O que é a tendinopatia tibial posterior?

A tendinopatia tibial posterior, também conhecida como pé plano adquirido do adulto, é uma patologia que afeta o tendão tibial posterior e tem um bom prognóstico, desde que seja tratada precocemente.
O que é a tendinopatia tibial posterior?

Última atualização: 11 Dezembro, 2020

A tendinopatia tibial posterior é uma lesão no tendão que causa dor, inflamação e limita o movimento. O tendão afetado nessa patologia é o encontrado no músculo tibial posterior, essencial nas funções do tornozelo e do pé.

O tibial posterior é um músculo alongado da perna, localizado na panturrilha. A inserção desse músculo vai desde a tíbia, da fíbula e da membrana interóssea (a que une os dois ossos) até a parte inferior.

Esse músculo segue seu caminho em forma de tendão, passando por trás do maléolo tibial, que é o interior do tornozelo. Em seguida, se insere no osso escafoide ou navicular, localizado na parte superior do arco do pé.

Há também uma inserção nos ossos cuneiformes e nos três metatarsos centrais, os ossos que estão na parte frontal do pé. Como se pode ver, o músculo e o tendão ocupam grande parte do tornozelo e do pé, motivo pelo qual são decisivos para o seu funcionamento.

O que é a tendinopatia tibial posterior?

Tendinopatias
Existem dois subtipos de tendinopatias: a tendinite e a tendinose.

Como já apontamos, a tendinopatia tibial posterior é uma lesão do tendão homônimo. A palavra tendinopatia é um termo geral usado tanto para a tendinite quanto para a tendinose. Assim, quando falamos em tendinopatia tibial posterior, podemos estar nos referindo a esses dois tipos de lesões.

A tendinite envolve inflamação do tendão, enquanto a tendinose se refere a um processo degenerativo do tendão. No entanto, muitos pesquisadores consideram que o termo tendinite é impreciso para este caso e que, em vez disso, sempre deve ser utilizada a palavra tendinopatia.

A tendinopatia tibial posterior cria limitações significativas no movimento do pé e tornozelo. Isso ocorre porque o tibial posterior desempenha funções importantes, como:

  • Flexão plantar do tornozelo. Movimento no qual a ponta do pé é abaixada.
  • Supinação do tornozelo. Quando a planta do pé é direcionada para dentro e para cima.
  • Se o pé estiver apoiado no chão, o tibial posterior permite frear a pronação e girar internamente a tíbia, ou seja, girar a perna para dentro.

Causas da tendinopatia

Movimentos dos pés
A prática inadequada ou excessiva de exercícios e os calçados inapropriados estão entre as principais causas das tendinopatias.

A tendinopatia tibial posterior é uma lesão que ocorre devido ao uso excessivo, e afeta principalmente corredores e pessoas que fazem caminhadas. É provocada por fatores anatômicos e/ou biomecânicos.

Dentre os fatores anatômicos e biomecânicos que dão origem à tendinopatia tibial posterior, destaca-se a pronação excessiva. Esta é a volta normal que o pé faz para dentro, ao caminhar. Muitas vezes, essa pronação excessiva é uma consequência dos pés chatos. Isso submete o tendão a um estresse excessivo.

Outro fator anatômico é o excesso de peso, ou alto índice de massa corporal (IMC). Da mesma forma, influencia o fato de que existam doenças inflamatórias prévias, condições neurológicas ou alterações degenerativas nas articulações. A tendinopatia tibial posterior é mais comum em mulheres com mais de 40 anos.

Em relação às práticas e uso de materiais inadequados, as principais causas são o uso de calçados inadequados, demanda excessiva, e técnica equivocada de corrida ou caminhada. A fraqueza muscular e a falta de flexibilidade nos músculos do tornozelo também podem influenciar.

Características e outros dados interessantes

A evolução da tendinopatia tibial posterior passa por quatro fases, cada uma com sintomas característicos. São as seguintes:

  • Fase I. Há dor no interior do tornozelo, ao fazer o movimento de inversão do pé e a apalpação do tendão. Também há inflamação ao redor do mesmo.
  • Fase II. Os sintomas anteriores persistem, e a estes se acrescenta a dificuldade de ficar na ponta dos pés e fazer “pé manco". O arco do pé parece achatado.
  • Fase III. Aos sintomas das fases anteriores é adicionada a deformidade do pé, que agora é plano. Alterações degenerativas também ocorrem na articulação subtalar.
  • Fase IV. Além de todos os itens acima, há degeneração da articulação tibio-perôneo-astragalina.

A tendinopatia tibial posterior, como outras tendinopatias, pode até levar à ruptura do tendão. O tratamento precoce e a neutralização da causa subjacente melhoram significativamente o prognóstico desta doença. Nos casos mais graves, a cirurgia pode ser necessária.

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  • Hidalgo, L. H., Arranz, J. C., Rodríguez, M. R., De La Pena, M. J., Alonso, R. C., Moreno, E. Á., & de Vega Fernández, V. M. (2014). Disfunción del tendón tibial posterior: ¿ qué otras estructuras están implicadas en el desarrollo del pie plano adquirido del adulto?. Radiología, 56(3), 247-256.