Não trate como prioridade quem o trata como uma opção

11 de setembro de 2016
Nossas próprias carências afetivas são as que fazem com que tratemos como prioridade pessoas que nos menosprezam. Devemos estar conscientes de nosso valor e aprender a exigir o respeito que merecemos.

Não trate como prioridade a quem não lhe valoriza o suficiente. Você deve dar-lhe a importância que merece e oferecer seu afeto a quem realmente lhe quer a cada momento, sem interesse nem egoísmos.

Porque, geralmente, o egoísmo não se transforma em gratidão, apesar de mantermos nossas esperanças e expectativas nisso. Há que se levar em conta, porque devemos evitar hipotecar nosso bem-estar e subjugá-lo ao que os outros desejam.

Quando um relacionamento é saudável, é fácil que a balança se equilibre. No entanto, com frequência, fechamos os olhos e nos deixamos levar, vivendo na inércia e não escutando nossas necessidades afetivas.

Presas do egoísmo, nos convertemos em “coadjuvantes”

Homem borboleta tentando voar

É frequente que, em algum momento, sejamos objeto do egoísmo alheio e acabemos assumindo um “papel coadjuvante”, ou, dito de outra forma, numa opção dependente dos interesses dos demais.

Geralmente, demoramos a nos dar conta disso, pois nos deixamos levar pela inércia da relação. No entanto, pouco a pouco, vamos arruinando nosso presente, alimentando esperanças sobre uma mudança que, é provável, nunca chegue.

Ou seja, quem não demonstra um carinho sincero num determinado tempo, é muito difícil que o demonstre mais tarde, “por mágica”. Nesse sentido, como já destacamos, nos abraça a lembrança de um passado que já não tem futuro.

Assim, o interesse e o carinho intermitentes nos indicam que há algo que não está funcionando bem, ainda que, como é natural, nos custe assumir que, com o tempo, as pessoas mostram sua face menos amável e mais interessada.

Não se esqueça de ler: Prefiro uma solidão digna a uma companhia de egoísmos

A dor psicológica derivada da angústia relacional

Mulher tentando pensar

O tempo é o grande mestre que se encarrega de nos abrir os olhos, de nos ajudar a ver com perspectiva e valorizar os erros com que convivemos. Não é fácil, nem tão difícil. Na verdade, a dor que produz às vezes é insuportável.

Esta é a dor emocional, uma dor que angustia nosso cérebro. A decepção, a traição, a mentira, o desamor ou a perda provocam um grande sofrimento, que nos dilacera por dentro.

Este tipo de sofrimento, ao longo dos séculos, foi sendo plasmado na forma de poemas e canções, que nos fazem mergulhar num mundo ao qual todos nos conectamos.

Hoje em dia, estas intuições poéticas obtiveram apoio dos estudos neurofisiológicos, que confirmam que a dor psicológica se reflete em um nível cerebral.

Curiosamente, quando nosso “coração” se quebra e nossas emoções tomam conta de nosso corpo, se ativam, a um nível cerebral, as mesmas zonas que quando sofremos dor física. Assim, poderíamos dizer com determinação que o amor dói.

Nossos neurotransmissores sofrem um grande abatimento nos momentos em que tudo se complica e algo se rompe dentro de nós.

Flor tentando crescer

As áreas cerebrais da dor física compartilham os mesmos caminhos que a dor emocional, pois um dano em qualquer dessas duas modalidades ativa o córtex cingulado anterior e o córtex pré-frontal.

Esta é uma razão a mais para deixar de menosprezar nossas feridas emocionais e evitar pensar que se curam por si sós. Estamos tristemente acostumados a enterrar nossos problemas de relacionamento, o que faz com que a dor seja reprimida e a resolução dos conflitos se complique.

Escondermo-nos não nos ajuda em nada. Pelo contrário, interrompe um alívio que tornaria mais suportável a dor social que, como está evidenciado, atormenta nosso cérebro e, por fim, a nossa mente.

“Quando você mantém seu ressentimento, está amarrado a essa pessoa ou situação por um vínculo emocional que é mais forte que o aço. Perdoar é a única forma de dissolver esse vínculo e se libertar”

-Catherine Ponder-

Coração com flores tentando bater

Amor: a dignidade não se perde por nada

Quando alguém nos trata como uma opção, é bom começar a pensar em dizer adeus. É radicalmente diferente ser orgulhoso e ser digno. Se perdemos a dignidade, perdemos a nós mesmos, prejudicamos nossa identidade e nosso amor-próprio.

Quer saber mais? Leia: Desde que eu saiba quem sou, não tenho nada a provar para ninguém

As relações baseadas no respeito e no equilíbrio de necessidades são as mais autênticas, livres, sólidas e enriquecedoras.

Às vezes, perdemos nossa dignidade porque consideramos que nos compensa ou porque nos bloqueamos e não sabemos responder diante de situações complicadas de manipulação ou submissão.

Ou seja, acostumamos a tratar com prioridade a quem nos trata como opção, porque nos encontramos “alienados” por uma relação assimétrica.

O amor, a atenção e o carinho não se mendigam. Por isso, temos que ter claro que merece fazer parte de nossa vida quem demonstra que nos faz bem, que não se aproveita de nossas vulnerabilidades e que nos ama de maneira limpa e sincera.

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