Características da acne cística

A acne cística é uma variante agressiva da acne. Ocorre principalmente na face, gerando caroços na pele que afetam a estética. Quais são suas causas e como podemos combatê-la?

Última atualização: 19 Fevereiro, 2021

A acne é um distúrbio comum na população, afetando cerca de 80% das pessoas com idade entre 11 e 30 anos. No entanto, nem todas a sofrem com a mesma intensidade. Hoje, falaremos especificamente sobre as características da acne cística, um dos tipos de apresentação mais intensos.

A distribuição etária da acne é clara, afetando os mais jovens. Embora até trinta anos sua prevalência seja relativamente alta, a maioria dos casos ocorre antes dos vinte anos de idade. Entre as variedades de apresentação da acne, temos a acne cística.

Como antecipamos, é uma forma agressiva com lesões muito mais visíveis do que a acne comum. A acne cística é diagnosticada quando há saliências inflamatórias na pele em vez de pequenos pontos pretos. Esses caroços doem e, devido à inflamação, colorem a pele de vermelho.

O local preferido da acne cística é o rosto. Ela provoca deformações nas características faciais, afetando o psicológico de quem sofre com ela. Além disso, evolui com cicatrizes, ao contrário da acne comum.

Embora a face seja o local mais usual de apresentação, também há casos de acne cística no tronco. As lesões aparecem com menos frequência nos membros superiores.

Causas da acne cística

A acne cística surge pelo mesmo mecanismo da acne comum. Ou seja, as glândulas sebáceas da pele ficam obstruídas e não conseguem remover seu conteúdo para o exterior. A função das glândulas sebáceas é lubrificar a pele com a produção de óleo e umedecê-la.

Se os dutos que expelem a gordura para fora estão obstruídos, as bactérias se acumulam dentro da glândula. O que determina a agressividade da acne cística é a característica da bactéria que se aninha nos poros. Nesse caso, os microrganismos são os geradores da inflamação.

A acne cística também tem sido associada aos hormôniosUm papel importante é desempenhado pela testosterona e, portanto, os homens são mais afetados do que as mulheres.

Nas mulheres, observou-se que os ciclos menstruais modificam a evolução da acne cística. É por esse motivo que aquelas com síndrome dos ovários policísticos estão mais expostas.

Sabe-se que mulheres com síndrome dos ovários policísticos tendem a ser obesas. Na obesidade, há mais tecido adiposo, que tem a capacidade de converter os hormônios femininos em testosterona. O aumento da testosterona nessas mulheres explicaria sua associação com a acne cística.

Os homens são os mais afetados pela versão cística da acne. Esta forma de acne é mais agressiva e tende a deixar cicatrizes na pele.

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Características e níveis de apresentação da acne cística

A acne cística nem sempre apresenta os mesmos sintomas. Ela pode ocorrer em três graus diferentes:

  • Leve: nesta forma, até cinco nódulos inflamatórios são contados na pele afetada. Também pode haver até cinco cistos. É uma forma agressiva, mas bastante controlável pelo médico. Geralmente, não requer mais do que um tratamento local com cremes e cuidados gerais.
  • Moderada: a acne cística é moderada com mais de dez lesões nodulares purulentas, mas menos de vinte. É uma forma que já requer o uso de medicamentos orais. Existe um alto risco de deixar cicatrizes no futuro.
  • Grave: é a forma mais agressiva de todas, apresentando mais de vinte lesões por todo o corpo. Os nódulos geralmente ficam inchados e secretam pus. A pessoa afetada sente dor sob pressão e também espontaneamente. É uma variedade que responde mal aos tratamentos e pode até exigir injeções locais de antiinflamatórios. Às vezes, se o pus for excessivo em quantidade, ele deve ser drenado com um procedimento cirúrgico.

A acne cística tende a se localizar na face. No entanto, em alguns pacientes, ocorre em outras partes do corpo.

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Opções de tratamento

Diferentemente da acne cística leve, que pode ser tratada com cremes, o restante das apresentações clínicas requer medicamentos orais ou injetáveis. O profissional de saúde determinará a melhor opção em cada caso.

  • A primeira etapa do tratamento são os antibióticos. Eles tentam destruir as bactérias que se alojaram nas glândulas sebáceas da pele. São tratamentos que duram meses, até um ano.
  • A segunda etapa do tratamento é a espironolactona. Esse medicamento é indicado para mulheres com a doença, principalmente aquelas com síndrome dos ovários policísticos. A espironolactona reduz a produção de testosterona pelas células de gordura.
  • Por fim, a droga mais eficaz, mas restrita a casos particulares, é a isotretinoína. É consumida por via oral e, quando eficaz, reduz a inflamação ao liberar os dutos obstruídos das glândulas sebáceas. O problema da isotretinoína são seus graves efeitos adversos. Só pode ser indicada por um médico especialista que efetue controles regulares. Nas mulheres que o consomem, é fundamental que a gravidez não ocorra durante o tratamento, pois ela provoca alterações fetais.

Se você sabe que sofre de acne cística ou está em dúvida após conhecer as suas características, é fundamental consultar um médico ou dermatologista. Seu grau de afetação será determinado, estabelecendo o tratamento adequado. É muito importante que você não inicie tratamentos por conta própria, pois eles podem piorar a condição em vez de aliviá-la.

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