente com métodos complementares.

Doença rara, mas tratável

Ao contrário de outras patologias, há um plano de tratamento para a doença de Kawasaki. O sucesso depende muito do diagnóstico preciso e precoce. Nos países asiáticos, os médicos estão mais alertas para a detecção, mas foram relatados casos no mundo todo. A suspeita é possível quando são reunidos os critérios para o diagnóstico.

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