Bronquiolite: causas, sintomas e tratamento

A bronquiolite afeta até 20% das crianças com menos de 2 anos de idade. É muito mais provável que se manifeste sintomaticamente na população infantil imunocomprometida.
Bronquiolite: causas, sintomas e tratamento

Última atualização: 27 Junho, 2021

A bronquiolite aguda (AB) é uma doença muito comum na infância. Sua incidência anual aproximada em qualquer lugar do mundo é de 10%. Ou seja, 1 em cada 10 crianças com menos de 2 anos a apresenta todos os anos. Além disso, é a causa mais comum de internação hospitalar por infecções respiratórias nessa faixa etária (1-5%).

Não há consenso quanto à definição de bronquiolite, mas geralmente está associada a episódios de dificuldade respiratória com chiado precedidos por um quadro clínico de natureza catarral. Se você deseja saber tudo sobre essa doença, continue lendo.

Causas da bronquiolite

Bebê fazendo lavagem nasal
A bronquiolite é uma infecção pulmonar bastante comum em crianças com menos de 2 anos de idade.

Como indica a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a bronquiolite é uma infecção pulmonar comum em crianças pequenas. Do ponto de vista clínico, caracteriza-se pelo acúmulo de muco nas menores vias aéreas dos pulmões (bronquíolos). Geralmente, é causada por uma invasão viral.

De acordo com a revista Pediatría Integral, a bronquiolite ocorre em epidemias durante o inverno e no início da primavera. O grupo populacional mais afetado são as crianças entre 3 e 6 meses de idade. A seguir, apresentamos alguns dos agentes causais mais comuns.

1. Vírus sincicial respiratório (VSR)

Um vírus RNA de fita simples de sentido negativo da família dos paramixovírus (Paramyxoviridae) é o responsável por 56% dos pacientes com bronquiolite que requerem internação hospitalar. É onipresente na maior parte do mundo e a estimativa é que quase todas as crianças no mundo já tenham apresentado a doença aos 4 anos de idade.

Aproximadamente 70% dos lactentes são infectados pelo VSR no primeiro ano de vida. Muitos deles são assintomáticos.

2. Rinovírus

É um gênero de vírus da família Picornaviridae. São os agentes infecciosos mais comuns em humanos (causadores de resfriados) e existem mais de 110 tipos sorológicos capazes de provocar sintomas em nossa espécie. Embora menos comuns do que os VSRs, os rinovírus também podem causar bronquiolite em bebês e crianças.

3. Vírus parainfluenza tipo 3

O portal MSDmanuals nos mostra que os vírus parainfluenza são classificados em 4 tipos. O tipo 3 é o que mais causa bronquiolite, mas as variantes 1 e 2 também podem causá-la de forma excepcional. As infecções causadas por parainfluenza são indistinguíveis das provocadas pelo VSR, mas costumam ser menos graves.

Para saber mais: A bronquite é contagiosa?

Fatores de risco

A bronquiolite pode afetar a todos, mas é muito mais comum em crianças lactentes e imunocomprometidas. Conforme indicado pelo site KidsHealth, alguns dos fatores de risco mais comuns são os seguintes:

  1. Ser um bebê ou criança pequena: o nariz e as vias respiratórias são muito mais frágeis do que os dos adultos. Sua árvore brônquica é mais curta e tem um diâmetro menor, portanto, diante de uma inflamação, as chances de obstrução são muito maiores.
  2. Pertencer ao grupo de bebês e crianças que nasceram de partos prematuros.
  3. Crianças com sistema imunológico comprometido ou que têm doenças pulmonares e cardiovasculares concomitantes.
  4. Exposição à fumaça do cigarro, presença constante em ambientes com alta densidade de crianças e exposição a certos compostos químicos tóxicos.

Em geral, ser criança é o fator de risco mais relevante. Como já dissemos, aproximadamente 70% das crianças entram em contato com o vírus sincicial respiratório no primeiro ano de vida. No entanto, isso não significa que vão apresentam bronquiolite: apenas 22% desenvolvem sintomas.

