5 coisas que você ainda não sabe sobre a minha depressão

· 20 de novembro de 2016
A pessoa que sofre de depressão não deseja estar constantemente triste e absorta em seus pensamentos. Na verdade, ela é quem mais vontade tem de sair desse cárcere pessoal.

A depressão é uma das doenças mentais mais comuns em nossa sociedade. Estima-se que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ela afeta quase 350 milhões de pessoas, e que nos próximos anos esse número pode aumentar.

Também não podemos esquecer que este transtorno atinge crianças e uma boa parte da população mais jovem.

A depressão resulta num grande número de suicídios todos os anos, mas os dados nem sempre são divulgados.

Falamos, sem dúvida, de uma das doenças chamadas “invisíveis”. Também é o caso da fibromialgia, do lúpus ou do transtorno bipolar.

São sofrimentos que não podem ser percebidos apenas com a visão, que não deixam feridas e com que a população em geral pode não empatizar.

Também não é fácil para os profissionais da saúde diagnosticar ou tratar essas doenças. Durante as consultas de atenção primária, os médicos quase não têm tempo de avaliar a fundo o paciente, e há ocasiões em que não é possível realizar um bom diagnóstico.

Quando se obtém um bom diagnóstico, os tratamentos farmacológicos utilizados nem sempre são tão eficazes. Necessita-se também de um enfoque psicoterapêutico e de um apoio de nossa sociedade e de instituições para ser mais receptivo a essas realidades.

Talvez por isso as pessoas afetadas se sintam sozinhas, em muitos casos. Hoje, em nosso espaço, queremos falar sobre uma série de dimensões que todos deveríamos conhecer sobre esta doença.

1. A depressão não se cura de um dia para o outro

mulher_triste_olhando_para_baixo

O tempo de cura ou de superação de uma depressão depende de sua gravidade.

O mais complexo disso é que as pessoas ao redor, muitas vezes, podem pressionar o paciente com frases pouco adequadas, como “seja mais positivo“, ou “isso não é nada, veja as coisas de outra forma“.

Leia também: Como demonstrar amor a uma pessoa deprimida

  • É necessária uma reestruturação interior muito delicada. Além dos medicamentos, a pessoa deve fazer uma viagem interna muito complexa para aprender a focar de outro modo seus pensamentos, suas emoções…
  • É possível que, após três meses com o tratamento farmacológico, a pessoa experimente melhoras. No entanto, às vezes podem restar sintomas residuais, como cansaço, insônia ou fadiga. Dimensões que, num certo momento, poderiam reativar a doença.

É necessário tempo, apoio, paciência e muita coragem.

2. A depressão se manifesta, muitas vezes, com a ansiedade

Às vezes, muitas pessoas tardam bastante tempo para receber seu diagnóstico, porque ele se confunde com outros aspectos.

Recomendamos ler também: “Mau humor e apatia crônica, razões para levar em conta

O que você tem é estresse, você deve levar as coisas com mais calma“, ou “Vou lhe receitar algo para sua ansiedade…

Todas essas são, sem dúvida, abordagens incorretas. Porque a depressão tem muitos rostos, muitos comportamentos que nem sempre se vê à primeira vista.

  • Cerca de 65% dos pacientes com depressão podem experimentar um alto nível de ansiedade.
  • Muitos deles manifestam mau humor, apatia, aborrecimento constante e a impossibilidade de desfrutar de qualquer coisa.

É necessário consultar um bom profissional para que nos ofereça um diagnóstico adequado.

3. Minha depressão não se deve à tristeza

homem_deprimido

É comum associar um estado depressivo com a tristeza. No entanto, na maioria das vezes, é como uma “bola de neve” na qual se integram muitos aspectos. Muitas “pequenas coisas” que edificam um autêntico muro.

  • O sentimento de estar indefeso, a decepção, a frustração, a raiva, as preocupações, o medo… São múltiplos “pequenos nadas” que vão encerrando, pouco a pouco, a pessoa em seu cárcere pessoal.
  • Também não podemos esquecer que o componente genético tem um peso importante.
  • Ainda assim, processos como a depressão durante o inverno, relacionada com a falta de luz solar, e a solidão, também são outra realidade que é preciso saber valorizar.

Em resumo, uma depressão tem múltiplas origens, desde situacionais, emocionais, até bioquímicas.

4. Ninguém escolhe esta doença

mulher_cobrindo_rosto_triste

Uma depressão não é sinônimo de fraqueza, de falta de coragem ou de um caráter que não desenvolve boas estratégias pessoais. Na verdade, todos nós podemos experimentar um transtorno mental em qualquer momento de nossa vida.

Ninguém é imune ao sofrimento, ou até a uma alteração nos nossos neurotransmissores. Não podemos esquecer que a depressão é, em muitos casos, um “naufrágio químico” de nosso cérebro, onde nem sempre temos pleno controle.

5. Você precisa entender que a depressão distorce meus pensamentos

Esta doença se apropria da pessoa em todos os sentidos. Tira sua energia, a motivação e até a autonomia.

Deixamos de nos preocupar com nosso asseio, se devemos comer ou não. Além disso, é muito provável que ponha em nossa boca palavras que não desejamos pronunciar.

Leia também: “Não existe melhor calmante do que o abraço que afasta os medos

  • O mau humor, a irritação, negar-se constantemente a sair de casa, a fazer planos, a passar bons momentos em companhia, é algo muito complexo para muitas famílias.
  • É necessário que o entorno compreenda quem sofre com esta doença. Que seja sensível ao fato de ser a própria doença que fala, e que devemos ter paciência e sermos mais amáveis, afetuosos.

Cedo ou tarde, este túnel de obscuridade é superado. A coragem interior e o apoio da família e de bons especialistas são, sem dúvida, os melhores pilares para conseguir isso.