Conjuntivite: um novo sintoma do coronavírus?

23 de maio de 2020
Entidades médicas internacionais apontam a conjuntivite como um novo sintoma do coronavírus. Embora a OMS não o inclua em seu protocolo de diagnóstico, já foram confirmados casos em que o único sintoma foram os olhos vermelhos.

A possibilidade da conjuntivite ser um novo sintoma do coronavírus ganhou espaço na mídia nos últimos dias. Embora seja um sintoma registrado por várias associações médicas desde o início do surto, agora a sua presença está confirmada.

Nos Estados Unidos, foram os membros das equipes de saúde que alertaram sobre esse sintoma pela primeira vez. De qualquer forma, nem o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nem a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluíram o sintoma como parte da lista de alertas.

Existem dois artigos publicados na literatura científica sobre esse assunto:

O que é a conjuntivite?

A conjuntivite, sem levar em consideração o coronavírus, é uma das patologias oculares mais comuns em todo o mundo. Geralmente, é uma condição leve que é curada rapidamente.

A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva ocular, uma membrana mucosa muito fina localizada no interior das pálpebras que cobre o globo ocular na parte externa. Quando inflamados, os minúsculos vasos sanguíneos localizados nessa área se dilatam fazendo com que os olhos fiquem vermelhos.

Como um novo sintoma do coronavírus, a conjuntivite em questão deve ser atribuída ao SARS-CoV-2. Além da atual pandemia, essa condição também pode ser causada por bactérias e substâncias do ambiente.

Dessa forma, o sintoma pode ser viral, bacteriano ou alérgico. Também existem outras patologias associadas à conjuntivite, além do coronavírus, como a doença de Sjögren, uma condição autoimune.

Conjuntivite: novo sintoma do coronavírus
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva dos olhos e se manifesta por meio da vermelhidão.

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O que a Academia Americana de Oftalmologia disse sobre a associação entre conjuntivite e coronavírus

A Academia Americana de Oftalmologia emitiu um comunicado sobre o assunto, coletando informações das equipes de saúde. Esses trabalhos foram reconhecidos e a conjuntivite foi considerada um novo sintoma do coronavírus.

A teoria é de que o aerossol através do qual o COVID-19 pode ser transmitido se deposita na conjuntiva ocular. Devemos nos lembrar de que a transmissão desse vírus ocorre por gotículas respiratórias que se espalham pelo ar.

Assim, não haveria apenas a transmissão direta. Também é necessário considerar que as partículas que se depositam nas superfícies podem ser transportadas aos nossos rostos com as mãos. É por isso que é fundamental desinfetar os ambientes e lavar as mãos frequentemente.

De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia, se um paciente aparecer com conjuntivite e febre, somado a qualquer sintoma respiratório, deve ser imediatamente considerado um caso suspeito de coronavírus. Ainda mais se for registrado um vínculo epidemiológico, ou seja, se a pessoa tiver tido contato com áreas geográficas ou pacientes infectados.

Com base em tudo isso, a Academia recomenda que a equipe de saúde proteja os olhos ao atender os pacientes, e não apenas o nariz e a boca. Esse novo sintoma do coronavírus modifica as medidas de proteção, tornando-as mais rigorosas.

Descubra mais: Perda do olfato e do paladar como possíveis sintomas do coronavírus

Outros novos sintomas do coronavírus

Além da conjuntivite, outras associações médicas alertaram sobre sintomas que poderiam ser indicativos de coronavírus, descartando os clássicos. Uma delas foi a Sociedade Espanhola de Neurologia que, em um comunicado, sugeriu isolar pessoas com perda súbita do olfato, sob suspeita de COVID-19.

Na mesma linha, as alterações digestivas foram mencionadas como novos sintomas do coronavírus. Principalmente a diarreia, que está presente em quase 50% das pessoas infectadas.

Médica usando máscara
Aa associações médicas recomendam que as pessoas protejam os olhos devido às novas descobertas.

O que fazer diante dos novos sintomas do coronavírus?

Tanto a conjuntivite quanto a perda de olfato e paladar e a diarreia são sintomas que devem ser considerados no contexto atual. Embora a OMS ainda não os inclua em sua lista de sintomas predominantes, as associações médicas recomendam que os pacientes que apresentarem esses sintomas façam o teste de coronavírus.

Por estarmos vivendo em um estado de pandemia, somos forçados a tomar medidas específicas para reduzir a taxa de contágio. Por isso, o alerta é maior do que se estivéssemos vivendo em outros tempos. Assim, a atenção que é dada aos sintomas tem sido redobrada.

Se sentirmos esses novos sintomas do coronavírus, devemos buscar ajuda. Cada país criou mecanismos para que seus habitantes se comuniquem com as equipes de saúde antes de procurar os centros de saúde pessoalmente. É fundamental respeitar esses mecanismos para continuar respeitando a quarentena.

  • Xia, Jianhua, et al. “Evaluation of coronavirus in tears and conjunctival secretions of patients with SARS‐CoV‐2 infection.” Journal of medical virology (2020).
  • Guan, Wei-jie, et al. “Clinical characteristics of coronavirus disease 2019 in China.” New England Journal of Medicine (2020).
  • Sun, M. D., et al. “Clinical characteristics of COVID-19 patients with digestive symptoms in Hubei, China: a descriptive, cross-sectional, multicenter study.”
  • Altamirano, S., et al. “Recomendaciones para Médicos de Emergencias sobre la situación actual de Coronavirus (2019-nCoV) en Argentina.” (2020).
  • Reviglio, Víctor Eduardo, et al. “2019-nCoV y oftalmología:¿ un nuevo capítulo de la misma historia?.” Oftalmología Clínica y Experimental (2020).