Sintomas da bronquiolite

A Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos lista alguns dos sintomas mais comuns da bronquiolite em bebês e crianças. No entanto, nem todos os desenvolvem. Entre eles, podemos encontrar os seguintes:

  1. Dificuldade respiratória, incluindo chiados e falta de ar.
  2. Tosse, fadiga e febre. Esses são alguns dos sinais clínicos precedentes à bronquiolite, típicos de uma infecção catarral.
  3. Os músculos ao redor das costelas afundam quando a criança tenta inspirar. As fossas nasais do bebê se dilatam quando ele respira, com a intenção de pegar mais ar a cada ciclo de inalação.
  4. Taquipneia, ou seja, respiração rápida.

Normalmente, a bronquiolite se manifesta entre 24 e 48 horas após os sinais clínicos prévios. A duração média dos sintomas é de 12 dias, embora até em 18% dos bebês e das crianças afetadas o quadro clínico se prolongue por 21 dias, podendo excepcionalmente chegar a um mês (9%).

Possíveis complicações

Nebulização em bebês
Na presença de dificuldade respiratória, consulte um médico.

Conforme indicam as fontes já citadas, a perda da capacidade respiratória do neonato pode ser fatal. Se seu filho já apresentou sintomas de bronquiolite e um dia você percebe que a pele dele está com um tom azulado (cianose), é fundamental levá-lo a um pronto-socorro. A cianose indica uma falta de ar muito grave.

Pausas na respiração, desidratação e baixos níveis de oxigênio no sangue também são sinais clínicos que indicam gravidade considerável da bronquiolite. Eles só são vistos (na grande maioria dos casos) em bebês prematuros ou com alguma doença prévia.

Quais são as opções de tratamento existentes?

Segundo o site especializado Neumoped, não existe qualquer medicamento que facilite a cura da bronquiolite. Por se tratar de uma doença viral, só podemos esperar que o sistema imunológico do bebê ou da criança seja capaz de combater os vírus por conta própria. De qualquer modo, a maioria dos casos é leve e não requer ação médica.

É necessário ressaltar que, nessas ocasiões, recorrer ao uso de antibióticos não serve de absolutamente nada. Pode somente piorar o quadro clínico ao encorajar as cepas bacterianas que vivem dentro da criança a se tornarem mais fortes em longo prazo.  De qualquer modo, a abordagem muda drasticamente no caso de crianças internadas.

Tratamento hospitalar

Quando um bebê é internado por bronquiolite, a maior preocupação é que ele recupere um ritmo respiratório normal. Para isso, é aplicado oxigênio (30-40%) em uma cânula nasal ou máscara facial a fim de manter a saturação de oxigênio acima de 90%. A intubação endotraqueal é necessária nos casos mais graves.

Por outro lado, outro objetivo é que o paciente recupere também o equilíbrio hídrico natural. Para isso, são administradas doses de soro por via oral e, nos casos mais graves, por via intravenosa (IV).

Recomendações em casa

A grande maioria dos casos é tratada em casa com paciência e dedicação. Embora não seja possível ajudar a criança a combater a doença, seus sintomas podem ser reduzidos com uma série de ações muito simples. Entre eles estão as seguintes:

  • Manter o bebê ou a criança hidratada: certifique-se de que o pequeno receba a quantidade adequada de líquidos para evitar a desidratação em decorrência da doença.
  • Fazer lavagens nasais frequentes: é possível encontrar nas farmácias soros de venda livre que ajudam a descongestionar as vias respiratórias superiores em bebês, crianças e adultos. Isso vai facilitar a respiração do paciente.
  • Manter o tronco elevado, mesmo ao dormir: isso promoverá uma circulação adequada de ar, muito melhor do que se o bebê ou a criança estivesse deitada.
  • Usar um umidificador: é sempre uma boa ideia colocar um umidificador no quarto do bebê ou da criança doente, principalmente na hora de dormir. Isso amolecerá o muco acumulado e, portanto, os sintomas de tosse e congestão nasal serão aliviados.

Uma doença comum que geralmente se resolve por conta própria

Como já dissemos em linhas anteriores, a bronquiolite é uma doença extremamente comum em bebês e crianças e, portanto, não há necessidade de se preocupar em excesso. A grande maioria dos casos se resolve sozinha, então basta ter paciência e seguir algumas instruções em casa para que a criança fique mais confortável.

De qualquer modo, se você notar algum dos sinais clínicos mencionados na seção “Possíveis complicações”, é imprescindível procurar um pronto-socorro imediatamente. Se a capacidade respiratória da criança estiver seriamente comprometida, sua vida estará em perigo em curto prazo.

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