Desenvolvem um “curativo vivo” de células-tronco para tratar as lesões no joelho

· 5 de março de 2017
Ao utilizar as células-tronco do próprio paciente, graças a esta intervenção, poderia ser possível recuperar os tecidos lesionados e, no futuro, recuperar a funcionalidade da articulação sem transtornos secundários.

A lesão do menisco é um dos problemas do joelho mais comuns em todo o mundo. Apenas na Europa e nos Estados Unidos, são registrados mais de um milhão de casos a cada ano.

Trata-se de uma rotura ou lesão dos tecidos cartilaginosos do joelho, que funcionam como amortecedores da rótula, à qual conferem estabilidade.

O problema é bastante comum entre atletas, sobretudo no futebol, e a maioria dos casos só pode ser resolvida com a realização de uma cirurgia complexa.

Considerando que região carece de irrigação sanguínea, a ferida não cicatriza com facilidade e, portanto, não chega a se curar por completo.

Portanto, os profissionais aconselham uma intervenção conhecida como “meniscectomia”, que consiste em extirpar totalmente o menisco e que, ainda que possa ter êxito, pode causar outros problemas futuros.

Supreendentemente, há pouco tempo, um grupo de pesquisadores da Universidade de Liverpool e Bristol, no Reino Unido, encontraram um novo método que poderia curar a lesão sem a necessidade de recorrer à extirpação.

Trata-se de um “curativo vivo”, feito com células-tronco do próprio paciente e que, ao que parece, pode estimular o crescimento celular da região afetada, e reparar a fratura ou lesão do tecido.

Meniscos “reparados” com um curativo de células-tronco

Curativo para o joelho

O estudo publicado na revista Stem Cells Translational Medicine mostra como um “curativo celular” pode estimular a recuperação dos meniscos afetados por uma lesão no joelho.

O curativo foi desenvolvido pela empresa spin-out Azellon, com financiamento da Innovate UK.

Foi testado pela primeira vez em cinco pacientes voluntários, com idades entre os 18 e os 24 anos, que sofreram uma lesão na região branca dos meniscos.

  • Em primeiro lugar, os cientistas pegaram as células-tronco da medula óssea dos participantes e as cultivaram em placas de laboratório por duas semanas.
  • Posteriormente, usaram as células maduras em uma estrutura membranosa que, em seguida, implantaram no meio da lesão do menisco, costurando a cartilagem ao seu redor para cobri-lo e fixar bem.
Joelho quebrado

Qual foi o resultado? Para a surpresa dos pesquisadores, o método foi muito bem-sucedido e seus efeitos muito reconfortantes.

Todos os pacientes mostraram meniscos intactos 12 meses após o procedimento, e três deles tiveram uma recuperação total do joelho em um período de 24 meses.

Infelizmente, os outros dois pacientes tiveram que ser submetidos à cirurgia de extirpação total de meniscos, já que os sintomas originais reapareceram.

São necessárias duas intervenções…

Ainda que poderíamos pensar que o desenvolvimento desse curativo novo evitará que os pacientes tenham que passar pela cirurgia, a verdade é que são necessárias duas intervenções para implantar o curativo.

A primeira, para extrair as células-tronco da medula óssea e a outra para a implantação do curativo desenvolvido.
No entanto, Anthony Hollander, diretor da pesquisa, assegurou que estão trabalhando para fazer uma versão melhorada do tratamento, utilizando células-tronco de doadores, para diminuir os custos e evitar as duas operações.

Por sua vez, a professora Ashley Blom, chefe de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Bristol, acrescentou:

“O curativo celular oferece uma nova opção de tratamento que poderia beneficiar sobretudo os pacientes mais jovens e os atletas, diminuindo a probabilidade de osteoartrite prematura, após serem submetidos a uma meniscectomía”.

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Resultados muito alentadores….

Dores nos joelhos

Apesar de ser um elemento que requer outros estudos, os resultados do “curativo celular” são muito interessantes e, no futuro, representa uma alternativa muito importante ao procedimento para extirpar totalmente os meniscos.

Considerando que poderia reparar o tecido lesionado, não seria necessário fazer outros tipos de intervenções para recuperar as funcionalidades do joelho.

Além disso, como os tecidos se recuperam, diminuiria de maneira significativa o risco de transtornos crônicos, como a artrite, a artrose e a osteoartrite.