Um medicamento para diminuir a quimioterapia no pulmão

· 22 de junho de 2017
Diminuir a quimioterapia significa paliar seus efeitos secundários e dar o primeiro passo para fazer com que essa doença, em geral, letal, passe a ser apenas crônica.

Mesmo quando nos dizem que vamos nos curar, todos tememos o câncer. Realmente, quem vivenciou essa doença de perto afirma que o pior do processo não é o tratamento em si, mas seus efeitos adversos.

Por isso, a comunidade científica está buscando soluções para diminuir a quimioterapia, mantendo a eficácia necessária.

Não é fácil, sobretudo no caso do câncer de pulmão. Mas estão sendo realizados avanços muito importantes, como o que apresentamos a seguir.

No entanto, antes de mais nada, queremos relembrar as consequências de receber um tratamento de quimioterapia. Além da conhecida queda de cabelo, costumam estar presentes:

  • Mal-estar geral
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Dores agudas
  • Danos a outros órgãos

Trata-se de uma medicação tão forte que pode prejudicar órgãos que estavam saudáveis inicialmente. E devemos levar em conta que, em nosso interior, está ocorrendo uma batalha celular.

As células malignas querem matar as boas para sobreviver e, para isso, concentram toda a sua força. Assim, para acabar com as atacantes, nos vemos obrigados a pôr em risco os tecidos que estão saudáveis.

quimioterapia no pulmão

Nesse sentido, os cientistas buscam alternativas que eliminem esses inconvenientes. O objetivo é claro: melhorar a qualidade de vida de doentes e sobreviventes.

A imunoterapia, essencial para diminuir a quimioterapia no pulmão

Cientes do que acabamos de dizer, pensou-se que o melhor caminho fosse fortalecer as células que se encontram em bom estado, em vez de tentar assassinar as malignas. Isso é o que se chama imunoterapia.

No entanto, apesar dos sucessos nesse sentido, não foi bem-sucedido no pulmão. Quando se percebeu esse problema, estudaram como se comportam os tumores de pulmão para conseguir aprimorar o tratamento.

Assim, averiguaram que eles desenvolviam barreiras que impediam que o medicamento entrasse em contato com seu objetivo. Ao passo que, em outros casos, o sistema imune desenvolvia um tipo de tolerância ao mesmo.

Ver também: Dieta para desintoxicar seus pulmões

quimioterapia no pulmão

Portanto, a seguinte pergunta estava clara: “O que fazer para que a medicação para diminuir a quimioterapia no pulmão consiga contornar esses obstáculos?”

Uma equipe de oncologistas do Hospital 12 de Outubro de Madrid (Espanha) conseguiu traçar o caminho para a resposta.

O tratamento já não se foca ao sistema imune em geral, mas sim em uma proteína mais específica, a PD1.

O doutor Gil Bazo, especialista em oncologia médica, explica que, quando essa proteína se encontra com outra, a PD-L1, e elas se unem, o tumor não a identifica como inimiga e a deixa passar.

Foi assim que surgiu um medicamento que está despertando tanta esperança, o Pembrolizumab. No entanto, ele não pode ser usado em todos os casos.

Sua eficácia depende da presença da PD-L1, e essa proteína tem que superar os 51%, levando em conta que, se não for assim, a ação da fusão das proteínas resulta ineficaz.

O medicamento pode tornar o câncer de pulmão uma doença crônica

quimioterapia no pulmão

Em outros artigos, falamos sobre terapias que, ainda que não consigam eliminar o tumor, permitem ampliar a expectativa de vida. É evidente que, essa vida não será assintomática, mas será uma vida.

Além disso, chegados a esse ponto, é inevitável pensar na sífilis, na tuberculose, na asma, etc. Todas essas doenças eram, há algum tempo, incuráveis e letais. No entanto, isso é muito diferente hoje em dia.

Essas e outras doenças similares desapareceram ou se tornaram parte da vida dos doentes, mas sem impedi-los de desfrutá-la.

Assim, além de paliar os efeitos adversos da quimioterapia, estamos dando os primeiros passos para controlar um dos tumores mais letais.

O câncer de pulmão é uma doença muito agressiva, cujo aparecimento pode estar ligado a hábitos de vida muito específicos, que muita gente tem dificuldade de abandonar. Isso o torna um dos mais difíceis de tratar e, portanto, um dos mais mortais.

A  aprovação do Pembrolizumab por parte da Comissão Europeia nos coloca na linha de partida de uma corrida apaixonante. Uma corrida em que, por fim, podemos ter chances de vitória. Viver sem renunciar a sua dignidade sempre é uma vitória.

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Cientes disso, os oncologistas continuam centrando esforços para dar o passo seguinte. Eles sabem melhor do que ninguém que, em questões de medicina e ciência, não há nunca como dizer a última palavra.

De fato, chegamos até aqui porque eles não se renderam, porque não aceitaram o estabelecido como intransponível.

Assim, eles encarnam o melhor espírito revolucionário. Aquele que se rebela diante do “não é possível” para melhorar a vida dos demais.

  • Reck, M., Rodríguez-Abreu, D., Robinson, A. G., Hui, R., Csőszi, T., Fülöp, A., … Brahmer, J. R. (2016). Pembrolizumab versus Chemotherapy for PD-L1–Positive Non–Small-Cell Lung Cancer. New England Journal of Medicine. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1606774