Calcificação no ombro: sintomas e causas

A calcificação no ombro é uma patologia muito dolorosa e incapacitante. As pessoas que sofrem com ela veem seus movimentos no membro superior limitados, e as atividades da vida diária prejudicadas.
Calcificação no ombro: sintomas e causas
Leonardo Biolatto

Escrito e verificado por o médico Leonardo Biolatto.

Última atualização: 27 maio, 2022

A calcificação no ombro também é conhecida como tendinite calcificada do ombro. Como o próprio nome indica, a doença ataca esta grande articulação que regula o movimento do membro superior, e seu efeito resulta na limitação do ângulo de abertura do braço.

Uma maior frequência de manifestação tem sido registrada entre as mulheres com mais de 40 anos e, sobretudo, no lado que elas mais utilizam; ou seja, pessoas destras a sofrem no lado direito e as canhotas no ombro esquerdo. Há também manifestações clínicas bilaterais, embora sejam menos comuns.

Causas da calcificação no ombro

Calcificação no ombro.

A base desta patologia é o acúmulo de cálcio em um dos tendões mais importantes da anatomia humana: o tendão do manguito rotador do músculo supraespinhal. Trata-se de um tecido mole com funções fundamentais para a mobilidade do ombro.

A bursa do acrômio também pode ficar calcificada nessa condição. Bursas são bolsas com fluido articular que permitem lubrificar a união entre dois ossos. Neste caso, a afetada é aquela abaixo do osso acrômio.

A realidade é que, atualmente, a origem precisa da calcificação no ombro não é clara. Uma vez que o acúmulo de minerais é detectado, é difícil identificar por que o problema começou. Acima de tudo existe uma certa confusão, porque ela é diagnosticada em pessoas que não têm um histórico claro de trauma.

A presença de artrose ou artrite focada em outras articulações não é um indicativo ou fator de risco. Da mesma forma, as alterações hormonais não estão diretamente ligadas à tendência de depósito de cálcio.

Nesse sentido, para muitos especialistas estamos lidando com uma doença típica do ombro, ou seja, típica desta articulação e de nenhuma outra. Esse é um caso diferente em relação a uma patologia como a artrite reumatoide, que é mais generalizada e ataca a articulação como parte de toda a síndrome.

Os estudos científicos são inconclusivos quanto à relação com o esporte. Embora existam registros pontuais de pessoas que sofrem de calcificação no ombro devido ao uso excessivo, essa não é a regra. No outro extremo, ela não pode ser atribuída a um estilo de vida sedentário.

Sintomas da tendinite calcificada do ombro

Mulher com dor no ombro.
A origem precisa da calcificação no ombro ainda não é clara.

A dor é o primeiro sinal da calcificação do ombro. Sua intensidade depende do estágio evolutivo do distúrbio, pois a princípio nada mais é do que um incômodo temporário, enquanto o cálcio vai sendo depositado. Em um segundo estágio, o ataque é agudo e incapacitante.

Isso não significa necessariamente que a patologia esteja piorando em termos da quantidade de mineral aderido. Ao contrário, em muitas ocasiões o aumento da dor corresponde à reabsorção de cálcio que o corpo está fazendo.

Os acúmulos maiores são mais incômodos, embora possam não doer tanto. O problema com tamanhos volumosos é que eles rompem as estruturas vizinhas e endurecem os tecidos. Na anquilosagem, células e fibras que deveriam ser mais flexíveis endurecem, tornando a articulação rígida.

Esta é a situação da capsulite adesiva. Trata-se de uma complicação na calcificação do ombro que limita a abertura do braço e leva a uma perda de força, dificultando o ato de segurar objetos com a mão ou levantar o braço acima da cabeça para alcançar algo.

O tempo de evolução é altamente variável. Mesmo estabelecendo um tratamento, cada pessoa responde de forma diferente e pode ficar entre meses e anos com a condição.

Diagnóstico e tratamento

Médico vendo um paciente com calcificação no ombro.
O tratamento para o paciente com calcificação no ombro pode incluir anti-inflamatórios e fisioterapia.

