Como o sistema imunológico trata infecções virais

18 Agosto, 2020
Saber como o sistema imunológico trata infecções virais é fundamental para combatê-las. As pesquisas nesse campo têm se multiplicado para esclarecer cada vez mais os processos imunológicos.

Saber como o sistema imunológico trata infecções virais é de extrema importância no processo de estabelecimento de terapias antivirais. Lembre-se de que os vírus não são bactérias e, portanto, os antibióticos não têm efeito sobre eles.

Os laboratórios já percorreram um longo caminho na criação de antivirais e antirretrovirais para combater partículas como o vírus da hepatite C ou o vírus da imunodeficiência humana, por exemplo. Houve até reduções nas cargas virais que estabilizam os pacientes.

No entanto, há um problema maior nas infecções virais crônicas, que envolvem a sobreposição de doenças. Muitas pessoas infectadas com vírus são superinfectadas por bactérias ou fungos. É o caso do coronavírus atual, ao qual a pneumonia bacteriana pode ser adicionada.

Para desvendar os mecanismos íntimos de combate do sistema imunológico contra infecções virais, alguns estudos são feitos combinando infecções. É o caso da pesquisa recente da Universidade de Birmingham, publicada no final de fevereiro.

O estudo para descobrir como o sistema imunológico trata infecções virais

Este artigo ao qual nos referimos foi publicado na revista PLOS Pathogens por autores associados à Universidade de Birmingham, ao Instituto Pirbright e ao University College London. O professor Robin May liderou a pesquisa.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores analisaram os glóbulos brancos infectados por vírus que foram expostos a um fungo específicoCryptococcus neoformans. Este é um fungo oportunista, ou seja, se instala em pessoas com um sistema imunológico enfraquecido.

Essa comparação entre o que aconteceu em um laboratório e o que acontece na vida real é extremamente importante. Doenças como a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) causam um esgotamento das defesas que não matam por si só, mas por superinfecção.

Os fungos oportunistas aproveitam o fraco sistema imunológico do hospedeiro para se estabelecer e se reproduzir. Finalmente, podem ocorrer complicações e até a morte por pneumonia ou sepse fúngica, e não pelo vírus inicial.

Fungo visto de perto
Os fungos podem ser agentes infecciosos oportunistas em pessoas imunodeprimidas.

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O que foi descoberto nesta pesquisa?

A pesquisa assumiu, antes de começar, que existem dois processos pelos quais o sistema imunológico trata infecções virais e fúngicas. No caso dos vírus, os glóbulos brancos envolvem as partículas em um mecanismo chamado fagocitose.

Embora a fagocitose possa ser o principal método para os fungos, às vezes ocorre o inverso: a expulsão do agente infeccioso para fora dos glóbulos brancos. Isso é chamado de “vomocitose” e, embora não seja o mais comum, foi o eixo da descoberta deste estudo.

Observando no microscópio como os glóbulos brancos lidavam com duas infecções ao mesmo tempo, foi possível ver que a vomocitose se acelerou notavelmente ao inserir um vírus na equação. Em outras palavras, os glóbulos brancos expulsavam os fungos mais rapidamente se tivessem que combater um vírus.

A suposição da equipe de pesquisa é de que o sistema imunológico acelera um processo para liberar recursos e combater um segundo invasor. Não sabemos se isso é mais eficiente ou não, mas parece que existe um tipo de inteligência interna que decide onde concentrar os esforços na batalha.

Combate aos vírus
Os glóbulos brancos são responsáveis ​​pela luta contra vírus, bactérias e fungos que entram no corpo.

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Qual é a utilidade dessa descoberta?

A pesquisa lança luz sobre um aspecto controverso e perigoso para pacientes crônicos imunodeprimidos. Se soubermos como o sistema imunológico trata infecções virais, e especificamente como o faz quando se trata de um vírus oportunista, podemos ajudar melhor os pacientes com AIDS, por exemplo.

A intenção dessas linhas de pesquisa é alcançar um protocolo de tratamento para infecções oportunistas que melhore a sobrevida de pacientes imunodeprimidos. Como dissemos, a morte nesses pacientes ocorre a partir de um agente infeccioso que se insere em um corpo enfraquecido e que, então, torna-se impossível de tratar.

Se, além de antifúngicos, antibacterianos e antivirais, tivéssemos tratamentos que estimulassem o sistema imunológico, poderíamos melhorar a eficácia dos glóbulos brancos. A questão não é pequena, considerando que o fungo usado nesta pesquisa, por exemplo, está associado a mais de 200.000 mortes por ano em todo o mundo.

Além disso, é válido perguntar se essa rápida expulsão do fungo pelo sistema imunológico não o está liberando para danificar ainda mais os órgãos. E se essa aceleração for realmente uma ineficiência do mecanismo de defesa, e não uma inteligência natural? Pesquisas subsequentes vão esclarecer este ponto.

O sistema imunológico não trata apenas infecções virais

É essencial lembrar que não existem apenas infecções virais. Embora o SARS-CoV-2 receba toda a atenção no momento, a pneumonia bacteriana, a gripe e as micoses ainda estão presentes. Um sistema imunológico saudável é a chave para uma vida com menos infecções.

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