Novas pesquisas sobre câncer de ovário

18 Outubro, 2020
O câncer de ovário é o mais letal dos cânceres que afetam o sistema reprodutor feminino. No entanto, nos últimos anos, progressos significativos foram conquistados para combatê-lo.

De acordo com dados da Sociedade Americana contra o Cêncer, o câncer de ovário é a quinta causa de morte por câncer entre as mulheres. O risco de desenvolver esse tipo de câncer é de 1 em 78, e a probabilidade de morrer por causa dessa doença é de 1 em 108.

É uma doença que afeta principalmente mulheres brancas de idade avançada. Mais da metade dos casos ocorre em mulheres com mais de 63 anos.

Durante os últimos 20 anos, progressos significativos foram feitos na luta contra esta doença. Cada vez menos mulheres estão sendo diagnosticadas com câncer de ovário e, também, cada vez menos estão morrendo por causa disso.

Os avanços mais recentes nesse sentido têm a ver com melhorias na detecção precoce, diagnósticos diferenciais e tratamentos mais eficazes. Vamos ver quais são as inovações mais recentes nessa área.

1. Prevenção do câncer no ovário

Pesquisas mais recentes sugerem que alguns cânceres de ovário, particularmente carcinomas serosos de alto grau, na verdade se originam nas trompas de Falópio. Essa descoberta abriu novas portas para o combate à doença.

As células cancerosas parecem se desprender no início das trompas de Falópio e, depois, se fixam nos ovários. Se isso acontecer, as células malignas começam a se reproduzir muito rapidamente. E a ciência desconhece o motivo.

A verdade é que a retirada das trompas de Falópio já é utilizada como medida preventiva para evitar o câncer de ovário. As evidências indicam que é uma medida conveniente para prolongar o funcionamento normal do ovário.

Leia também: Como se detecta o câncer de ovário?

2. Novas ferramentas de diagnóstico

Atualmente, novas ferramentas estão disponíveis para a realização de um diagnóstico mais precoce e preciso do câncer de ovário. Um dos métodos que tem sido usado é a análise do padrão de proteína no sangue, ou proteômica. Isso permite uma detecção precoce da doença.

Além disso, a ressonância magnética funcional também começou a ser usada para detectar o câncer precocemente. Da mesma forma, o exame OVA1 se tornou uma maneira muito eficaz para determinar o nível de gravidade de um tumor, quando ele é detectado.

Esse exame nos permite saber se um tumor é de alto ou baixo risco. Os de alto risco são provavelmente tumores malignos e geralmente são encaminhados a um oncologista. Os baixo risco costumam ser encaminhados ao ginecologista. O exame não determina a presença do câncer, mas fornece informações valiosas para determinar as etapas a serem seguidas.

3. A terapia direcionada

A terapia direcionada é um dos mais inovadores tratamentos para o câncer de ovário. Tem a ver com o uso de drogas e outras substâncias para identificar células cancerosas e atacá-las, causando danos mínimos às células saudáveis.

A terapia direcionada ataca o funcionamento interno das células cancerosas, modificando a maneira como essas células crescem, se dividem e se conectam com outras células. Basicamente, usa um medicamento chamado bevacizumab (Avastin), que diminui o crescimento das células em alguns tipos de câncer avançado.

Outros medicamentos também são usados, como olaparib (Lynparza), rucaparib (Rubraca) e niraparib (Zejula). Eles são conhecidos genericamente como inibidores de PARP e agem fazendo com que as células cancerosas morram.

Confira este artigo: Efeitos secundários do câncer de ovário

4. Imunoterapia ou vacina contra o câncer

Imunoterapia contra o câncer no ovário

Uma pesquisa realizada no Centro de Cuidados Oncológicos do Hospital de Winthrop da NYU, em Mineola, Nova York, acendeu uma nova luz de esperança na luta contra o câncer de ovário. O experimento inicial foi feito com apenas 26 mulheres, mas produziu resultados animadores.

As pacientes foram tratadas com uma vacina chamada “Vigil”, especialmente desenvolvida contra o câncer de ovário. Essa vacina é única para cada paciente, pois é elaborada com células do tumor de cada mulher. Aparentemente, consegue potencializar a resposta do sistema imunológico.

Todas as pacientes tratadas tinham câncer de ovário recorrente. Das 26 voluntárias, 20 conseguiram sobreviver por mais três anos. Todas mostraram boa tolerância ao tratamento. Embora ainda não seja possível falar em uma solução, é provável que avanços importantes sejam conquistados através desse caminho nos próximos anos.

Prevenção do câncer de ovário

Atualmente, os pesquisadores estudam para descobrir quais fatores causam esse tipo de câncer e as formas de preveni-lo.

No momento, embora não haja uma maneira comprovada de prevenir completamente essas doenças, seu risco pode ser reduzido. Em todo caso, é aconselhável consultar um profissional para obter mais informações sobre o risco individual de sofrer de câncer.

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