Após a consulta para a dor no ombro, o próximo passo lógico é solicitar uma radiografia da articulação para avaliá-la. De qualquer forma, este método complementar não costuma ser decisivo, servindo apenas para descartar outros processos, pois é difícil que ele expresse o cálcio acumulado como tal.

Nesta parte do processo de diagnóstico são utilizadas a ecografia de tecidos moles e a ressonância magnética nuclear. Nesses casos há mais possibilidades de registrar sinais de degeneração dos tendões afetados. Um dos sinais clássicos é o estreitamento do espaço articular no ombro, denotando o aumento do contato entre os tecidos ósseos.

Após a certificação da tendinite calcificada, o traumatologista indicará uma abordagem que, a princípio, costuma ser conservadora. Esta baseia-se na prescrição de anti-inflamatórios e sessões de fisioterapia.

As abordagens validadas são diversas dentro da fisioterapia. Há profissionais que preferem usar manobras manuais, enquanto outros preferem ondas de choque ou aparelhos de temperatura. Em geral, o frio local é o método preferido.

A abordagem cirúrgica é reservada para os casos mais resistentes ao tratamento conservador. A técnica mais utilizada é a punção do trocarte, que consiste em inserir uma agulha especial no ombro para absorver a calcificação.

Quando devo me consultar?

Se aparecer uma dor no ombro que se intensifica com o movimento, é um bom momento para consultar. Especialmente se uma limitação no movimento do braço for adicionada ao tentar pegar objetos ou ao levantá-los acima da cabeça.

Embora muitos dos casos se resolvam com o tempo, é necessário chegar ao diagnóstico por meio de métodos complementares. Um simples ultrassom pode ser suficiente para determinar a presença de calcificação do ombro e tratá-la adequadamente.

Pode interessar a você...
Entenda o que é a tendinite calcária
Melhor Com Saúde
Leia em Melhor Com Saúde
Entenda o que é a tendinite calcária

A tendinite calcária é uma doença caracterizada pela calcificação nos tendões que movimentam o ombro. É uma causa de dor comum nos pacientes de 40 ...



  • Pereira Quispeynga, Mario Luis. “Prevalencia de lesiones del manguito rotador en pacientes con hombro doloroso evaluados por ecografía en el Servicio de Radiología del Hospital Cayetano Heredia, octubre 2018-marzo 2019.” (2019).
  • Miranda, I., et al. “Tendinitis calcificante de hombro con extensión intraósea: experiencia con el tratamiento artroscópico y revisión de la literatura.” Revista Española de Cirugía Ortopédica y Traumatología 64.1 (2020): 13-21.
  • Ugalde Ovares, Carlos Eduardo, Daniel Zúñiga Monge, and Ricardo Barrantes Monge. “Actualización del síndrome de hombro doloroso: lesiones del manguito rotador.” Medicina legal de costa rica 30.1 (2013): 63-71.
  • De la Rosa-Morillo, F., J. C. Galloza-Otero, and W. Micheo. “Rehabilitacion del hombro doloroso en el atleta joven.” Rehabilitación 53.2 (2019): 85-92.
  • Galán, Cristina Narváez, et al. “Efectividad del lavado aspiración percutáneo ecodirigido como tratamiento de la tendinitis calcificante del hombro.” Seram (2018).
  • Rodríguez, Javier José Mateos, et al. “Miositis del subescapular. Una evolución infrecuente en la tendinopatía calcificada. Estudio de un caso.” Revista Colombiana de Reumatología (2020).
  • Serrano Ardila, Ana María, and Sergio Abush Torton. “Capsulitis adhesiva.” Anales Médicos de la Asociación Médica del Centro Médico ABC 62.1 (2017): 37-43.
  • Gramajo Arriola, Erick Juan José, and Samuel Eduardo García Díaz. Diagnóstico del ultrasonido en el hombro doloroso. Diss. Universidad de San Carlos de Guatemala, 2016.
  • Herrera, Elizabeth O’Relly, et al. “Ondas de choque en el tratamiento de tendinitis calcificada del supraespinoso en adulto mayor.” Revista Cubana de Medicina Física y Rehabilitación 8.2 (2017).