Evolução dos vírus: a corrida das mutações

22 de maio de 2020
O coronavírus tem se espalhado e, com isso, vem o medo das suas mutações e de alterações na letalidade. Mas será que realmente sabemos o que é uma mutação viral e quais são as suas implicações?

Infelizmente, os vírus e a sua influência estão mais presentes do que nunca na nossa sociedade. Carga viral, porcentagens, mutações, infectados e reinfecções são termos nos quais muitos de nós nunca havíamos pensado antes dessa pandemia.

Apesar disso, existem mecanismos ainda mais complexos subjacentes aos eventos atuais: a evolução viral é um processo fascinante e, neste artigo, queremos mostrar a você a maneira como ela ocorre.

No que consiste a evolução de um vírus?

Os vírus têm ciclos geracionais muito curtos. Eles entram na célula, apropriam-se do seu mecanismo de replicação de informações genéticas, replicam-se, e as cópias abandonam a célula para continuar infectando.

Devido a essa rapidez e plasticidade genética, muitos vírus, especialmente os vírus do tipo RNA, apresentam taxas de mutação excepcionalmente altas. Essa taxa de mutação, combinada com o processo de seleção natural, permite que os vírus se adaptem de forma rápida e eficiente aos mecanismos de defesa dos hospedeiros.

Isso é essencial para entender a pandemia que estamos enfrentando. O que é o coronavírus se não uma adaptação de um vírus já presente em animais?  Se você quiser saber mais sobre a evolução viral, continue lendo.

Coronavírus visto de perto

A mudança garante o sucesso

Vamos começar com um assunto já conhecido: a gripe. Os vírus Influenza A e Influenza B são igualmente prevalentes em humanos. Contudo, o primeiro apresenta uma taxa de evolução três vezes mais rápida do que o segundo. Qual é o motivo?

Um estudo publicado na revista Journal of Virology tenta nos dar uma resposta. Além da reação do próprio sistema imunológico, as mutações no nível molecular podem desempenhar um papel importante na adaptação do vírus.

Pode parecer óbvio, mas não é tão simples assumir que uma maior taxa de evolução se deve diretamente a um maior número de mutações. Muitas mutações podem ser prejudiciais ou inadequadas para o vírus. E o que acontece se, devido à mutação, o vírus matar o hospedeiro mais rapidamente? Nesse caso, o vírus ficaria sem a sua propagação garantida.

É um jogo de mudanças muito complexo no qual, por meio da seleção natural, as mudanças mais efetivas podem acabar se estabelecendo. Quando um vírus mutante mantém o hospedeiro vivo por mais tempo, conseguindo, dessa forma, se reproduzir mais e infectar mais pessoas, ele vai ser capaz de atingir a maior parte da população.

Temos que deixar uma coisa clara: os vírus não sofrem mutação para serem melhores. As mudanças ocorrem aleatoriamente, e as mais válidas acabam sendo propagadas. Seguindo o exemplo do coronavírus que causa a COVID-19, quantas cepas mutantes falharam até surgir a cepa capaz de infectar os humanos?

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Tipos de mutações de vírus

Novo coronavírus no ar

Podemos diferenciar dois tipos de mutações virais gerais:

  • A mudança antigênica: dois ou mais vírus se misturam para dar origem a um novo. Isso confunde bastante o sistema imunológico, pois ele já os conhece e sabe combatê-los separadamente, mas sua união é algo que nunca enfrentou e, portanto, precisa desenvolver novos mecanismos de defesa. Um exemplo é a famosa gripe A (H1N1).
  • A deriva antigênica: é uma mutação nas proteínas da superfície do vírus, que são aquelas que o sistema imunológico normalmente reconhece e ataca. Ocorre espontaneamente e dificulta a defesa com anticorpos de infecções anteriores realizada pelo sistema imunológico. É por isso que a vacina contra a gripe é anual.

Nossos corpos precisam aprender a combater doenças, e as vacinas são os meios mais eficazes para fazer isso. Se um vírus sofrer uma mutação, a vacina também vai precisar fazer isso para ensinar nosso corpo a combatê-lo sem que precise ser infectado.

Descubra mais: Estudo confirma que há três tipos de coronavírus no mundo

Mutações e coronavírus

Como aplicar todo esse conhecimento à realidade atual? Na realidade, é impossível saber qual é taxa de mutação do vírus da COVID-19 em um espaço de tempo tão curto. Especulou-se sobre a existência de duas cepas diferentes, mas, devido aos baixos grupos amostrais, aos desvios estatísticos e às opiniões diversas, essa ideia parece ter sido diluída ao longo do tempo.

Como afirmam os especialistas da área nesse trecho da revista Journal of Microbiology, as taxas de mutação durante uma pandemia não devem nos preocupar. 

Muitas mutações são até mesmo negativas para os vírus.  Para que ocorram mudanças substanciais na gravidade ou na transmissão, vários genes precisam sofrer mutações de forma conjunta. É muito incomum que um vírus mude tanto a ponto de variar a dinâmica que estamos começando a conhecer em tão pouco tempo.

Mais uma vez, precisamos manter a calma. As variações no mundo natural são extremamente comuns. Atualmente, o objetivo é frear a pandemia para impedir a sua expansão.

  • Evolución viral, wikipedia. Recogido a 14 de abril en https://en.wikipedia.org/wiki/Viral_evolution
  • Cambio antigénico, wikipedia. Recogido a 14 de abril en es.wikipedia.org/wiki/Cambio_antigénico
  • Deriva antigénica, wikipedia. Recogido a 14 de abril en https://es.wikipedia.org/wiki/Deriva_antig%C3%A9nica
  • Comparison of the Mutation Rates of Human Influenza A and B Viruses, journal of virology. Recogido a 14 de abril en https://jvi.asm.org/content/80/7/3675