Daltonismo: causas, tipos e tratamento

O daltonismo é uma deficiência, quase sempre hereditária, que afeta mais os homens do que as mulheres. Na sua forma mais grave, só permite a visão em preto e branco.
Daltonismo: causas, tipos e tratamento

Última atualização: 24 Março, 2021

O daltonismo é um defeito da visão que causa dificuldade ou impossibilidade de distinguir as cores. O grau de afetação é altamente variável. Às vezes é difícil diferenciar alguns tons de vermelho, verde, amarelo ou azul; nos casos mais graves, nenhuma cor é distinguida.

Essa condição tem a ver com uma anormalidade nas células fotorreceptoras do olho, chamadas de bastonetes e cones. Elas funcionam em combinação e se conectam com os centros do cérebro por meio do nervo óptico. Quando as células são defeituosas, não conseguem produzir a imagem dos pigmentos e surge o daltonismo.

Quais são as causas do daltonismo?

A percepção da cor ocorre na retina, pois é ali que ficam os bastonetes e cones. Os bastonetes detectam o branco, o preto e toda a gama de cinza. Os cones são sensíveis ao vermelho, azul e verde. Seu trabalho combinado faz com que uma pessoa possa perceber as diferentes cores e seus tons corretamente.

O daltonismo ocorre quando os bastonetes, os cones ou ambos são anormais ou ausentes. As razões para isso ocorrer são hereditárias, devido à ação de medicamentos ou pelo efeito de uma doença. Vejamos a seguir.

Genética

A maioria dos casos de daltonismo tem uma causa hereditária. O mais comum é que seja transmitido da mãe para o filho e que não gere nenhum outro tipo de defeito visual. Embora as mulheres sejam as portadoras do cromossomo defeituoso que causa a doença, os homens têm uma maior probabilidade de herdá-lo.

Herança genética
A genética é o fator que causa o daltonismo com mais frequência.

Medicação

Existem vários medicamentos que podem causar uma distorção na visão das cores. Alguns antipsicóticos, como clorpromazina e tioridazina, causam daltonismo em certos casos.

Da mesma forma, o antibiótico etambutol, usado no tratamento da tuberculose, pode alterar a percepção visual das cores. Esses efeitos adversos devem ser considerados pelo médico sempre que os medicamentos em questão forem prescritos.

Doenças

Existem várias doenças oculares que podem levar ao daltonismo. O glaucoma, por exemplo, às vezes danifica o nervo óptico e pode diminuir a capacidade de distinguir as cores ou os tons. A degeneração macular e a retinopatia diabética destroem a retina e causam o mesmo efeito.

Na catarata, a percepção da cor não é perdida, mas pode ser significativamente atenuada. Outras doenças como a diabetes, a esclerose múltipla, o mal de Alzheimer e o de Parkinson também podem causar daltonismo.

Outros fatores

Foi estabelecido que o envelhecimento pode causar uma deficiência na percepção das cores em algumas pessoas. Da mesma forma, a exposição a produtos químicos tóxicos como o estireno, presente em alguns plásticos, está associada à perda da capacidade de diferenciar as cores.

Tipos de daltonismo

Uma primeira classificação dos tipos de daltonismo é feita com base na causa que os provoca. A partir desse ponto de vista, existem duas categorias: herdado ou adquirido. O primeiro é aquele que é transmitido de pais para filhos, e o segundo é o efeito de algum outro fator.

 O daltonismo também pode ser classificado de acordo com o tipo de disfunção na percepção das cores. Isso dá origem a quatro modalidades: tricromia anômala, acromática, monocromática e dicromática. Vamos ver cada um deles.

Tricromia anômala

A pessoa afetada tem cones na retina, mas estes estão com defeito e causam confusão de cores. É a forma mais comum de daltonismo e pode ocorrer de três maneiras:

  • Protanomalia: dificuldade em perceber a luz vermelha.
  • Deuteranomalia: erros ao perceber a luz verde.
  • Tritanomalia: dificuldade em perceber a luz azul.

Acromático

Esses são os casos em que a pessoa só consegue ver em preto e branco com uma gama de cinza incluída. Isso ocorre porque a pessoa afetada não tem cones na retina ou tem algum dano neurológico. É uma condição muito rara em que há apenas um caso para cada 100.000 habitantes.

Monocromático

O monocromático também é chamado de daltonismo total ou daltonismo extremo. A visão também é fornecida em preto e branco com uma gama de cinza.  Existem cones na retina, mas faltam dois dos três pigmentos que devem estar presentes nessas células. Afeta um número muito pequeno de pessoas.

Visão em preto e branco
A visão em preto e branco é apenas uma das modalidades de daltonismo.

Dicromático

É uma forma de daltonismo considerada moderada-grave e na qual não há percepção de nenhum dos três tipos de luz. Como no caso da tricromia anômala, existem três modalidades.

Protanopia

Há uma ausência total de fotorreceptores vermelhos da retina. Isto causa uma percepção deficiente das cores com longitudes de onda muito longas. Os afetados veem estes tons como se fossem de cor creme ou cinza. É a forma mais comum.

Deuteranopia

Nesse caso, há ausência total dos fotorreceptores retinais de cor verde. Apresenta-se dificuldade para perceber as cores com longitudes de onda médias. É uma forma menos grave de deuteranomalia.

Tritanopia

Esta é a forma mais rara de daltonismo e nela há ausência total dos fotorreceptores da retina para a cor azul. É difícil perceber cores com longitudes de onda curtas. Dessa mesma forma, o amarelo é percebido como se fosse a cor rosa.

Tratamentos para melhorar a qualidade de vida das pessoas com daltonismo

Atualmente não há um tratamento disponível para o daltonismo hereditário. Se a doença for causada por medicamentos, outras patologias ou exposição a toxinas, é apropriado suprimir o fator que a provocou.

Filtros de cor sobre óculos ou lentes de contato especiais podem ajudar a diferenciar melhor as cores, mas não eliminam a deficiência. É possível, no futuro, que surjam técnicas de substituição de genes que possam resolver completamente este problema.

Existem algumas técnicas e medidas que os daltônicos podem tomar para superar as limitações que a doença lhes causa. Por exemplo, podem memorizar a ordem das cores em um semáforo, de modo que consigam interpretar o sinal para parar ou seguir em frente.

Objetos de uma determinada cor também podem ser marcados, de forma que este sinal torne o tom reconhecível para combiná-lo com outros. Atualmente, existem aplicativos que ajudam a diferenciar as cores.

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