Vitamina C, D, melatonina e coronavírus: últimos estudos

23 de maio de 2020
Nas últimas semanas foram investigados os efeitos de alguns micronutrientes contra a infecção causada pelo coronavírus. Neste artigo, detalhamos os resultados das pesquisas.

Você já ouviu por aí que o consumo de vitamina C é importante para prevenir o coronavírus? E o que dizer sobre a melatonina? A seguir, vamos esclarecer o que os estudos mais atuais têm a nos dizer sobre esse tema.

Diferentes tratamentos para lutar contra o coronavírus estão sendo explorados e estudados pelos cientistas. A maior parte deles é de caráter farmacológico. O principal foco é a melhora da pneumonia que acomete os infectados, responsável por muitos falecimentos.

No entanto, também existem outras questões que estão sendo estudadas e que podem nos ajudar a entender como lidar com essa doença. Algumas delas se relacionam à administração de micronutrientes em altas doses, como é o caso da vitamina C e da vitamina D.

A vitamina C para tratar o coronavírus

A China fez um teste que consistiu na administração de vitamina C intravenosa junto com outros remédios de caráter antiviral para combater o coronavírus. Foi proposta, além disso, a realização de um ensaio clínico com 140 participantes para avaliar os resultados desse tratamento.

Esse estudo foi proposto a partir de uma revisão sistemática publicada no Journal of Medical Virology. Nela, fica evidente o potencial de certas vitaminas para o tratamento de vários tipos de coronavírus. Por esse motivo, acredita-se que a administração de vitamina C e zinco poderia ser benéfica durante a duração desse tipo de patologia.

Além disso, existem também artigos científicos que relacionam a deficiência de vitamina C com o mau funcionamento do sistema imunológico. Doses normais dessa substância podem estimular as defesas do organismo. Doses altas conseguem reduzir a incidência e a duração das doenças de tipo viral.

Além disso, a literatura científica disponível afirma que a ingestão de vitamina C provoca uma ativação dos linfócitos e é segura em doses altas. Outras revisões sistemáticas destacam que o uso de hidrocortisona, tiamina e ácido ascórbico (vitamina C) é eficaz para o tratamento da sepse.

Cabe destacar que a sepse e a falha de órgãos são as duas principais causas de morte derivadas da infecção causada pelo coronavírus. Outra das funções dessa combinação farmacológica é a reparação da disfunção da barreira endotelial dos pulmões, segundo este estudo publicado na revista Chest.

Como os vírus sofrem mutações?
Atualmente, o potencial da vitamina C como possível coadjuvante no tratamento para o coronavírus está sendo estudado.

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Vitamina D e o sistema imunológico

Um artigo recente publicado na revista Medicine & Pharmacology sugere que manter uma concentração de vitamina D no sangue superior a 50ng/ml reduz a probabilidade de ter uma infecção por um vírus similar ao da gripe em 27%.

A ingestão de vitamina D desativa a produção de renina, uma enzima necessária para a produção de angiotensina II. Esta última possui um efeito vasoconstritor que promove a inflamação e o aumento da pressão arterial. A infecção causada pelo coronavírus tem uma alta correlação com o aumento da produção dessa mesma enzima.

Além disso, existem artigos científicos que recomendam o uso de altas doses de vitamina D para o tratamento da pneumonia, junto com a recomendação farmacológica pertinente. Valores altos desse micronutriente também foram associados a uma menor probabilidade de ter infecções de caráter respiratório, segundo a revista BMC Infectious Diseases.

Por último, cabe ressaltar que a ingestão de altos valores de vitamina D parece segura segundo os especialistas. Não obstante, são necessários mais estudos que avaliem o risco de sofrer de cálculo renais se este nutriente for administrado junto com suplementos de cálcio.

Melatonina e o coronavírus

Ao falar de prevenção, também é necessário destacar o possível papel deste hormônio que regula os ciclos de sono e de vigília. Os estudos que investigaram o papel dessa substância na prevenção da gripe tiveram resultados positivos. Segundo a literatura científica, a melatonina provoca uma diminuição da produção de citocinas, necessárias para que os processos inflamatórios aconteçam.

No entanto, os estudos realizados a esse respeito foram executados com ratos, e por isso as conclusões não são necessariamente aplicáveis a seres humanos. No entanto, existem autores que defendem o uso dessa substância na hora de tratar ou prevenir uma pneumonia viral. Até o momento, os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios da melatonina já foram comprovados pela ciência.

Vírus do coronavírus
O coronavírus afeta diversas partes do corpo humano, mas principalmente os pulmões.

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Nutrientes e coronavírus: os estudos continuam

Devido ao desconhecimento da comunidade científica em relação ao novo vírus, ainda estão sendo realizados muitos estudos buscando novos tratamentos e uma redução da mortalidade causada pelo coronavírus. No que diz respeito ao tratamento farmacológico disponível, as pesquisas investigam também a inclusão de micronutrientes em doses altas como medidas paliativas para os efeitos da pneumonia e da sepse.

Muitos ensaios clínicos e estudos estão analisando a questão do coronavírus nos últimos meses. Os resultados ainda não permitem estabelecer conclusões firmes baseadas em evidências. Apesar disso, muitos dados parecem indicar que o uso de vitamina C e D pode ser útil tanto para a prevenção quanto para o tratamento da doença, sempre e quando estiverem associados a outros compostos de caráter antiviral.

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