Mitos sobre a alimentação e o coronavírus

23 de maio de 2020
Existem vários mitos que confundem a população relacionados à alimentação e ao coronavírus. É importante saber o que é verdade para intervir em tempo hábil e aplicar as medidas preventivas.

Um grande número de mitos relacionados à alimentação e ao coronavírus estão sendo compartilhados nas redes sociais. A maioria deles defende a capacidade de alguns alimentos ou práticas de impedir a propagação ou o desenvolvimento desta doença. A verdade é que sabemos pouco sobre a influência dos alimentos no desenvolvimento dessa patologia.

Alguns artigos científicos que defendem os benefícios da vitamina C e D começaram a ser publicados. Também existem especialistas que recomendam consumir alimentos de natureza anti-inflamatória para prevenir complicações pulmonares e fortalecer o sistema imunológico. Infelizmente, porém, atualmente existem poucas evidências a esse respeito.

Quais são os mitos mais comuns sobre a alimentação e o coronavírus? A seguir, detalharemos os mais populares. Além disso, explicaremos por que você não deve acreditar que eles funcionam.

A alimentação e o coronavírus: beber água quente evita o contágio?

Mulher tomando água
Não há evidências que demonstrem que consumir água quente ou qualquer bebida ajude a impedir a propagação do coronavírus.

Uma publicação do National Center for Biotechnology Information sugere que o coronavírus é sensível aos raios ultravioletas e ao calor. Esta mesma declaração foi comentada em várias ocasiões por alguns especialistas. Como resultado disso, um dos principais mitos sobre a alimentação e o coronavírus surgiu: ingerir bebidas ou alimentos quentes podem impedir o contágio.

Falso! Embora a baixa resistência do vírus a altas temperaturas tenha sido comentada, não é verdade que alimentos ou bebidas quentes possam impedir a propagação do vírus. Fazer uma sessão diária de sauna também não é capaz de impedir o desenvolvimento da doença. Não há artigo científico para apoiar essas teorias.

De fato, a disseminação do vírus está ocorrendo em todo o mundo, tanto em países com climas frios quanto naqueles com temperaturas mais quentes. Hoje, os especialistas não conseguem prever como o vírus se comportará no hemisfério norte quando chegar o verão. Por essas razões, é lógico pensar que consumir água quente contra o micro-organismo será inútil.

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O álcool mata o coronavírus

Outra das correntes que circula pelas redes diz que o consumo de bebidas alcoólicas evita o contágio da doença. O princípio no qual essa teoria se baseia é que o álcool pode impedir a replicação de vírus do tipo RNA. No entanto, não existem bases científicas sólidas para apoiar essa afirmação.

O que se sabe com certeza é que o álcool, além de promover processos inflamatórios, reduz a eficácia da resposta imunológica. De fato, a literatura científica defende que o consumo de álcool inativa a resposta imunológica inata, reduzindo a resposta aos micro-organismos nocivos externos.

Gargarejos com sal e vinagre

Tigela com vinagre
Fazer gargarejos com sal e vinagre não ajuda a eliminar o vírus que causa o COVID-19. Portanto, não é uma medida preventiva válida contra a doença.

As propriedades antissépticas do sal e do vinagre são conhecidas e evidenciadas pela literatura científica. Essa combinação pode impedir a proliferação de bactérias e fungos. O gargarejo com esses produtos serve para atenuar o crescimento bacteriano e evitar o mau hálito.

No entanto, não há evidências disponíveis de que esses produtos tenham um papel protetor contra a infecção por coronavírusPor esse motivo, seu consumo não nos beneficiará em termos de prevenção ou tratamento desta doença.

Algumas outras correntes garantem que o consumo de alho ou a sua adição a esta receita de gargarejo pode aumentar os seus efeitos protetores. Também não existem estudos que apoiem essa teoria.

O alho pode melhorar a sintomatologia de certas infecções pulmonares, mas não há estudos específicos que o vinculem à patologia causada pelo coronavírus. Assim, uma afirmação firme não pode ser feita a esse respeito.

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A alimentação e o coronavírus: o que deve ficar claro?

O desconhecimento que ainda existe sobre a proliferação e o funcionamento desse vírus limita muito o leque de ações dos especialistas. Até o momento, nenhuma evidência dietética pôde ser estabelecida em relação à ingestão de determinados alimentos e o risco de contrair a doença.

Apesar disso, e com o conhecimento atual sobre o sistema imunológico, podemos destacar que uma dieta equilibrada e variada acelera os mecanismos fisiológicos do corpo. Um suprimento adequado de vitaminas e minerais melhora os mecanismos da imunidade inata, reduzindo o risco de adoecer.

Por outro lado, é essencial evitar hábitos tóxicos, como o consumo de álcool. Essa substância, além de aumentar a inflamação sistêmica, dificulta o bom funcionamento da resposta imunológica. Assim, o corpo se torna menos eficaz na rejeição de micro-organismos patogênicos externos.

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  • Yagnik D., Serafin V., J Shah A., Antimicrobial activity of apple cider vinegar against escherichia coli, staphylococcus aureus and candida albicans; downregulating cytokine and microbial protein expression. Sci Rep, 2018. 8 (1): 1732.