O que é a hemisferectomia e como é o pós-operatório

A hemisferectomia é realizada, principalmente, em crianças pequenas, já que seus cérebros têm maior plasticidade e, por isso, o hemisfério cerebral saudável pode assumir muitas das tarefas que o hemisfério perdido realizava.
O que é a hemisferectomia e como é o pós-operatório

Última atualização: 21 Novembro, 2019

A hemisferectomia é um procedimento cirúrgico que é realizado para tratar diferentes distúrbios convulsivos. Fundamentalmente, é realizado quando esse tipo de doença não responde adequadamente a outros tratamentos menos radicais.

Tudo indica que a primeira hemisferectomia foi realizada em um cachorro em 1888. A primeira referência desse procedimento realizado em humanos data de 1923. Nos anos 1960 e 1970, foram realizadas várias intervenções desse tipo com resultados pouco animadores.

Atualmente, a hemisferectomia tradicional frequentemente é substituída pela funcional. Sem dúvida alguma, essa constitui uma intervenção mais precisa e um pouco menos invasiva. Felizmente, a taxa de sucesso é muito mais alta do que no passado.

O que é a hemisferectomia?

Sala de cirurgia

A hemisferectomia é um procedimento neurocirúrgico que consiste na extirpação de um dos hemisférios cerebrais. Às vezes, retira-se o hemisfério esquerdo e, em outras ocasiões, o direito. É realizado principalmente em crianças que têm entre 5 e 10 anos de idade.

Em primeiro lugar, esse tipo de intervenção é usado principalmente como tratamento anti-convulsivo. No entanto, também é realizado em determinados pacientes com déficit neurológico e, excepcionalmente, em casos de traumatismo craniano grave.

Embora seja comum que se extirpe todo o hemisfério cerebral, às vezes basta retirar apenas uma parte. Quando isso acontece, fala-se de hemisferectomia funcional. Nesses casos, se restar uma mínima porção do tecido danificado, o transtorno convulsivo pode aparecer novamente.

Indicações

Sinapse

Em termos gerais, a hemisferectomia é indicada para aqueles pacientes que apresentam crises convulsivas contínuas e diárias e que não responderam ao tratamento farmacológico ou a outro tipo de intervenção cirúrgica menos invasiva.

Essa intervenção cirúrgica é indicada nos seguintes casos:

  • Hemiplegia infantil. Apenas para maiores de quatro anos que apresentam distúrbios convulsivos e mentais, e depois de verificar durante os anos que o paciente não responde ao tratamento farmacológico.
  • Síndrome de Sturge-Weber. É um transtorno neurocutâneo que se caracteriza por uma mancha facial na área do nervo trigêmeo. É indicado quando as crises começam quando a criança é muito nova e o transtorno envolve o hemisfério por completo.
  • Síndrome de Rasmussen. É um transtorno cerebral que gera um encefalite crônica e progressiva. Recomenda-se uma intervenção o mais rápido possível.
  • Hemimegalencefalia (HME). É uma doença neurológica inflamatória e rara, caracterizada por convulsões graves. A operação nesses casos ainda é fonte de debate.

Características do procedimento

Há quatro modalidades de hemisferectomia, mas em todas elas grande parte do sucesso depende do controle da hemostasia. As quatro modalidades são:

  • Hemisferectomia anatômica.
  • Hemidecorticação.
  • Hemisferectomia funcional.
  • Hemisferectomia funcional modificada.

O procedimento típico é realizado com anestesia geral. Em primeiro lugar, começa com a raspagem da cabeça e a demarcação das linhas de incisão. Logo após, é realizado o corte, deixando a dura-máter exposta. Em seguida, esta é retirada para ver o cérebro.

Com o cérebro à mostra, é marcada a área que será extirpada. Posteriormente, ela é retirada, os vasos sanguíneos são cauterizados e uma drenagem é colocada. Por outro lado, todos os planos que foram retirados são reacomodados, ou seja, a dura-máter, o osso e o couro cabeludo. Finalmente, a incisão é suturada com grampos.

Pós-operatório da hemisferectomia

Esse tipo de pós-operatório é significativamente doloroso. O comum é que o tubo de drenagem seja mantido durante 3 ou 4 dias e que, depois disso, se reavalie se é conveniente retirá-lo. Mas, antes de retirar, é muito importante realizar exames de diagnóstico do caso para estabelecer se há sangramento ou hemorragia.

As principais complicações imediatas no pós-operatório estão relacionadas com a instabilidade hemodinâmica, hipotermia e hipo ou hiperpotassemia. Normalmente, isso é controlado com sucesso na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A ocorrência de convulsões no período pós-operatório é considerada uma complicação grave. Em torno da metade dos casos, ocorre hidrocefalia e quase todos os pacientes desenvolvem uma meningite asséptica. A taxa de mortalidade oscila entre 4% e 6%.

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Entre 70% e 85% dos pacientes submetidos à hemisferectomia conseguem controlar as crises convulsivas. Por volta de 10-20% melhoram significativamente sua qualidade de vida. Finalmente, há evidências de que algumas complicações podem aparecer tardiamente.

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