LATE: um novo tipo de demência

18 Maio, 2020
A demência LATE é uma doença do tipo proteinopatia que causa manifestações clínicas semelhantes à doença de Alzheimer. Como ela se desenvolve? Quem costuma ser afetado? Vamos responder a estas perguntas a seguir.
 

Entre 15 e 20% das pessoas diagnosticadas com Alzheimer sofrem, na verdade, de demência do tipo LATE. Este é um tipo de demência que, até o momento, vinha sendo diagnosticado como doença de Alzheimer, uma vez que suas manifestações clínicas são semelhantes. Espera-se que sua incidência aumente nos próximos anos.

Esse distúrbio afeta principalmente idosos em idade muito avançada. Assim como a doença de Alzheimer, a demência LATE causa perda de memória e da capacidade de realizar atividades da vida diária. Neste artigo, mostraremos quais são suas diferenças e características mais importantes.

O que é a demência LATE?

Médica com idoso com demência
Os sintomas da demência LATE são semelhantes aos da doença de Alzheimer. No entanto, neste caso, a proteína alterada no cérebro é a TDP-43.

A demência LATE é uma doença do tipo proteinopatia, o que significa que é causada pela alteração de certas proteínas. Trata-se de uma demência muito semelhante, em termos clínicos, à doença de Alzheimer.

LATE é a sigla para encefalopatia por TDP-43, relacionada à idade límbico-predominante. Uma das diferenças em comparação com a doença de Alzheimer é que a proteína alterada no cérebro é a TDP-43. No caso da doença de Alzheimer, são as proteínas TAU e beta-amiloide que funcionam mal.

 

A proteína TDP-43 é responsável pela expressão genética no cérebro. Um aglomerado dessas proteínas com uma forma diferente da original é a causa dessa doença.

Assim, o excesso de proteínas alteradas provoca neurotoxicidade e degeneração neuronal. 25% das pessoas com mais de 85 anos sofrem alterações suficientes dessa proteína para apresentar sintomas.

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Quem pode ser afetado pela doença?

Outra diferença digna de nota é que a probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer não aumenta indefinidamente com a idade. No entanto, o risco de sofrer de demência LATE aumenta especialmente após os 80 anos.

A sigla LATE,  que significa “tarde” em inglês, foi escolhida porque também serviu para definir essa característica da patologia. São as mulheres que têm um maior risco de sofrer desta doença, já que hoje sua expectativa de vida é maior do que a dos homens.

Dado que o número de pessoas com mais de 80 anos de idade aumentará nos próximos anos de uma maneira geral, também aumentará a incidência desta doença. A demência LATE pode se tornar um problema de saúde pública no futuro.

Como a demência LATE é diagnosticada?

Nos últimos tempos, com o avanço das técnicas de diagnóstico, a proteína TDP-43 foi identificada com mais precisão. Atualmente, as técnicas mais precisas para o diagnóstico da doença de Alzheimer são baseadas no estudo de biomarcadores no líquido cefalorraquidiano.

Esses marcadores são a proteína TAU e a proteína beta-amiloide, que já citamos. Outra técnica de diagnóstico é a busca por acúmulos dessas proteínas no cérebro, com técnicas de imagem como a PET.

 

No entanto, na maioria das vezes, o diagnóstico de Alzheimer é baseado em sintomas clínicos. Esses testes bioquímicos que confirmam a doença raramente são realizados. É por isso que algumas das pessoas diagnosticadas com Alzheimer têm, na verdade, demência LATE.

No caso da demência LATE, o objetivo é aplicar as mesmas técnicas que são usadas para identificar a doença de Alzheimer, mas buscar a proteína TDP-43. A presença de uma quantidade suficiente desta proteína em sua forma alterada confirmaria o diagnóstico.

Sintomas da doença

Senhora idosa com demência
Os sintomas da demência LATE se desenvolvem mais lentamente do que outras formas de demência. Na sua última fase, é semelhante à doença de Alzheimer avançada.

Esse tipo de demência provoca sintomas que progridem mais lentamente do que em outros tipos de demências. Os estudos mais recentes sugerem que essa patologia progride em três etapas.

Esses estágios são baseados na área do cérebro afetada e evoluem gradativamente:

  • Etapa 1: envolvimento amigdalar. Nesta fase, distúrbios sutis de humor começam a ser percebidos. Podem ocorrer mudanças de humor com agitação e até mesmo com surtos de agressão.
  • Etapa 2: envolvimento do hipocampo. Quando essa área é afetada, começam a aparecer sinais de perda de memória. Embora essa não seja a primeira fase, é a principal razão pela qual os pacientes buscam uma consulta médica.
 
  • Etapa 3: envolvimento do giro frontal medial. Se manifesta como distúrbios comportamentais e de conduta. Os pacientes têm dificuldade para levar uma vida normal. Assemelha-se à doença de Alzheimer muito avançada.

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Importância e conclusões

No momento, a descoberta desta nova doença não levará a alterações no diagnóstico e tratamento de demências conhecidas até então. No entanto, isso abriu novas linhas de pesquisa.

Conhecer com mais precisão a etiologia dessas doenças pode levar ao desenvolvimento de tratamentos específicos para cada uma delas no futuro.

Atualmente, não existe tratamento eficaz para esse tipo de patologia. Porém, isso se tornará cada vez mais importante com o passar do tempo, pois, como comentamos nas seções anteriores, a incidência dessa doença deve aumentar nos próximos anos devido ao aumento da expectativa de vida da população.