Tipos de poliomielite

A poliomielite é uma doença de origem viral que é quase coisa do passado, já que conseguimos controlá-la na maioria dos países do mundo. Ainda assim, é interessante saber mais sobre ela.
Tipos de poliomielite

Última atualização: 08 Janeiro, 2021

Existem diferentes tipos de poliomielite (polio em sua forma abreviada). Todas são doenças infecciosas que afetam principalmente o sistema nervoso. Fontes internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, relatam que essa patologia é causada por um poliovírus, um agente viral composto por RNA e uma cápsula de proteína.

De acordo com vários estudos, três sorotipos (diferentes variedades) foram identificados. O sorotipo 2 foi detectado pela última vez na Índia em 1999, por isso é considerado erradicado da natureza. Ainda assim, as variantes 1 e 3 continuam circulando entre a população atualmente. Ambos são altamente infecciosos e causam a poliomielite paralítica.

Sobre a pólio e sua distribuição

A Organização Mundial da Saúde relata certos números que nos permitem ter uma ideia da situação global do poliovírus. Alguns deles são os seguintes:

  • Essa patologia tem uma faixa etária favorita, pois afeta principalmente crianças menores de cinco anos.

Como podemos ver, a poliomielite é uma doença quase do passado. Ainda assim, deve-se tomar cuidado, pois estima-se que se o vírus não for erradicado dos últimos redutos, mais de 200.000 novos casos podem ocorrer em menos de 10 anos.

Bebê tomando vacina
A vacinação contra a poliomielite tem tido um bom resultado, alcançando a quase erradicação do vírus.

Tipos de poliomielite

Estudos clínicos ressaltam que existem quatro tipos principais de poliomielite. São os seguintes:

  1. Assintomática: representa 90% dos casos globalmente.
  2. Doença menor: até 9% dos casos. Caracteriza-se por febre, desconforto, náusea, vômito, diarreia e prisão de ventre.
  3. Meningite asséptica não paralítica: 1 a 2% dos casos.
  4. Poliomielite paralítica: menos de 1%.

Como as duas primeiras variantes são benignas em seu desenvolvimento, vamos concentrar nossa atenção na meningite asséptica não paralítica e na poliomielite paralítica. A seguir, descubra tudo que você precisa saber sobre ambas as patologias.

Meningite asséptica não paralítica

De acordo com pesquisas científicas, a meningite asséptica é um processo infeccioso que afeta as membranas das meninges do sistema nervoso central (SNC), causando a inflamação das mesmas. É caracterizada pelos seguintes sintomas:

  • Febre.
  • Dor de cabeça e rigidez na parte de trás do pescoço.
  • Mal-estar.
  • Dores musculares.
  • Perda de apetite e vômitos.

Segundo outras fontes bibliográficas, a meningite asséptica de origem viral (como a provocada pelo poliovírus) tem um bom prognóstico. Ela não é provocada apenas por poliovírus, mas também por enterovírus, herpesvírus e HIV, que também já foram identificados como causadores.

Essa patologia, apesar de seu curso benigno, pode exigir a internação do paciente e a aplicação de antibióticos por um determinado período. Dizemos antibióticos, embora seja causada por um vírus, pois nos pacientes mais afetados esse tratamento é iniciado imediatamente como medida preventiva contra a meningite de origem bacteriana, muito mais perigosa.

Poliomielite paralítica

Neste caso, estamos enfrentando a manifestação mais grave da infecção por poliovírus. Fontes mencionadas acima estimam que um em cada 200 pacientes sofrerá uma paralisia irreversível, dos quais até 10% morrerão de problemas musculares no trato respiratório.

Detectar essa variação severa é uma tarefa simples, pois os sintomas são muito agressivos. Fontes bibliográficas relatam que, após cinco dias de infecção, processos como mialgias intensas (dores musculares) e espasmos musculares limitantes ocorrem e culminam na fraqueza crônica dos membros. Há picos de paralisia após uma semana de infecção.

