Crises epilépticas: como agir diante delas?

19 Outubro, 2020
As crises epilépticas, especialmente se forem graves, requerem ajuda externa para impedir que a pessoa afetada se machuque e para que respire corretamente.

As crises epilépticas são alterações paroxísticas que ocorrem em uma pessoa de forma repentina e inesperada. Geralmente, duram pouco tempo. Elas se devem a uma atividade neuronal anormal que se manifesta de modo repentino, breve e transitório.

O mais destacado dessas crises é que elas começam repentinamente e duram alguns segundos ou minutos. Enquanto o episódio está se desenvolvendo, a pessoa pode perder a consciência e fazer movimentos rítmicos, repentinos e involuntários. Também é possível que a pessoa fique ciente de tudo o que acontece com ela durante a crise.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem cerca de 50 milhões de pessoas com epilepsia no mundo e 70% delas poderiam viver sem convulsões se a doença fosse diagnosticada e tratada adequadamente.

Tipos de crises epilépticas

Há vários tipos de crises epilépticas

As crises epilépticas são divididas em dois grupos principais:

  • Generalizadas: são aquelas que afetam os dois hemisférios do cérebro, do começo ao fim da crise.
  • Parciais ou focais: são aquelas em que o início da atividade bioelétrica ocorre apenas em uma área específica do cérebro e pode se espalhar para todo o órgão.

Crises epilépticas generalizadas

As crises generalizadas, por sua vez, são subdivididas em várias classes:

  • Tônico clônicas: são as mais comuns. Seu início é marcado pela rigidez nas extremidades – fase tônica – e é seguida por forte agitação do corpo – fase clônica. Durante essas fases, podem ocorrer mordidas na língua, quedas repentinas e relaxamento e perda do controle dos esfíncteres.
  • Mioclônicas: são caracterizadas por contrações rápidas e breves dos músculos, em ambos os lados do corpo. A pessoa pode sofrer quedas repentinas ou deixar as coisas caírem das suas mãos. Muitas vezes há confusão pensando que o paciente é simplesmente desastrado e, portanto, são diagnosticadas tardiamente.
  • Crises atônicas generalizadas: causam uma súbita perda de tônus ​​muscular. Os sintomas são repentinos e geralmente levam ao desmaio da pessoa.
  • Crises de ausência: consistem na perda repentina de consciência, durante a qual a pessoa abandona a atividade que está realizando e fica com o olhar perdido.

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Crises epilépticas parciais

As crises parciais simples são muito comuns. Ocorrem com perda de consciência e os sintomas variam dependendo do lugar no cérebro onde se originaram. Elas podem ser:

  • Motoras: com movimentos involuntários do corpo.
  • Gelástica: riso descontrolado.
  • Sensorial: alucinações visuais, auditivas, etc.
  • Psíquicas: pensamentos estranhos.

As crises parciais complexas também causam perda de consciência. À medida que se desenvolvem, a pessoa pode não responder aos estímulos ou pode fazê-lo de maneira incoerente.

Às vezes, o corpo faz movimentos automáticos, como se estivesse chupando, engolindo, mastigando, esfregando as mãos, etc. Quando a crise termina, a pessoa permanece confusa por vários minutos.

Finalmente, há um tipo de crise conhecida como parcial com generalização secundária. Essas são crises epilépticas que começam focadas em um setor do cérebro, mas tendem a se espalhar por todo o órgão e a se generalizar.

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Como lidar com uma crise epiléptica?

Crise de epilepsia

Quando uma pessoa tem uma crise epilética, é possível ajudá-la. A primeira coisa a fazer é manter a calma. Devem ser removidos do alcance da pessoa todos os objetos com os quais ela possa se ferir: móveis com bordas afiadas, vasos, tesouras, etc.

Se a pessoa caiu, algo macio deve ser colocado sob a sua cabeça para que ela não bata no chão. Logo depois da realização dessas ações, é recomendável afrouxar as roupas em volta do pescoço, como gravatas, colarinhos, etc. Depois disso, o corpo deve ser virado de lado para facilitar a respiração.

É importante observar a duração da crise epiléptica, que geralmente varia de dois a três minutos. Enquanto a crise durar, você deve ficar junto à pessoa afetada e verificar se ela volta a si quando termina. Além disso, é importante verificar que ela se recupere gradualmente, sem exercer pressão e deixá-la descansar.

Não tente imobilizar a pessoa nem coloque objetos ou dedos em sua boca. Também não é necessário praticar a respiração boca a boca. Em geral, as convulsões duram alguns minutos e não requerem hospitalização. Entretanto, se durar mais de cinco minutos, é preciso procurar atendimento médico urgente.

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