Tinnitus: o que é e como evitá-lo?

O tinnitus envolve sintomas auditivos incômodos. Para quem sofre com eles, pode ser uma tortura diária ouvir esses zumbidos que não têm origem no mundo exterior. Neste artigo, diremos o que é o tinnitus e como a sua aparição pode ser explicada.
Tinnitus: o que é e como evitá-lo?

Última atualização: 15 Abril, 2021

O tinnitus pode ser definido como um zumbido percebido nos ouvidos. Este zumbido não se origina de uma fonte externa de som, mas reverbera de dentro do corpo, sem ser possível especificar a sua origem.

Embora seja descrito como um zumbido, alguns pacientes falam de um sibilo ou de cliques soando de dentro do ouvido. O som com que são percebidos e o tom também são variáveis, podendo ser graves ou agudos. A variabilidade responde ao fato de que quase 10% da população vivencia ou já vivenciou esse problema.

O tinnitus bilateral existe, embora a apresentação unilateral seja mais frequente. Ou seja, ele é ouvido principalmente de um lado da cabeça, e não de ambos. De qualquer forma, as causas são compartilhadas nas duas apresentações.

Para a medicina, existem duas variedades gerais de tinnitus:

  • Objetivo: é muito raro. Esse zumbido não é ouvido apenas pelo paciente, mas também pelo médico ao realizar o exame clínico.
  • Subjetivo: só pode ser ouvido pelo paciente. A grande maioria dos casos envolve essa sintomatologia, e aí reside a dificuldade em abordá-los. Só quem sofre pode descrever o som e anunciar quando ele está presente e quando não está.

Causas do tinnitus

Temos que entender que o tinnitus é a manifestação de algo que o está causando. Isso significa que o zumbido não é uma doença em si; pelo contrário, é um sintoma. Entre as causas mais frequentes, estão:

  • Idade: com a idade, ocorre uma perda de audição que se torna mais evidente após os sessenta anos. Essa perda auditiva está associada ao tinnitus.
  • Exposição a ruídos: pessoas que trabalham muito tempo com máquinas barulhentas ou que ouvem muito música com fones no ouvido podem sofrer danos auditivos. A superestimulação do tímpano e do aparelho auditivo causa zumbidos. Às vezes, esses zumbidos são temporários e param quando a fonte do ruído é interrompida; no entanto, outras vezes eles persistem cronicamente.
  • Cera: a presença excessiva de cera no canal auditivo dificulta a interpretação do som que pode causar o zumbido.
  • Ossos da orelha: dentro do sistema auditivo existe um elo fundamental que são os três ossículos chamados de martelo, bigorna e estribo. Esses pequenos ossos podem ser endurecidos por uma condição conhecida como otosclerose, na qual um dos sintomas é o zumbido.
Mulher ouvindo zumbidos no ouvido
O acúmulo de cera e a exposição a ruídos altos podem causar o tinnitus. No entanto, ele também pode ser um sinal de certas doenças.

Tipos de tinnitus

Embora haja uma subjetividade lógica na descrição do zumbidoo tom e o volume podem orientar o diagnóstico. Isso não é definitivo, mas ajuda o médico a identificar a causa subjacente para tratá-la.

  • Os cliques ou estalos, por exemplo, referem-se a problemas musculares. Eles podem ser causados ​​por contrações musculares repentinas dos músculos ao redor da orelha ou na articulação da mandíbula próxima.
  • O sistema cardiovascular também é capaz de gerar zumbidos nos ouvidos. O fluxo sanguíneo que aumenta com a pressão alta ou com mudanças de posição é percebido como zumbido. Ainda mais grave pode ser a existência de um aneurisma próximo à orelha, ou seja, uma dilatação das artérias com possibilidade de ruptura.
  • O zumbido de baixa frequência deve ser investigado inicialmente na otosclerose ou na presença de excesso de cera. Por outro lado, o tom agudo geralmente vem da perda auditiva que ocorre com a idade ou da exposição a ruídos altos.
  • Uma causa preocupante são os tumores do ouvido ou da região do cérebro próxima ao ouvido. Eles não soam de uma maneira particular e podem ter tons graves e agudos.
Médico examinando ouvido
O tom e o volume do zumbido podem ser úteis para orientar o diagnóstico. Em alguns casos, são necessários exames complementares.

Fatores de risco e prevenção

Conforme explicamos neste artigo, as causas do zumbido são variadas e definem uma atitude diagnóstica. A partir das causas, podemos decifrar quais medidas de prevenção podemos aplicar. Basicamente, a prevenção do zumbido deve ser realizada:

  • Diminuindo a exposição a ruídos altos: evidências científicas indicam que ruídos altos são capazes de danificar as células auditivas. Existem leis consistentes em quase todos os países com a obrigação de fornecer proteção auditiva em trabalhos que possam prejudicar os funcionários. Trabalhadores de fábricas, operários de construção e músicos estão muito expostos.
  • Controlando a capacidade auditiva com o passar da idade: à medida que envelhecemos, devemos aumentar nossos controles sobre o ouvido e a sua função, fazendo check-ups regularmente.
  • Eliminando o tabaco: assim como outros fatores de risco, o tabaco é capaz de provocar vários problemas de saúde, incluindo o tinnitus.
  • Reduzindo problemas cardiovasculares: hipertensos, insuficiência cardíaca, ateroscleróticos, são pacientes com capacidade de desenvolver o tinnitus. Uma menor probabilidade de sofrer com o zumbido dependerá do bom controle da sua doença cardiovascular.

Obviamente, esta não é uma situação ou sintoma que necessite de alarme extremo, mas exige preocupação. Medidas adequadas, tomadas a tempo, evitam o aparecimento do sintoma e o seu desconforto. É claro que agendar uma consulta com um profissional é preferível em vez de deixar o problema de lado.

Pode interessar a você...
Estimulação do nervo vago no ouvido
Melhor Com SaúdeLeia em Melhor Com Saúde
Estimulação do nervo vago no ouvido

A estimulação do nervo vago no ouvido é uma técnica aplicada para controlar a dor e retardar alguns processos do envelhecimento.



  • Curet, Carlos, and Darío Roitman. “TINNITUS–EVALUACIÓN Y MANEJO.” Revista Médica Clínica Las Condes 27.6 (2016): 848-862.
  • Sánchez, José Antonio Pérez. “Un ruido eterno en los oídos llamado Acúfenos: Revisión Sistemática.” Acercamiento multidisciplinar a la salud (2018): 115.
  • De la Fuente Cañibano, Rebeca, Mario Andrés Castillo Wisman, and Alejandro Harguindey Antolí-Candela. “Acúfenos.” FMC: Formación Médica Continuada en Atención Primaria 22.1 (2015): 3-9.