Bronquiolite em bebês: tudo que você precisa saber

26 Agosto, 2020
Diferentes infecções respiratórias e até sintomas de alergia podem causar alterações do trato respiratório em crianças. A bronquiolite tem características particulares e geralmente afeta bebês e crianças pequenas.

A chegada de estações como o outono e o inverno em diferentes latitudes preocupa famílias e profissionais de saúde. A razão geral é o aumento dos casos de doenças respiratórias. Quanto mais jovem for a criança que sofre de bronquiolite, maior será a preocupação, e ainda mais quando se trata de bebês.

Bronquiolite em bebês

A bronquiolite é uma doença das vias respiratórias que ocorre quando os bronquíolos (a parte menor e final dos brônquios) ficam inflamados devido a uma infecção geralmente de origem viral. Assim, esses canalículos apresentam edema e aumento de secreções que podem causar dificuldade para respirar.

Segundo informações apresentadas no site da Associação Espanhola de Pediatria, a bronquiolite é mais frequente em bebês com menos de um ano e representa 18% de todas as internações pediátricas. O vírus mais comum é o sincicial respiratório (VSR), mas os adenovírus e o vírus influenza também podem ser responsáveis.

Bebê em consulta pediátrica
A bronquiolite em bebês causa falta de ar e sintomas semelhantes aos dos resfriados.

Qual é a forma mais comum de surgimento da bronquiolite?

Após um breve período de incubação, podem aparecer manifestações semelhantes às de um resfriado comum. Portanto, seus sintomas incluem espirros, coriza, tosse e episódios de febre moderada.

Progressivamente, a tosse se torna mais persistente e o que parecia ser uma doença banal se torna motivo de grande preocupação. Assim, são adicionados aos sintomas iniciais irritabilidade, falta de apetite, respiração agitada e com dificuldade. Este último sintoma, de intensidade crescente, atinge sua expressão máxima em geral em 24 ou 48 horas, momento em que ocorre a maioria das internações, e depois melhora gradualmente.

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Dados de interesse…

Conforme relatado pela Dra. M.ª Luz García, do Serviço de Pediatria do Hospital Universitário Severo Ochoa, Universidade Alfonso X El Sabio. Madrid:

“A maioria é de formas leves e os sintomas desaparecem em menos de uma semana, embora a tosse, que é o último sintoma a desaparecer, possa persistir por até 3-4 semanas”.

O que devemos fazer quando os primeiros sintomas de bronquiolite aparecem em bebês?

  • Por um lado, é essencial manter a calma para que possamos agir com tranquilidade.
  • É importante garantir uma boa hidratação do bebê para ajudar a fluidizar as secreções. Além disso, deve-se ter em mente que, às vezes, a agitação e o aumento da frequência respiratória exigem que a ingestão de líquidos seja feita em quantidades muito pequenas e com maior frequência.
Hidratação em bebês
Garantir a hidratação adequada é decisivo para ajudar a criança a fluidizar as secreções. O leite materno é a melhor opção para os bebês.

Nesse sentido, a Dra. Ana María Balanzat, chefe do Departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas de Buenos Aires, Argentina, declarou que:

“O aspecto crítico da patologia ocorre quando a doença progride e o pulmão não consegue cumprir sua função básica de oxigenação, levando a um quadro de insuficiência respiratória”.

A falta de oxigênio no sangue e tecidos e o acúmulo de dióxido de carbono podem pôr em risco a vida da criança que sofre com isso. “Nestas situações, são necessárias hospitalização e administração de oxigênio” – explicou.

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Conclusão

Considerando que a bronquiolite geralmente afeta bebês e crianças muito pequenas, é importante consultar um profissional de saúde que avalie o estado do pequeno paciente, o tipo de respiração e a hidratação, bem como a presença ou ausência de febre.

Outro elemento que deve ser destacado é evitar o uso de tabaco e ambientes com alta quantidade de poluição. Como um estudo publicado na revista médica BMJ Open conclui: “No contexto da exposição à poluição do ar, o uso do tabaco causa uma perda adicional da função pulmonar e agrava os sintomas respiratórios”.

Sugere-se, portanto, realizar visitas de acompanhamento periódicas após o tratamento ter sido estabelecido para estar alerta para possíveis complicações. Mesmo que a evolução da doença seja a desejável ou esperada, esse controle deve ser mantido.

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