A taxa de mortalidade no estágio agudo é de 5 a 20%, e o pior de tudo é que ela não tem cura quando se manifesta. Ainda assim, após essas fases críticas, a paralisia muitas vezes melhora ao longo dos anos graças a um processo de reintegração pelos neurônios que permanecerem não danificados.

Dependendo da localização afetada, podemos notar três tipos de poliomielite paralítica, que são:

  • Espinhal.
  • Bulboespinhal.
  • Bulbar.

50% dos indivíduos que sobrevivem a essa manifestação grave têm fraqueza vitalícia, e de 20 a 85% dos pacientes com histórico de poliomielite na infância podem desenvolver a síndrome pós-poliomielite. Ela é caracterizada por uma atrofia muscular progressiva que limita a capacidade funcional do indivíduo.

Pessoa com paralisia
A paralisia é uma séria consequência da poliomielite que pode ser tratada graças à reinervação neural.

O que devemos lembrar sobre os tipos de poliomielite?

Como vimos, a poliomielite é uma doença controlada na maioria das regiões do mundo atualmente. Além disso, 90% dos casos são assintomáticos, por isso é muito difícil um quadro clínico estar associado ao poliovírus hoje em dia.

Por outro lado, existem vacinas orais e intravenosas que são muito eficazes para a imunização de crianças contra esse vírus, com eficácia de 99% após três doses. Portanto, se os esforços globais continuarem a ser feitos para erradicá-la, a pólio em breve será coisa do passado.

Pode interessar a você...
A diabetes infantil
Melhor Com SaúdeLeia em Melhor Com Saúde
A diabetes infantil

A diabetes infantil é uma doença cada vez mais frequente em crianças com menos de cinco anos. Saiba mais sobre esta doença metabólica no artigo a seguir.



  • Poliomielitis, WHO. Recogido a 31 de julio en https://www.who.int/topics/poliomyelitis/virus-vaccines/es/
  • Troy, S. B., Ferreyra-Reyes, L., Huang, C., Sarnquist, C., Canizales-Quintero, S., Nelson, C., … & Maldonado, Y. A. (2014). Community circulation patterns of oral polio vaccine serotypes 1, 2, and 3 after Mexican national immunization weeks. The Journal of infectious diseases209(11), 1693-1699.
  • Poliomielitis (epidemiología), WHO. Recogido a 31 de julio en https://www.who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/poliomielitis
  • Razavi, S. M., Mardani, M., & Salamati, P. (2016). Eradication of Polio in the World; Iran is at Risk for Reemerging of Polio: A Review of the Literature. Archives of Clinical Infectious Diseases11(4), e36867.
  • Oteo, J. A. (2012). Meningitis aséptica aguda muchas causas a considerar. Enfermedades Infecciosas y Microbiología Clínica30(7), 359-360.
  • Florén-Zabala, L., Chamizo-López, F. J., Eisman-Maraver, A., Pérez-González, C., de Ory-Marchón, F., Trallero-Maso, G., … & Pena-López, M. J. (2012). Meningitis aséptica en la población adulta. Etiología y utilidad de las técnicas moleculares en el manejo clínico del paciente. Enfermedades Infecciosas y Microbiología Clínica30(7), 361-366.
  • Esteban, J. (2013). Poliomielitis paralítica. Nuevos problemas: el síndrome postpolio. Revista Española de Salud Pública87, 517-522.
  • Manzanares, MD García, et al. “Tratamiento rehabilitador en el adulto con secuelas de poliomielitis.” Rehabilitación 39.1 (2005): 8-12.
  • Sánchez, Juan Antonio Rodríguez, and Inés Guerra Santos. “La” rara” secuela de una epidemia: el caso del síndrome Post-Polio.” Enfermedades raras: Contribuciones a la investigación social y biomédica. CEASGA, 2019.