Sobre remédios com alho para fungos vaginais

18 Dezembro, 2019
Nem o consumo de alho nem o uso tópico deste, seja qual for o remédio, é aconselhável para combater fungos vaginais ou qualquer outro problema semelhante. Pelo contrário, pode agravar o problema e causar complicações.

Os fungos vaginais podem aparecer não apenas como resultado de questões como falta de higiene íntima, mas devido à gravidez, ao consumo de certos antibióticos (que causam um desequilíbrio na flora vaginal) e anticoncepcionais (que aumentam os níveis de estrogênio), e também podem aparecer quando o diabetes não é tratado.

Além disso, os fungos vaginais podem afetar mulheres que têm um sistema imunológico danificado, como as pacientes com HIV.

Fatos sobre os fungos vaginais

A primeira coisa que devemos saber é que os fungos vaginais causam principalmente irritação e coceira intensa na vagina e na vulva. Também causam alterações no fluxo, dor, vermelhidão, erupção cutânea vaginal, ardor, o que pode interferir na rotina e até mesmo na atividade sexual.

Quando o equilíbrio da flora vaginal é alterado, pode ocorrer a infecção por fungos vaginais (candidíase vaginal).

Ao ter os sintomas, é necessário ir ao médico o mais rápido possível e começar a seguir o tratamento que ele recomendar. Este geralmente não é duradouro (a menos que seja um caso complexo) e geralmente envolve tomar um medicamento antifúngico por vários dias.

NÃO foi demonstrado que os remédios naturais podem ser eficazes no tratamento de fungos vaginais. O mais recomendável é evitá-los. Agora, se você quiser experimentar algum, não deixe de consultar seu médico primeiro.

Os fungos vaginais e o alho: uma combinação péssima

Na esfera popular, foi afirmado em várias ocasiões que existem “antibióticos naturais” que podem ajudar a tratar várias infecções, incluindo aquelas que afetam a saúde da vagina. Um desses supostos antibióticos é o alho.

O alho é um alimento que é usado em um grande número de receitas e é muito comum na culinária mediterrânea. Ajuda a temperar os alimentos e a realçar o sabor de outros alimentos, ajudando a obter misturas requintadas.

Acreditava-se que, devido ao seu teor de alicina, esse alimento pudesse ter propriedades antibióticas. No entanto, ao se aprofundar nesse assunto, foi cientificamente comprovado que o alho (inteiro, em massa, purê e misturado com óleo, em cápsulas ou de qualquer outra forma) não é um antibiótico.

Conforme explicado por Gemma del Caño, farmacêutica, disseminadora científica e especialista em Segurança Alimentar, embora o alho tenha certos ingredientes ativos aproveitados na preparação de diferentes medicamentos, isso não significa que consumir ou aplicar alho possa ter o efeito específico desejado.

Então, um remédio à base de alho não “fortalece” o sistema imunológico, nem elimina fungos vaginais. Tampouco irá restaurar a flora da vagina.

Melhor esquecer os remédios caseiros à base de alho

No caso de ter uma infecção vaginal ou qualquer outro problema de saúde, o melhor é evitar os remédios caseiros à base de alho (e qualquer outro ingrediente) e procurar o médico para receber o tratamento mais apropriado para o nosso caso. Dessa forma, evitaremos expor nossa saúde a riscos maiores.

Cuidando da causa do problema da maneira correta, com os medicamentos e as orientações dadas pelo médico, podemos obter alívio, melhorar e nos recuperar adequadamente. Se usarmos remédios caseiros, podemos interferir no processo de recuperação, favorecer o aparecimento de interações e sofrer mais desconforto (e com maior intensidade).

Além de seguir as instruções do médico, é essencial manter uma higiene íntima adequada e tentar levar um estilo de vida saudável, pois é isso que pode nos proporcionar bem-estar a longo prazo e nos evitar futuros problemas de saúde.

Nota final

Cristina Galiano, farmacêutica e especialista em nutrição, esclarece que é importante evitar a automedicação, mas também colocar esperanças em produtos que prometem “aumentar as defesas”, “curar o sistema imunológico” e “proteger o corpo” contra infecções vaginais por fungos.

E acrescenta que, após uma revisão da literatura científica disponível, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) não aprovou nenhuma declaração de saúde relacionada à imunidade em nenhum alimento ou suplemento alimentar. Portanto, a única coisa que realmente funciona para gozar de boa saúde é ter bons hábitos de vida.