Diferenças entre as filosofias de Aristóteles e Platão

Platão e Aristóteles foram os pensadores mais influentes da cultura ocidental. Apesar do seu relacionamento ser de mestre-discípulo, suas idéias divergiam muito.
Diferenças entre as filosofias de Aristóteles e Platão

Última atualização: 27 Agosto, 2021

As filosofias de Aristóteles e Platão são, talvez, as mais influentes no pensamento da cultura ocidental. A maioria das correntes filosóficas e científicas que surgiram posteriormente as utilizou como base para as suas abordagens.

No entanto, embora Aristóteles fosse discípulo de Platão, ele teve muitas divergências com seu mestre. É por isso que apresentaremos as principais diferenças entre as filosofias de ambos a seguir.

Diferenças entre as filosofias de Aristóteles e Platão

As discrepâncias entre as filosofias de Aristóteles e Platão podem ser agrupadas nas seguintes categorias.

Diferenças ontológicas

Ao explicar o ser das coisas, Platão argumenta que existem dois mundos: um sensível (físico) e outro inteligível (o das idéias). O primeiro é feito de tudo o que podemos experimentar por meio dos sentidos. É caracterizado pela multiplicidade, por ser pura aparência e estar em constante mudança. Portanto, é falso e enganoso.

Por outro lado, o mundo das idéias é verdadeiro, incorruptível e imutável. Existem ideias universais e necessárias, que são a essência de tudo o que existe.

Desta forma, os objetos e corpos do mundo físico são um mero reflexo imperfeito deste mundo. Por exemplo, no mundo sensível há uma multiplicidade de gatos e cada um é diferente do outro. Mas no mundo inteligível existe uma ideia absoluta de gato, o que o torna um gato e não outra coisa.

Aristóteles, por outro lado, nega a existência de um mundo inteligível. Para ele só existe um mundo verdadeiro: o mundo sensível, que é feito de substâncias, que são feitas de matéria e forma (sua essência).

Filósofos gregos
A filosofia grega está na base de grande parte do pensamento ocidental.

Diferenças epistemológicas

Quanto à explicação do conhecimento humano, Platão argumentou que o verdadeiro conhecimento foi adquirido acessando o mundo das idéias, pois tudo o que existe no mundo sensível nada mais é do que aparência e mentira. Mas como essas idéias são conhecidas?

Para Platão, todos os humanos têm uma alma, que está contida no corpo. Nela está toda a fonte do conhecimento científico, visto que a alma já conhece as idéias porque estava no mundo inteligível. Portanto, o termo mais adequado não é saber, mas lembrar.

Nesse sentido, Platão é um defensor das idéias inatas e da imortalidade da alma. Dito isso, sugere que o único método válido para acessar as memórias da alma é o dialético, sendo um processo de ascensão, pela razão, que vai da ignorância à contemplação de ideias.

Por sua vez, Aristóteles argumenta que a origem da verdade se encontra no mundo sensível. Para esse pensador, o conhecimento científico só pode ser adquirido por meio das suas causas. Dessa forma, os sentidos são a origem de todo conhecimento.

Para Aristóteles, não existem ideias inatas. Em vez disso, afirma que a mente é uma lousa em branco e que somente por meio de um processo de abstração é possível chegar à forma (essência).

Da mesma forma, Aristóteles rejeita o método proposto por seu professor. Para ele, indução e dedução são os únicos métodos científicos de conhecimento.

Diferenças éticas

Outra diferença entre as filosofias de Aristóteles e Platão é a concepção do que é eticamente bom. Para Platão, ética e conhecimento estão relacionados, uma vez que a única maneira de acessar o bem e a perfeição moral é através da abordagem progressiva da verdade.

Desta forma, todo aquele que faz o mal o faz porque é ignorante. Isso faz sentido na sua filosofia. Para Platão existe uma ideia de bem, que só pode ser acessada por meio do método científico por ele proposto.

Aristóteles, por outro lado, formula uma ética finalista e eudemonista, defendendo que o propósito da vida é alcançar a felicidade. De acordo com este filósofo, ações moralmente boas são obtidas alcançando um meio-termo entre generosidade e egoísmo.

Trata-se de manter uma atitude desapegada e altruísta para com os outros e um interesse pelo seu próprio bem-estar. Esse equilíbrio é identificado pela razão. Portanto, se o reconhecermos, seremos capazes de alcançar a felicidade.

Diferenças antropológicas

No que diz respeito à concepção do ser humano, Platão levanta um dualismo antropológico. Ele afirmou que todas as pessoas são constituídas por duas substâncias diferentes e independentes: o corpo e a alma. O primeiro pertence ao mundo sensível e o segundo ao inteligível.

Como já dissemos, para Platão a alma é imortal e pode viver separada do corpo. Assim, após a morte do corpo, ela retorna ao mundo das idéias. Segundo este filósofo, a alma humana tem 3 partes: uma racional, outra irascível e outra concupiscível.

Por outro lado, para Aristóteles o ser humano é uma substância única, composta de matéria (corpo) e forma (alma). A alma é o motor vital, mas não pode viver separada do corpo. Neste caso, Aristóteles distingue 3 tipos de alma: vegetativa, sensível e racional.

A alma na filosofia de Platão e Aristóteles
A questão da alma, da morte, e do que acontece depois da vida não era estranha a esses pensadores.

Semelhanças entre as filosofias de Aristóteles e Platão

Embora existam profundas diferenças entre as filosofias de Aristóteles e Platão, a influência que o professor teve sobre seu discípulo não pode ser negada. Ambos propuseram um essencialismo. Quer dizer, eles afirmam que todas as coisas no mundo têm uma essência que faz com que algo seja esse algo, e não outra coisa.

Por sua vez, os dois filósofos defendem a existência de uma entidade eterna, que não pertence ao sensível e é a coisa mais real que existe. Para Aristóteles e Platão, essa entidade é a causa de toda a realidade.

Em termos religiosos, seria o Deus criador do universo. No entanto, Platão o representou como a ideia do bem, enquanto Aristóteles o fez por meio de sua noção do motor imóvel.

A filosofia depois de Platão e Aristóteles

As ideias de ambos os pensadores influenciaram o surgimento de diferentes correntes de pensamento ocidental. Seus postulados penetraram em diferentes posições filosóficas, políticas, científicas e religiosas. Algumas das suas influências podem ser atribuídas ao empirismo, idealismo, racionalismo e cristianismo.

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