Castigo físico ao bebê e seus efeitos

· 26 de março de 2019
Para os pais que foram criados com medidas disciplinares que incluíram o castigo corporal é um desafio ter um estilo de criação diferente para seus filhos. O castigo corporal danifica física e emocionalmente o bebê.

As consequências do castigo físico ao bebê são muito negativas. Se este é aplicado a menores de dois anos as sequelas serão mais severas. O castigo físico a um bebê está catalogado com maltrato infantil.

No entanto, não faltarão pais e mães, inclusive supostos especialistas em criação, que considerarão que é normal dar algumas palmadas ou aplicar algum castigo físico ao pequeno. Asseguram que é o melhor para que aprenda desde cedo o que deve ou não deve fazer.

O castigo físico é maltrato?

A Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas estabelece que as crianças e adolescente tem direito a serem protegidos contra qualquer forma de castigo corporal.

Não importa onde sejam cuidados: na casa, em centros de cuidado ou em centros educativos, as crianças não devem ser submetidas a nenhum tipo de maltrato. Isso inclusive se aplica para os sistemas penais onde cumprem pena adolescentes que tenham transgredido alguma lei do país.

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No entanto, ainda que a maioria dos países do mundo tenha se submetido à Convenção dos Direitos da Criança, somente 45 países desenvolveram leis que proíbem o castigo corporal em crianças e adolescentes. O mundo segue em dívida com os menores de idade.

Por que existem pais que aplicam esse método?

Evite o castigo de deixar o bebê chorando antes de dormir

O castigo físico é assegurado ou considerado necessário por aqueles pais que argumentam que assim foram criados. Asseguram que este tipo de violência não gerou traumas nem lhes impediu de serem adultos de sucesso ou de alcançar as metas que se propuseram. Até agradecem ter tido este tipo de criação.

No entanto, tínhamos que perguntá-los por que não se atrevem a questionar o estilo de criação dos pais. A capacidade de maltratar os próprios progenitores expõe qualquer um a reviver ou recordar o medo que não foi sanado. Tudo mudou, assim como os costumes, este tipo de comportamentos hoje em dia é considerado deplorável.

A violência intrafamiliar é comum em muitas famílias disfuncionais. Talvez muitos pais se sintam mal por aplicar essa punição em seu bebê ou criança, mas não se atrevem a fazer o trabalho necessário para esquecer e modificar o aprendizado obtido, repetem o mesmo padrão de violência que aprenderam enquanto foram crianças.

O que o castigo físico ensina ao bebê?

Um bebê que chora pode ser desesperador. Os dias posteriores ao parto são esgotadores: as noites sem dormir, os cuidados diários e suprir todas as necessidades do bebê podem levar qualquer pessoa a ficar impaciente.

Mas, te convidamos a refletir. Acredita de verdade que uma palmada pode conseguir com que o bebê deixe de chorar? Umas palmadas em qualquer parte do frágil corpo do bebê dificilmente poderá aliviar as necessidades físicas ou de contato que o bebê demanda.

Se recorremos a qualquer forma de agressão física, o aprendizado que estaremos submetendo o bebê será negativo, muito mais negativo do que muitos pais que apanharam na infância, certamente, lembram e reconhecem.

Esse método de punição ensina a:

  • Que não deve chorar se sente fome, sede ou sono. Ao invés disso não receberá o que espera, pelo contrário somente será agredido.
  • Que deve reprimir suas necessidades, incluindo as afetivas. Já que não quer voltar a sentir a dor de ser golpeado.
  • Que deve se acostumar a dor e ao estresse. Esta situação enfraquece as naturais motivações do bebê por descobrir o mundo que o rodeia.
  • Que deve desconfiar de si mesmo. Já que seus impulsos naturais ao que parece não são bons.

Quais danos pode causar?

Evite o castigo físico para fazer a criança feliz

O castigo físico no bebê ao ser excessivo pode ter consequências graves. O corpo em desenvolvimento do bebê é delicado. Pode sofrer sérios danos a nível fisiológico e neurológico. Isso se soma aos traumas emocionais que já descrevemos.

Uma palmada pode parecer leve para um adulto, mas não é igual para um bebê. Uma palmada nas nádegas pode causar um traumatismo no nervo ciático. A inflamação do nervo pode afetar a mobilidade do bebê temporária ou definitivamente. Uma ruptura interna dos vasos sanguíneos pode ser uma consequência pior deste comportamento.

As palmadas nas mãos do bebê podem causar deslocamentos nos ossos, músculos e tendões. As sacudidas também são muito perigosas, já que os músculos do pescoço do bebê não estão preparados ainda para segurar sua cabeça. Isso pode afetar as vértebras e gerar dano cerebral, cegueira e até a morte do bebê.

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E se esperamos que o bebê cresça para aplicá-lo?

Esse método no bebê não corrige comportamentos. As crianças agredidas fisicamente podem cumprir as normas por medo dos pais. No entanto, não o fazem porque tomaram consciência da importância das normas, o mais provável é que quando o pai agressor não esteja presente, a criança transgrida a norma.

Mas, as consequências podem ser até maiores. A criança aprende que a violência é a melhor estratégia para:

  • Fazer valer seu ponto de vista.
  • Resolver seus problemas.
  • Não reprimir suas frustrações.
  • Obter o que deseja.
  • Impor respeito.
  • Ter autoridade.

A criança aprende que a violência se justifica. Se estiver em uma posição de poder, usará a violência frente a alguém mais fraco ou indefeso. Quando vemos as alarmantes notícias de violência de gênero ou de violência doméstica, devemos nos perguntar se é o que queremos para nossos filhos.

Em conclusão, se quisermos modelar adultos inseguros, medrosos, violentos, vingativos, recorra ao castigo físico de seu filho que é bebê. Se preferir que seus filhos sejam crianças e logo adultos felizes, é essencial eliminar a violência da criação e educação dos filhos.

  • Aguirre, E., Montoya, L., & Reyes, J. (2006). Crianza y castigo físico. Diálogos4, 31-48.
  • Delgado, J. B., & Miranda, S. (2007). Actitud crítica hacia el castigo físico en niños víctimas de maltrato infantil. Universitas Psychologica6(2), 309-318.
  • Sauceda-García, J. M., Olivo-Gutiérrez, N. A., Gutiérrez, J., & Maldonado-Durán, J. M. (2006). El castigo físico en la crianza de los hijos. Un estudio comparativo. Boletín Médico del Hospital Infantil de México63(6), 382-388.