Descubra como iluminar seu quarto com uma batata

· 13 de dezembro de 2016
Ainda que a possibilidade de iluminar espaços e conseguir energia graças às batatas seja uma realidade viável, há quem não veja com bons olhos usar comida com outras finalidades que não sejam a alimentação.

Se você gostava de fazer trabalhos de ciências no colégio, então este pequeno experimento é para você.

Você só vai precisar de uma batata. Acompanhada de alguns materiais simples que podem ser encontrados na loja de material de construção, ela pode se converter numa bateria que não pode faltar nas novas gerações de casas ecológicas.

O pesquisador Haim Rabinowitch, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, tem trabalhado há anos na criação de um dispositivo para a extração da energia armazenada nas batatas.

Essa iniciativa nasceu da ideia de poder ajudar as pessoas que não têm acesso a redes elétricas.

Segundo Rabinowitch, basta conectar esse tubérculo a dois cabos, parafusos e, é claro, a uma lâmpada LED, para proporcionar luz artificial em diferentes espaços.

A investigação deu como resultado que uma única batata poderia ser capaz de iluminar um quarto durante 40 dias, aproximadamente.

Como iluminar o quarto com uma batata

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Do que você vai precisar?

  • 2 batatas pequenas (cozidas durante 8 minutos)
  • 2 fios de cobre
  • 2 varetas de cobre
  • 2 hastes ou pregos de zinco
  • 1 lâmpada pequena, de 1,5 v

Como fazer?

  • Enrole os dois fios de cobre nas duas hastes ou varetas de cobre.
  • Introduza cada uma numa batata.
  • Enrole o terceiro fio numa haste de zinco e introduza-a numa das batatas.
  • Pegue a ponta do fio da vareta de cobre enterrada nesta batata e enrole-a na outra haste ou prego de zinco.
  • Enterre esta última vara de zinco na segunda batata.
  • Com as duas pontas dos fios que ficaram soltas, faça contato com a lâmpada (tenha cuidado para não tocar no cobre).
  • Pronto! Ilumine seu quarto.

Ver também: Como fazer um frasco luminoso para decorar o seu quarto

Como funciona?

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A batata não gera eletricidade, mas contém ácido ascórbico. Este componente, ao se juntar a um eletrodo de cobre e a outro de zinco, faz com que os elétrons passem de um lado a outro, usando este componente natural como condutor da energia.

Esse fenômeno é conhecido como “reação redox”, e tem a capacidade de acender e manter em funcionamento diversos aparelhos elétricos.

“As batatas são escolhidas por causa da possibilidade de seu crescimento em quase todo lugar, incluindo no clima tropical e subtropical. É a planta mais cultivada no mundo”.
– Haim Rabinowitch-

Um pouco de história

Como relata Rabinowitch, apesar das batatas serem o alimento número um utilizado nos colégios para ensinar às crianças sobre ciência, até agora ninguém havia realizado um estudo sobre esse tubérculo como fonte de energia.

Físicos como Alessandro Volta e Luigi Galvani já utilizavam, em 1780, diferentes métodos para gerar energia, como por exemplo:

  • Empregar papel embebido em água salgada
  • Criar “baterias” graças a duas placas de metal e muita terra, ou um balde de água.

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O mistério da batata

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Se este experimento demonstrou o quanto pode ser funcional e útil, por que não começou a ser utilizado massivamente?

Segundo Rabinowich, a única coisa que falta é “investigação e difusão”, para que utilizemos as batatas como meio para produzir grandes quantidades de energia, sobretudo para essas regiões que carecem dela.

No entanto, também há muitas pessoas que são contra esses métodos para gerar eletricidade a partir de alimentos.

Para os críticos, com a fome que assola as populações de muitos países, usar comida para outros fins que não seja o de alimentar a população não seria a decisão mais acertada, nem adequada.

As estatísticas mostram que no mundo, hoje, são produzidas em torno de 360 milhões de toneladas de batata ao ano. Além de ser fácil de armazenar e durável, sua produção é barata.

Precisamente por esses motivos os custos de desenvolver esse tipo de tecnologia e implementá-la entre as pessoas que carecem de eletricidade podem parecer economicamente viáveis.

Além disso, a fabricação das varetas de zinco e cobre é um pouco mais barata que uma lamparina de querosene. No entanto, o problema parece estar no fato de que a maioria das pessoas não gosta da ideia de utilizar comida para iluminar seus espaços.

“Trata-se de uma alimentação de baixa voltagem, mas é suficiente para construir uma bateria que pode carregar os celulares e os laptops em locais onde não há rede elétrica”.
– Haim Rabinowitch-