O que é a braquidactilia?

A braquidactilia é uma malformação dos dedos das mãos ou dos pés. Não traz nenhum risco do ponto de vista médico, mas afeta a aparência.
O que é a braquidactilia?

Última atualização: 17 Fevereiro, 2021

A braquidactilia é uma anomalia das mãos e dos pés. É uma condição hereditária em que um ou mais dedos são mais curtos do que os outros. Não provoca sintomas adicionais e não requer tratamento médico.

Geralmente, a braquidactilia é descoberta no nascimento. No entanto, também é possível detectá-la durante a gravidez. De qualquer forma, essa malformação é muito rara: ocorre em apenas 1 de cada 2.500 nascimentos.

O mais comum é que ela não esteja acompanhada por outras anormalidades anatômicas. No entanto, em raras ocasiões, há outras malformações dos dedos, tais como sindactilia, polidactilia, redução de membros ou sinfalangia.

Causas da anormalidade

A braquidactilia tem origem genética. É comum que essa condição esteja presente em vários membros da mesma família. É considerada uma condição autossômica dominante, ou seja, basta que um dos pais tenha o gene da anomalia para que ela seja herdada.

O consumo de alguns medicamentos pela mãe durante a gravidez pode contribuir para o seu surgimento. Também é possível que ela esteja relacionada a problemas circulatórios nas mãos e nos pés de fetos em desenvolvimento. Além disso, às vezes a braquidactilia é um sintoma de outras condições mais complexas, tais como síndrome de Down, síndrome de Rubinstein-Taybi e acondroplasia.

A braquidactilia é genética
A doença é genética, e basta que um dos pais tenha a mutação para transmiti-la aos filhos.

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Sintomas de braquidactilia

O único sintoma visível da braquidactilia é o comprimento irregular dos dedos das mãos e dos pés. Está presente desde o momento do nascimento, mas às vezes não é detectada a olho nu. No entanto, conforme a criança vai crescendo, ela se torna mais evidente.

Tipos de braquidactilia

Existem diferentes tipos de braquidactilia, dependendo dos dedos e dos ossos afetados. A partir desse ponto de vista, a anomalia é classificada nos seguintes grupos:

  • Tipo A: quando as falanges médias são encurtadas, ou seja, a parte do meio dos dedos. Se afetar todos os dedos, é denominada A1. No indicador e no dedo mínimo, seria A2. Apenas no dedo mínimo, é chamada de A3.
  • Tipo B: quando a extremidade do dedo mínimo é mais curta ou não existe. Acontece tanto nas mãos quanto nos pés. O mais comum é que os polegares sejam completos, porém separados ou achatados.
  • Tipo C: afeta os dedos mínimo, médio e indicador. As falanges médias são mais curtas. No entanto, o dedo anelar permanece intacto.
  • Tipo D: corresponde apenas aos polegares, que apresentam um encurtamento na extremidade. É um dos tipos mais comuns.
  • Tipo E: neste caso, o terceiro e o quarto metacarpo e metatarso são mais curtos. Esses ossos são encontrados na palma da mão e no médio pé, respectivamente.

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Alguns tipos mais complexos

Em alguns casos, a braquidactilia é acompanhada por outras condições mais complexas. A sindactilia é uma delas e tem a ver com a presença de dois ou mais dedos unidos por uma membrana, de forma parcial ou total.

Também é possível que haja polidactilia, ou seja, a presença de um maior número de dedos nas mãos e nos pés. Isso afeta 1 em cada 500 nascidos vivos. Outra anomalia simultânea pode ser a sinfalangia, na qual as articulações dos dedos têm mobilidade reduzida ou há ausência dela.

Finalmente, a braquidactilia também pode ser acompanhada pela redução dos membros. A mão ou o pé são menores do que o normal. Isso ocorre porque o membro não é totalmente formado durante a gestação.

A braquidactilia
A abordagem cirúrgica da malformação é possível, mas nem sempre deve ser recomendada.

Como a braquidactilia é tratada?

Conforme já observamos, a braquidactilia em si não requer nenhum tratamento médico. Na maioria dos casos, ela não representa uma limitação nem atrapalha o desempenho das tarefas cotidianas ou a mobilidade. Também não causa dor ou outros sintomas.

Existem casos raros de problemas de funcionalidade. Pode haver dificuldade para segurar objetos ou andar normalmente, por exemplo. Se isso ocorrer, a fisioterapia costuma ser indicada como forma de melhorar a funcionalidade e a resistência das áreas afetadas.

Além disso, também é possível recorrer a dispositivos de adaptação para corrigir o problema. A cirurgia plástica também pode ser realizada, mas só é indicada nos casos em que haja uma disfunção que não possa ser corrigida por outros meios ou por motivos estéticos.

Este tipo de cirurgia é muito raro. Quando realizada, é comum que sejam necessárias várias intervenções. Se a malformação estiver associada a outra patologia, a evolução vai depender do tratamento global.

A braquidactilia é um problema estético

A maioria das pessoas com braquidactilia pode viver de forma completamente normal. Embora a aparência das mãos ou dos pés possa gerar certas inibições, elas não apresentam qualquer desvantagem do ponto de vista da saúde física.

Seria recomendável que aqueles com esta anomalia recebessem ajuda psicológica. É possível aprender a aceitar essa condição física e conviver com ela sem complexos. Talvez essa seja a melhor alternativa, pois nem sempre ela pode ser tratada com cirurgia, nem é bom fazê-la obrigatoriamente.

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